O Prémio Nobel da Literatura 2021 vai para... Abdulrazak Gurnah

Por: Marisa Sousa a 2021-10-08

Abdulrazak Gurnah

Abdulrazak Gurnah

PRÉMIO NOBEL DA LITERATURA 2021

Abdulrazak Gurnah nasceu em 1948 e cresceu na ilha de Zanzibar, no Oceano Índico, mas chegou a Inglaterra como refugiado no final da década de 1960. Após a libertação pacífica do domínio colonial britânico em dezembro de 1963, Zanzibar passou por uma revolução que, sob o regime do presidente Abeid Karume, levou à opressão e perseguição de cidadãos de origem árabe; massacres ocorreram. Gurnah pertencia ao grupo étnico atingido e depois de terminar os estudos foi forçado a deixar a sua família e fugir do país, então formado República da Tanzânia. Tinha dezoito anos. Só em 1984 foi possível voltar a Zanzibar, permitindo-lhe ver o seu pai pouco antes da sua morte. Até à recente reforma, Gurnah foi Professor de Inglês e Literaturas Pós-coloniais na Universidade de Kent em Canterbury, com foco principalmente em escritores como Wole Soyinka, Ngugi wa Thiong'o e Salman Rushdie.
Gurnah publicou dez romances e vários contos. O tema da perturbação do refugiado permeia todo o seu trabalho. Começou a escrever aos 21 anos no exílio inglês e, embora o suaíli fosse sua primeira língua, o inglês tornou-se a sua ferramenta literária. Disse que em Zanzibar, o acesso à literatura em suaíli era virtualmente nulo e os seus primeiros escritos não podiam ser considerados estritamente como literatura. Poesia árabe e persa, especialmente "The Arabian Nights", foram uma fonte inicial e significativa. O seu romance "Desertion" (2005) sobre um caso de amor torna-se uma contradição cega ao que o próprio chamou de "romance imperial".
A escrita de Gurnah é do seu tempo no exílio, mas pertence à sua relação com o lugar que ele deixou, o que significa que a memória é de vital importância para a génese da sua obra. O seu romance de estreia, 'Memory of Departure', de 1987, é sobre uma revolta fracassada e mantém-nos no continente africano.
Gurnah permite, frequentemente, que as suas narrativas cuidadosamente construídas levem a um insight conquistado a duras penas. Um bom exemplo é o terceiro romance, 'Dottie' (1990), um retrato de uma mulher negra de origem imigrante crescendo em condições adversas na Inglaterra dos anos 50, racialmente carregada, e por causa do silêncio da sua mãe sem conexão com a sua própria história familiar.
No tratamento que Gurnah dá à experiência do refugiado, o foco está na identidade e na autoimagem, aparente não apenas em "Admiring Silence" (1996) e "By the Sea" (2001). Em ambos os romances na primeira pessoa, o silêncio é apresentado como a estratégia do refugiado para proteger a sua identidade do racismo e do preconceito, mas também como um meio de evitar uma colisão entre o passado e o presente, produzindo deceção e autodeceção desastrosa.
No universo literário de Gurnah, tudo está em constante mudança- memórias, nomes, identidades. Isso provavelmente ocorre porque o seu projeto não pode ser concluído em nenhum sentido definitivo. Uma exploração interminável impulsionada pela paixão intelectual está presente em todos os seus livros, e igualmente proeminente em "Afterlives" (2020).
O seu romance Paradise, foi selecionado para o Booker Prize e o Whitbread Award, e By the Sea, finalista do Los Angeles Times Book Prize.

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“Respect yourself and others will come to respect you.” —  Abdulrazak Gurnah, Paradise

"A dedicação de Gurnah à verdade e sua aversão à simplificação são impressionantes." —  Academia Sueca


As apostas eram favoráveis à escritora francesa Annie Ernaux, ao queniano Ngugi wa Thiong’o, ao japonês Haruki Murakami e à canadiana Margaret Atwood. Mia Couto perfilava-se, também, como um provável vencedor. O anúncio apanhou muitos de surpresa: o Prémio Nobel da Literatura 2021 foi atribuído a Abdulrazak Gurnah, pela sua capacidade de "penetrar de forma intransigente, mas compassiva, nos efeitos do colonialismo e nos destinos de refugiados". É o primeiro negro africano a receber o prémio desde que Wole Soyinka entrou para a história, em 1986.

Abdulrazak Gurnah, que sucede a Louise Glück (Prémio Nobel da Literatura 2020), tem 73 anos, nasceu na Tanzânia e vive no Reino Unido, desde 1960, com o estatuto de refugiado. Deixou o seu país aos 18 anos, com a sua família, em consequência da forte agitação política vivida em Zanzibar e na Tanzânia, durante a década 1960, que motivou a perseguição de diversos grupos étnicos.

Foi professor de Literatura Inglesa e Literatura Pós-Colonial, na Universidade de Kent, e é autor de dez livros. Os seus romances são geralmente descritos como movimentos de “afastamento de descrições estereotipadas”, que “despertam o nosso olhar para uma África Oriental culturalmente diversificada e desconhecida de muitos leitores de outras partes do mundo”. Neste momento, apenas uma dessas obras, By the sea – que chegou a integrar a lista de candidatos ao Prémio Booker, em 2001, está traduzida para português: Junto ao Mar (Difel, 2003).

O Nobel da Literatura, atribuído desde 1901 pela Academia Sueca, tem um valor pecuniário de aproximadamente 950 mil euros, e distingue autores que contribuem, de forma excecional, para a produção literária.

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