Nada Será como Dante | A literatura em voz alta

Por: Marisa Sousa a 2020-08-10

Filipa Leal

Filipa Leal

Filipa Leal nasceu no Porto em 1979. Tem 11 livros publicados (desde 2003), entre os quais A Cidade Líquida e O Problema de Ser Norte (ed. Deriva), ou os mais recentes Vem à Quinta-feira e Fósforos e Metal sobre Imitação de Ser Humano (ed. Assírio & Alvim), ambos finalistas do Prémio Correntes d’Escritas e semifinalistas do Prémio Oceanos. Está editada em Espanha (La Ciudad Líquida, ed. Sequitur, Madrid, 2010); na Colômbia (En los días tristes no se habla de aves, ed. Tragaluz, Medellín, 2016); e em França (La Ville Oubliée, ed. Cahiers de l’Approche, Angoulême, 2021). Formada em Jornalismo pela Universidade de Westminter (Londres), é Mestre em Estudos Portugueses e Brasileiros pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Está representada em várias antologias em Portugal e no estrangeiro (Venezuela, Bulgária, Holanda, Eslovénia ou Grécia). Em 2010, teve um dos seus poemas exposto no Metro de Varsóvia, na iniciativa «Poems on the Underground». Em 2012 e 2014, representou Portugal em encontros literários na Alemanha – no Festival de Poesia de Berlim 2012 e na Conferência dos Escritores Europeus 2014/Long Night of European Literature, no âmbito da qual fez uma leitura dos seus poemas no Deutsches Theater. Em 2016, o seu poema «Hoje, também os carros dançam» integrou uma instalação sonora europeia na British Library, em Londres. Em 2021, a compositora colombiana Mónica Giraldo adaptou um poema seu («Digo-te por Isso»/«Te Digo por Eso»), que interpreta no álbum Hubo um Tiempo. No mesmo ano, Filipa Leal atreveu-se nas primeiras letras de canções: «Mudar de Canção», a convite da banda The Happy Mess, já lançada no disco Jardim da Parada; e «Ferida», adaptação livre de «Fever» (imortalizada por Peggy Lee), a convite de Mafalda Veiga para o seu novo concerto SOLO. Poeta, jornalista e argumentista (destaque para o guião do filme Jogo de Damas, com a realizadora Patrícia Sequeira – Prémio de Melhor Guião nos Festivais de Cinema do Chipre e de Copenhaga), apresenta atualmente, com Pedro Lamares, o programa de literatura Nada Será Como Dante na RTP2.

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“Isto podia ser um talk show, mas tinha muito menos imaginação.” Teresa Paixão, diretora da RTP2, não queria um programa sobre livros; queria um programa de leitura, de texto, queria que se lesse na televisão: “Era a única coisa que eu queria — era que se ouvisse ler, que se visse gente a ler.” O título, sugestão da Filipa Leal (que conduz o programa, juntamente com Pedro Lamares), veio marcar a diferença em relação ao seu antecessor, o Literatura Aqui (vencedor do Prémio para Melhor Programa de Entretenimento, atribuído pela SPA, em 2017). Às terças-feiras à noite, a literatura anda à solta na RTP2, nas bocas de quem a sabe de cor. Porque Nada Será Como Dante


“A ideia não é, necessariamente, informar, nem estarmos colados à atualidade e às novidades — para isso, há outros programas. A ideia é divulgar a literatura, partindo do interior do livro, da obra. Ou seja: lendo-o em voz alta”, explica Filipa Leal. O objetivo último é despertar o interesse dos espetadores e levá-los a querer saber mais. O programa, que está no ar desde setembro de 2019, está dividido em três partes, como na Divina Comédia, de Dante: Inferno, Purgatório e Paraíso (não necessariamente por esta ordem). A partir daqui, foram criadas diversas rubricas inéditas: Livros Não Editados em Portugal (com seleção e tradução do poeta Vasco Gato); Literatura em Viagem; As Palavras que Mudaram o Mundo, entre outras. No Purgatório, há sempre um frente a frente entre dois criadores e pensadores, num diálogo sem interferência dos jornalistas. “Pretende-se um programa dinâmico e aberto a todos, não apenas a alguns já amantes de literatura. Estamos conscientes de que nada será, efetivamente, como Dante, Camões, Shakespeare ou Cervantes. Mas de que devemos continuar”, assegura Filipa. E nem a pandemia parou a literatura. Filipa esclarece que a equipa continuou a gravar o programa, com todos os cuidados, apesar das dificuldades: “Remetendo para o grande José Mário Branco, homenageado num dos episódios: a literatura não meteu 'o barco ao mar para ficar pelo caminho'”.

 

 

Apesar de ser de palavras que falamos, é inevitável falar em números. Teresa Paixão, que em 2018 confessava que tinham "esta coisa maravilhosa no ar e pouca gente quer ver.” (Público), referindo-se à RTP2, assume que as audiências ainda a “frustram imenso", mas ainda assim, o balanço tem sido positivo. Na RTP há trinta e quatro anos, e já com muitos programas no currículo, confessa: “Vi muitas equipas facilitarem, fartarem-se e começarem a fazer as coisas com indiferença, (…) aqui ocorre o inverso, de cada vez que me sento a ver em casa, vejo coisas mais bem feitas, mais interessantes, mais suaves, mais assertivas.”

 

"Estamos conscientes de que nada será, efetivamente, como Dante, Camões, Shakespeare ou Cervantes. Mas que devemos continuar.”  – Filipa Leal

 

“No mundo da televisão, fazer este programa é andar pelo paraíso (ainda para mais com a vantagem de poder incluir nele o Inferno e o Purgatório).” É desta forma que a coordenadora editorial do programa, Marisa Feio (da produtora Até ao Fim do Mundo), descreve o projeto. Destaca aquela que considera ser uma das maiores novidades do formato, quando comparado com o seu antecessor (Literatura Aqui), e que demonstra a inexistência de fronteiras na literatura: a rubrica Livros Não Editados em Portugal, que dá a conhecer textos de autores estrangeiros, escolhidos e traduzidos pelo poeta Vasco Gato, exclusivamente para o programa. Confessa que, graças ao programa, tem conhecido um “largo mundo de textos, de novos sentidos e entendimentos” e que, por diversas vezes, adormeceu com as palavras a desarrumarem-na por dentro.

 

 

O programa Nada Será Como Dante é emitido à terça-feira, às 23:00h, na RTP2. Depois da pausa durante os meses de julho e agosto, a terceira série começará a ser emitida a partir do dia 15 de setembro. Todos os episódios do programa estão disponíveis para visualização na RTP PLAY.

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