Uma pequena história do livro de bolso – em 3 curiosidades

Por: Beatriz Sertório a 2026-01-26

Sabia que os livros de bolso foram uma arma fundamental durante a Segunda Guerra Mundial? Ou que a sua invenção deu início a uma revolução cultural?

Para Jean Giono (1895-1970), autor de O Homem que plantava árvores, o livro de bolso era nem mais nem menos do que o mais “poderoso instrumento de cultura da civilização moderna”. Filho de um sapateiro e de uma lavadeira, o escritor francês fazia, afinal, parte da camada da sociedade para quem a leitura apenas se tornou acessível com a invenção da imprensa e de edições mais económicas, como as de bolso. A sua portabilidade, preço e grandes tiragens levaram a uma verdadeira democratização da leitura, deixando de ser um privilégio quase exclusivo dos membros do clero e dos ricos.

Descubra um pouco da História e origens do livro de bolso em três curiosidades.

Uma invenção do século XV

Com a invenção da imprensa por Johannes Gutenberg, a cultura escrita deixou de estar restrita aos mosteiros e universidades, alcançando um público de leitores cada vez mais amplo. Essa nova realidade trouxe consigo a necessidade de livros mais práticos e acessíveis, um desafio que foi brilhantemente solucionado por Aldo Manuzio. Estabelecido em Veneza no final da década de 1480, introduziu o formato in-octavo, uma técnica que consistia em imprimir 16 páginas por folha, dobradas três vezes, resultando em pequenos livros fáceis de manusear e de transportar.

Além disso, adotou ainda um formato de letra, desenvolvido pelo gravador Francesco Griffo, que permitia mais caracteres por página, e que ficaria conhecido até aos dias de hoje como “itálico”. Tendo publicado várias obras de autores clássicos como Platão, Xenofonte, Esopo, Horácio, Virgílio e muitos outros, as edições de Manuzio rapidamente conquistaram o público, especialmente os mercadores para quem estes livros se tornaram os companheiros de viagem ideais.

O boom dos livros de bolso

Embora o formato tenha nascido no Renascimento, os livros de bolso tornaram-se verdadeiramente populares no século XX. Em 1935, editora britânica Penguin Books, fundada por Allen Lane, revolucionou o mercado editorial ao lançar a sua primeira linha de paperbacks, com o objetivo de tornar livros de qualidade acessíveis ao público em geral. A inspiração surgiu enquanto Lane esperava por um comboio e percebeu que havia poucas opções de leitura baratas e portáteis disponíveis para viajantes. Apercebendo-se dessa necessidade, lançou a primeira coleção de Penguin Paperbacks a um preço equivalente ao custo de um maço de cigarros na altura, o que tornou os livros incrivelmente populares, especialmente entre as classes trabalhadoras.

O livro (de bolso) é uma arma

Quando os soldados norte-americanos lutaram nos campos de batalha da Segunda Guerra Mundial,  não transportavam apenas armas de fogo mas também as armas mais perigosas de todas: as dos livros e das ideias. Em 1943, nasceram as Armed Services Editions, uma coleção de livros de bolso, criada especialmente para os militares. Em apenas quatro anos, cerca de 120 milhões de exemplares foram impressos e distribuídos nos cenários mais remotos, desde as praias da Normandia até aos campos de prisioneiros de guerra e ilhas do Pacífico. Mais do que uma forma de passar o tempo, estes livros serviam como lembrete constante dos ideais pela qual os soldados lutavam. Enquanto os nazis queimavam livros, do lado oposto da batalha, eram exibidos como um símbolo de resistência, liberdade e democracia, no combate contra a tirania.


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