Um advogado é uma espécie de tradutor de leis. O seu dever é estar ao lado de quem precisa de ajuda, para garantir que essa pessoa é ouvida e que todos os seus direitos são respeitados.
Primeira na família a abraçar a advocacia, Mónica Azevedo trabalha todos os dias para garantir que o “livro de regras” do nosso país — a Constituição — protege os princípios de justiça que nos unem a todos.
O que a levou a querer ser advogada?
Quando era criança, queria ser outras coisas, mas, na escola secundária, tive uma disciplina facultativa de Direito, em que falávamos maioritariamente da Constituição da República Portuguesa; e, portanto, dos princípios de defesa e preservação da dignidade da pessoa. Foi essa disciplina que me despertou o interesse para seguir a advocacia. Por outro lado, achei que a minha personalidade vincada, juntamente com um sentido de justiça, também se adequavam à profissão.
O que é preciso para se ser um bom advogado?
Primeiro, é preciso fazer uma boa gestão mental, quer da organização do trabalho quer da capacidade de resposta imediata; quando estamos, por exemplo, num julgamento. No momento em que as coisas estão a acontecer, não podemos ir para casa preparar as respostas. Também é preciso ter uma boa capacidade oratória e de escrita, porque a escolha das palavras certas faz muita diferença.
E é preciso gostar muito de estudar, certo?
Para uma pequena percentagem de pessoas, não vai ser impeditivo, se não gostarem assim tanto de estudar, porque depois terão outras capacidades. Ser um bom advogado prende-se muito com ser capaz de interpretar bem as leis. Se a pessoa for boa a português e conseguir fazer interpretações interessantes da lei, não precisa de ser “marrona”. Mas não se pode desvalorizar a leitura e o estudo, não só do Direito como de outros temas da sociedade em geral.
Como sabe se alguém está a mentir ou a dizer a verdade?
É a experiência que nos ensina. Começamos a conseguir ler as pessoas que estão à nossa frente, até pela linguagem corporal, e a perceber que há coisas que fazem sentido e outras, não.
O que sente quando tem de defender ou aplicar uma lei que lhe parece injusta?
O juiz é quem tem verdadeiramente de aplicar a lei. Nós, advogados, temos um papel um bocadinho diferente: a nossa função é defender o cliente. Se a lei existe e beneficia o meu cliente, naquela situação, é com base nisso que eu vou argumentar. Se um advogado acha que uma certa lei é injusta, o que pode fazer é levá-la ao Tribunal Constitucional e dizer que essa lei não respeita os direitos, liberdades e garantias. Ou seja, que é uma lei inconstitucional, porque não respeita os princípios que estão na Constituição, a primeira lei de todas.