Sabe tudo sobre Eça de Queiroz?

Por: Inês Rebelo a 2020-03-31 // Coordenação Editorial: Marisa Sousa

Victor Hugo

Victor Hugo

Victor Hugo (1802 -1885) foi um romancista, poeta, dramaturgo, ensaísta, artista, estadista e ativista pelos direitos humanos francês de grande atuação política no seu país. Autor dos romances, "Os Miseráveis", "O Homem que Ri", "O Corcunda de Notre-Dame", "Cantos do Crepúsculo", entre outras obras célebres. Grande representante do Romantismo, foi eleito para a Academia Francesa.

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Eça de Queiroz

Eça de Queiroz

Eça de Queiroz nasceu a 25 de novembro de 1845 na Póvoa de Varzim e é considerado um dos maiores romancistas de toda a literatura portuguesa, o primeiro e principal escritor realista português, renovador profundo e perspicaz da nossa prosa literária.
Entrou para o Curso de Direito em 1861, em Coimbra, onde conviveu com muitos dos futuros representantes da Geração de 70. Terminado o curso, fundou o jornal , em 1866, órgão no qual iniciou a sua experiência jornalística. Em 1871, proferiu a conferência «O Realismo como nova expressão da Arte», integrada nas Conferências do Casino Lisbonense e produto da evolução estética que o encaminha no sentido do Realismo-Naturalismo de Flaubert e Zola. No mesmo ano iniciou, com Ramalho Ortigão, a publicação de As Farpas, crónicas satíricas de inquérito à vida portuguesa.
Em 1872 iniciou a sua carreira diplomática, ao longo da qual ocupou o cargo de cônsul em Havana, Newcastle, Bristol e Paris. Foi, pois, com o distanciamento crítico que a experiência de vida no estrangeiro lhe permitiu que concebeu a maior parte da sua obra romanesca, consagrada à crítica da vida social portuguesa e de onde se destacam O Primo Bazilio, O Crime do Padre Amaro, A Relíquia e Os Maias, este último considerado a sua obra-prima. Morreu a 16 de agosto de 1900, em Paris.

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Camilo Castelo Branco

Camilo Castelo Branco

Nasceu em 1825, em Lisboa, e faleceu em 1890, em S. Miguel de Seide (Famalicão). Com uma breve passagem pelo curso de Medicina, estreia-se nas letras em 1845 e em 1851 publica o seu primeiro romance, Anátema. Em 1860, na sequência de um processo de adultério desencadeado pelo marido de Ana Plácido, com quem mantinha um relacionamento amoroso desde 1856, Camilo e Ana Plácido são presos, acabando absolvidos no ano seguinte por D. Pedro V. Entre 1862 e 1863, Camilo publica onze novelas e romances, atingindo uma notoriedade dificilmente igualável. Tornou-se o primeiro escritor profissional em Portugal, dotado de uma capacidade prodigiosa para efabular a partir da observação da sociedade, com inclinação para a intriga e análise passionais. Considerado o expoente do romantismo em Portugal, autor de obras centrais na história da literatura nacional, como Amor de Perdição, A Queda dum Anjo e Eusébio Macário, Camilo Castelo Branco, cego e impossibilitado de escrever, suicidou-se com um tiro de revólver a 1 de Junho de 1890.

