Sendo duas das maiores figuras da literatura e da filosofia francesa do século XX, é natural que os caminhos de Albert Camus e
Jean-Paul Sartre
se tenham cruzado. Embora só se tenham tornado próximos depois da Segunda Guerra Mundial, os dois partilhavam, desde o início, várias semelhanças que levavam a uma comparação incessante entre ambos. Para além de serem os dois romancistas, ensaístas e filósofos, publicavam com a mesma editora e foram ambos reconhecidos com o Prémio Nobel da Literatura (Albert Camus em 1957 e Sartre em 1964). Embora Sartre o tenha rejeitado, sentiu-se na obrigação de justificar que a razão que o levou a fazê-lo não se prendeu com o facto de o seu
adversário
, Camus, o ter recebido antes de si.
As suas diferenças começam, desde logo, no contexto social em que cada um cresceu: Camus cresceu na pobreza nos bairros operários da Argélia, enquanto Sartre pertencia à alta sociedade francesa. Para além disso, diz-se que Sartre se ressentia pela aparência charmosa de Camus, que atraía muita atenção feminina. A um nível mais intelectual, o debate Camus-Sartre prendia-se com as opiniões, frequentemente opostas, que cada um deles partilhava nos jornais que dirigiam (o
Combat
, de Camus, e o
Les Temps Modernes
, de Sartre). Embora Camus fosse 7 anos mais novo, morreu 20 anos antes de Sartre.