Quando precisas de abrandar, mas, ao mesmo tempo, ganhar (boa) energia, o ioga pode ser uma prática muito positiva. Conversámos com Rita Seabra, uma yogini que adora levar esta filosofia de vida tanto a adultos como a crianças.
Como é que o ioga entrou na sua vida?
Entrou numa fase maravilhosa, mas desafiante: a maternidade. Optei por ser mãe a tempo inteiro e isso fez com que me desligasse da minha vida profissional e social. A dada altura, senti que estava a entrar em colapso e procurei algo que me ajudasse a trazer mais presença e mais brilho à minha criança interna. Fui experimentar uma aula de ioga e, ao sentar-me no tapete, senti uma paz imensa. Disse para mim: isto é a minha praia. A partir daí, continuei a praticar e a querer saber mais sobre esta filosofia milenar. Depois, de uma forma natural, vieram as formações; primeiro, para crianças e, depois, para adultos. Desde então, nunca mais parei.
Como é a rotina de uma professora de ioga?
Como estou constantemente a aprender, identifico-me menos como professora e mais como facilitadora de ioga ou yogini, que é um dos termos que nós usamos no ioga. Quanto à minha rotina, creio que é idêntica à de tantas outras pessoas. Passa por me repartir entre os filhos, marido, trabalho e casa. Agora, o que eu tento fazer no meu dia a dia é ser o mais consciente possível, de forma que não prejudique nem o meu corpo, nem a minha mente, nem os animais, nem o planeta Terra. No fundo, é esse equilíbrio que tento trazer ao meu dia a dia, tanto nas aulas como na vida, porque o ioga vai muito além do tapete.
Como é a sua forma de ensinar ioga?
Nas minhas práticas, procuro que a pessoa ganhe consciência de si própria. Tento perceber quais são as suas fragilidades e dificuldades — e aceitá-las, simplesmente. A partir daí, é tudo mais fácil. Somos todos diferentes, e isso é bom, porque faz com que a vida seja mais variada, além de nos trazer leveza e presença.
É verdade que o ioga ajuda a acalmar as mentes agitadas?
Essa pergunta é engraçada, porque as pessoas que vão para o ioga acham que estão lá para meditar e respirar, sentadas em posição de lótus e com os dedos num mudra. Mas isso não tranquiliza por si só. Se a pessoa for muito nervosa, até pode trazer um pouquinho mais de agitação. Por isso, eu convido toda a gente a experimentar uma aula e, se não se identificarem logo com o primeiro professor, que procurem outro. Depois, se fizer sentido, é preciso que haja alguma rotina nessa presença e nessa intenção. Pode haver dias em que o ioga ajuda a acalmar e, noutros, não, mas isso tem que ver com aquilo que a gente tem de aprender a ultrapassar e a viver.