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Émile Zola

Émile Zola nasceu em 1840 em Paris. Cresceu em Aix-en-Provence, onde estudou no Collège Bourbon, regressando a Paris para continuar os estudos. A braços com dificuldades financeiras após a morte do pai, trabalhou em escritórios e colaborou em diversos jornais. Com a entrada na Hachette, Zola iniciou-se no mundo da literatura, conhecendo escritores como Taine, Stendhal, Balzac e Flaubert. Publicou os primeiros poemas, contos e artigos e, aos vinte e cinco anos, trocou a vocação inicial de poeta pela de romancista, escrevendo La Confession de Claude. A partir daí, viveu como jornalista e romancista, publicando Le voeu d’une morte (1866) e Thérèse Raquin (1867), obra que afirmou a sua estética naturalista, integrando teorias da sua época como o darwinismo, o evolucionismo e o determinismo científico. Inspirado n’A Comédia Humana de Balzac, iniciou em 1871 a série Rougon-Macquart, a que deu o subtítulo História natural e social de uma família sob o Segundo Império. Dela fazem parte Nana (1880) e Germinal (1885), duas das suas principais obras. Entretanto, em 1880, publicara O Romance Experimental, manifesto literário do movimento naturalista. Para Zola, o romancista era um observador da Natureza, adotando uma atitude experimental e trabalhando os factos sociais e emocionais como um químico trabalha com a sua matéria. Os seus livros percorreram temas tão diversos como as greves dos mineiros em Germinal, o alcoolismo das classes trabalhadoras em L’Assommoir, a decadência sexual das classes abastadas em La Curée e a ligação dos camponeses às suas terras em La Terre. Algumas das suas obras foram consideradas escandalosas na época, e nunca foi escolhido para a Academia Francesa, a que foi candidato vinte e quatro vezes. Em 1898, Zola participa no debate público relativo ao Caso Dreyfus, defendendo a inocência, que se viria a provar, do acusado. O seu artigo «J’accuse», publicado no L’Aurore, acabou por levar à revisão do processo judicial. Mas a sua publicação fez com que fosse processado e condenado a um ano de prisão, o que o levou a exilar-se em Inglaterra. Morreu em 1902 no seu apartamento na rua de Bruxelles, em condições que não excluíram a hipótese de assassínio.

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Machado de Assis

Machado de Assis

Joaquim Maria Machado de Assis (1839-1908) nasceu e viveu no Rio de Janeiro. A única vez que deixou a cidade, em 1879, para convalescença de crise de epilepsia, foi para Nova Friburgo. Essa estada ficou literariamente famosa por ter aí começado — ditando-o à mulher, Carolina — Memórias Póstumas de Brás Cubas, livro singularmente extravagante que marca toda a sua obra. Descendente de escravos (o pai, pintor de paredes, era filho de escravos forros; a mãe, uma lavadeira açoriana), pobre, órfão muito cedo, não teve educação formal e foi funcionário público, mas, não obstante ter surgido como o mais excêntrico escritor que o Brasil já conhecera, cedo alcançou enorme reputação literária, fundando e presidindo a Academia Brasileira de Letras. Foi o mais completo homem de letras oitocentista no Brasil, escrevendo em vários géneros, mas destacando-se enquanto romancista, contista e cronista. Os seus romances ainda surpreendem pela atualidade, pelo inesperado do humorismo filosófico e pelo cosmopolitismo. Parece nunca ter sido tão estimado pelos seus pares como foi por eles admirado, o que seria injusto atribuir à excecional configuração do seu génio literário.

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Quão bem conhece Eça de Queiroz? Hoje apresentamos-lhe sete curiosidades sobre a vida de um dos mais importantes escritores portugueses e ainda o desafiamos a testar os seus conhecimentos sobre os livros que marcaram para sempre a nossa literatura.  

 


 

O seu O Crime do Padre Amaro é considerado o início do realismo em Portugal. Na escola, todos tivemos de ler um dos seus romances – Os Maias ou A Cidade e as Serras. É e será sempre uma das mais importantes figuras da história da literatura portuguesa. Estudámos os seus livros e respondemos a perguntas sobre eles em testes e exames. Mas será que sabe tudo sobre Eça de Queiroz?

 

1. Eça foi registado como filho de "Mãe Incógnita"

Embora não houvesse mistério sobre a identidade da mãe de Eça, quando este nasceu, a 25 de novembro de 1845, os seus pais ainda não eram casados – o que, na altura, constituía motivo de escândalo e vergonha. Assim, foi batizado como "filho natural de José Maria d'Almeida de Teixeira de Queiroz e de Mãe incógnita". Uma teoria comum é a de que a avó materna de Eça não tinha consentido o casamento; tanto que, apenas seis dias após a morte desta, os pais de Eça finalmente casaram, tinha o menino já quase quatro anos – idade até à qual foi mantido escondido. 

