Um golpe de estado em 248 páginas

Por: Bertrand Livreiros a 2024-02-20

10%

O General que Começou o 25 de Abril Dois Meses antes dos Capitães
18,80€
10% CARTÃO LEITOR BERTRAND
PORTES GRÁTIS

10%

As Crises e os Homens
10,00€
10% CARTÃO LEITOR BERTRAND
PORTES GRÁTIS

10%

A Selva
19,45€
10% CARTÃO LEITOR BERTRAND
PORTES GRÁTIS

Há livros que são armas, tijolos que quebram muros, "machados que quebram o mar gelado em nós" (Franz Kafka), um “tiro de pistola entre a multidão” (André Breton). Portugal e o Futuro de António de Spínola foi um desses livros. Publicado dois meses antes da Revolução sem sangue que mudou para sempre o nosso país, o livro do então militar acabou por ser a arma, a “pedrada no charco”, o “rastilho” (António Valdemar) que colocou em movimento as engrenagens da mudança. Agora, no 50º aniversário da Revolução e da publicação do livro que lhe deu início, João Céu e Silva traça aquilo que descreve como “a biografia de um livro” com O General que Começou o 25 de Abril Dois Meses antes dos Capitães (Contraponto).

Tudo começou quando Spínola tomou contacto com As Crises e os Homens (1971), de Franco Nogueira, um livro que leu como uma provocação a que teria de responder. Sendo alguém que conhecia de perto a situação que se vivia nas colónias na altura
 um dos principais pontos que o diplomata tocava no livro , por ter combatido na Guerra Colonial em Angola e ter desempenhado funções como governador da Guiné, começou a preparar a resposta que considerava adequada; na altura, inicialmente com o título Dúvidas e Certezas. Subsídios para o Equacionamento do Problema Nacional. Entre esta resolução e o dia do lançamento do livro, a 22 de fevereiro de 1974, houve peripécias para escapar à censura da PIDE, um encontro caricato de Spínola com Natália Correia no qual a escritora foi incumbida de o seduzir e convencê-lo a assinar pela editora Arcádia, e um encontro histórico entre o  jornalista António Valdemar e o editor Paradela de Abreu que ao entregar-lhe um exemplar de Portugal e o Futuro afirmou, convicto: “Você tem aqui dentro a revolução”.

São esses e outros episódios que antecederam o lançamento de Portugal e o Futuro que João Céu e Silva, vencedor do Prémio Literário Alves Redol pelo romance A Sereia Muçulmana e autor de inúmeros títulos de investigação histórica, relata em O General que Começou o 25 de Abril Dois Meses antes dos Capitães. O que se seguiu foi, segundo o autor, como fogo a arder em mato seco. Em menos de um mês, estavam esgotados cem mil exemplares, tantos quanto vendera um dos livros de maior sucesso dos último cinquenta anos em Portugal, A Selva, de Ferreira de Castro; no total, 230 mil portugueses correram às livrarias para conseguir um exemplar. Com apenas 248 páginas e, em particular, seis palavras que ficaram para a História: “A vitória exclusivamente militar é inviável”, Spínola incendiou um país que percebia agora que o Regime estava preso por um fio. 

João Céu e Silva pinta um retrato do país antes, durante e depois da publicação de Portugal e o Futuro. Marcello Caetano, percebendo de imediato o perigo do livro, pediu demissão ao Presidente da República, mas foi recebido com outra frase que ficou igualmente para a História: “ninguém sai. Se (o barco) for ao fundo, vai tudo, vamos todos.” Para vários intervenientes que ofereceram o seu testemunho a Céu e Silva, a publicação da obra de Spínola foi como um 25 de Abril antes do 25 de Abril. Dois meses depois, o barco foi finalmente ao fundo, o regime caiu e o general foi nomeado presidente da Junta de Salvação Nacional.

A História, contudo, não foi favorável a António de Spínola; foi declarado Inimigo da Revolução pela sua ligação à tentativa de golpe de 11 março de 1975, e a sua autoria de Portugal e o Futuro chegou mesmo a ser questionada. No entanto, no final, importa menos quem escreveu de facto estas palavras do que quem as assumiu como suas e as usou como arma de arremesso contra 48 anos de ditadura. Nas palavras do jornalista João Paulo Guerra, cujo testemunho também figura em O General que Começou o 25 de Abril Dois Meses antes dos Capitães: “[Spínola] escolheu a arma certa para deitar abaixo um regime que tanto reprimira o pensamento, os livros e a leitura: arremessou-lhe um livro.” Depois de lido por 230 mil portugueses, ainda que fosse banido, censurado ou até queimado, já nada havia a fazer. A revolução dos leitores era inevitável. 

X
O QUE É O CHECKOUT EXPRESSO?

O ‘Checkout Expresso’ utiliza os seus dados habituais (morada e/ou forma de envio, meio de pagamento e dados de faturação) para que a sua compra seja muito mais rápida. Assim, não tem de os indicar de cada vez que fizer uma compra. Em qualquer altura, pode atualizar estes dados na sua ‘Área de Cliente’.

Para que lhe sobre mais tempo para as suas leituras.