 

2. O pai de Eça foi juiz instrutor no processo do grande rival do filho 

José Maria d'Almeida de Teixeira de Queiroz era juiz da Relação e do Supremo Tribunal de Lisboa, além de presidente do Tribunal do Comércio; e foi juiz instrutor no processo de Camilo Castelo Branco, que para sempre ficará na História e que deu origem a Amor de Perdição. Camilo e Eça liam as obras um do outro e criticavam-se mutuamente, em público e em privado, sendo Camilo um escritor do romantismo e Eça um realista interessado em retratar e criticar a sociedade. O permanente desacordo entre ambos fez crescer a polémica e ainda hoje os dois são vistos como verdadeiros rivais. 

 

3. Queiroz assistiu à inauguração do canal do Suez

De outubro de 1869 a janeiro de 1870, Eça fez uma viagem de seis semanas, acompanhado por D. Luís de Castro, irmão de D. Emília de Castro, com quem o escritor viria a casar, em 1886. Queiroz e Castro visitam o Egipto, onde assistem à inauguração do canal do Suez, e a Palestina, experiências que contribuíram para a escrita de O Mistério da Estrada de Sintra e de A Relíquia.

 

Eça de Queiroz e a mulher, D. Emília de Castro (via Fundação Eça de Queiroz)

 

4. Existe uma fotografia de Eça que até hoje permanece um mistério

Esta fotografia, de 1879, retrata Eça de Queiroz, o seu irmão Alberto e uma jovem senhora, da qual até hoje não se conhece o nome, a família ou a origem. Assim, até aos nossos dias esta ficou conhecia como a "Bela Desconhecida".

 

5. Eça participou em sessões de espiritismo

Eça de Queiroz contou a Oliveira Martins, a 17 de julho de 1892, que lhe tinha sido trazida uma mesa de espiritismo por Emídio Navarro, na sequência das sessões que tinham feito em Neuilly e nas quais o escritor tinha participado. 

 

6. Machado de Assis criticou fortemente Eça de Queiroz

Pouco encantado com o realismo de Eça, o escritor romântico Macado de Assis criticou fortemente as edições de O Crime do Padra Amaro e de O Primo Basílio. As críticas, no entanto, juntamente com os artigos de defesa que surgiram em resposta, acabaram por contribuir para que o trabalho de Eça rapidamente se tornasse muito conhecido no Brasil.

 

7. Émile Zola estranhou o quão jovem era Eça 

Em 1885, com 39 ou 40 anos, Eça de Queiroz visitou Émile Zola. Mais tarde, Eça contaria à mulher que, ao vê-lo, Zola exclamou: "É o senhor! Mas é uma criança!". Outro grande nome da literatura francesa que mereceu a visita de Queiroz foi Victor Hugo, em julho de 1889. 

 

 

Conseguimos surpreender com algumas destas curiosidades sobre o criador de Carlos da Maia e Maria Eduarda? Deixamos-lhe agora sete questões que irão colocar à prova o seu conhecimento sobre os livros do autor. As respostas estão mais abaixo, mas não é permitido fazer batota: veja-as só no final! 

 

1. Em que zona de Lisboa fica A Toca?

2. Com quem comete o Padre Amaro o seu crime?

3. N'Os Maias, quem é D. Bonifácio de Calatrava, também conhecido por Reverendo Bonifácio?

4. Em que teatro se conhecem Genoveva e Vítor em A Tragédia da Rua das Flores?

5. Que alcunha foi atribuída a Leopoldina, amiga de Luísa em O Primo Basílio, por ela com frequência cometer adultério?

6. Em que jornal foi inicialmente publicado, como se se tratasse de uma história verdadeira, O Mistério da Estrada de Sintra?

7. Qual foi o último livro de Eça de Queiroz a ser publicado durante a vida do escritor?

 

 

 

Respostas: 

1. Nos Olivais; 2. Com Amélia; 3. É o gato de Afonso da Maia; 4. No Teatro da Trindade; 5. "Pão e Queijo"; 6. No Diário de Notícias; 7. A Ilustre Casa de Ramires

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