Duas leituras para recordar abril

Por: Bertrand Livreiros a 2020-04-24 // Coordenação Editorial: Marisa Sousa

Ana Cristina Silva

Ana Cristina Silva

Ana Cristina Silva nasceu em Lisboa e é professora universitária no ISPA – Instituto Universitário de Ciências Psicológicas, Sociais e da Vida na área de Aquisições Precoces da Linguagem Escrita, Ortografia e Produção Textual. Autora de 16 romances e de um livro de contos, foi três vezes finalista do Prémio Literário Fernando Namora (2011, 2012 e 2013), que venceu em 2017 com o romance A Noite Não é Eterna. Recebeu também o Prémio Literário Urbano Tavares Rodrigues pelo romance O Rei do Monte Brasil, em 2012.
Depois de Bela, biografia ficcionada de Florbela Espanca, e de À Procura da Manhã Clara, retrato ficcional de Annie Silva Pais, filha do último diretor da PIDE, publica agora El-Rei, Nosso Senhor, Sebastião José, o seu terceiro romance com chancela Bertrand Editora.

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Alice Brito

Alice Brito

Alice Brito é advogada, defensora da causa feminista e cronista em periódicos on-line . Tem artigos publicados em revistas e participações com outros autores em alguns livros. Nasceu em Setúbal, cidade em que vive desde sempre, e onde se passam os seus romances. Em 2012 publicou o seu primeiro livro As Mulheres da Fonte Nova. O dia em que Estaline encontrou Picasso na biblioteca viu a luz do dia em 2015.

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A Noite Passada
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As Longas Noites de Caxias
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Miguel de Cervantes escreveu que "a liberdade é um dos dons mais preciosos que o céu deu aos homens. Nada a iguala, nem os tesouros que a terra encerra no seu seio, nem os que o mar guarda nos seus abismos. Pela liberdade, tanto quanto pela honra, pode e deve aventurar-se a nossa vida." Foi precisamente isso que os Capitães de abril, bem como todos os escritores e artistas que se atreveram a contestar os ideais do Estado Novo, fizeram: arriscar as suas vidas pela liberdade de todos. Por essa razão, ainda hoje se escrevem livros em homenagem a estes cujo sacrifício não pode ser esquecido. Alice Brito e Ana Cristina Silva são duas autoras que contribuíram para manter viva a memória de abril. 


Desafiámos os autores a partilharem connosco algumas leituras, levando até aos leitores o poder terapêutico da literatura. Alice Brito e Ana Cristina Silva responderam ao nosso convite, lendo excertos dos livros A noite passada e As longas noites de Caxias, respetivamente. 

 

A noite passada, de Alice Brito

Alice Brito é advogada, defensora da causa feminista e cronista em periódicos on-line. Em 2012, publicou o seu primeiro livro, As Mulheres da Fonte Nova, tendo sido seguido de O dia em que Estaline encontrou Picasso na bibliotecaem 2015.

A noite passada, cujo título remete para uma canção do cantautor Sérgio Godinho, é o seu romance mais recente. Publicado em 2019, é uma história de amor poderosa num Portugal que ansiava pela liberdade. Com a cidade de Lisboa como ponto de partida, a autora conta-nos a história de uma jovem, Amélia, de famílias respeitáveis, que põe o futuro e a honra a perder quando se deita com um agente da PIDE de modos delicados e linguagem sedutora, mas capaz das maiores crueldades. Fazendo lembrar a aclamada série da RTP, Conta-me como Foi, este é um romance cheio de histórias de heróis e vilões anónimos, preconceitos e modas arrojadas, e o grande sonho da liberdade.

 

Por aqueles dias já a revolução andava por ali, lá isso, andava. Trepava pelas calças das raparigas que tinham prescindido da saia, mostrava-se nos cigarros que elas levavam aos lábios mais ou menos em gesto de provocação e em sinal de modernidade, escutava-se nas canções do Zeca cantadas num uníssono quase feroz e comovido, nos cabelos dos rapazes, excepto dos que iam para a tropa e eram tosquiados que nem ovelhas.

 

 

As longas noites de Caxias, de Ana Cristina Silva

Ana Cristina Silva é docente universitária no ISPA-IU, e doutorada em Psicologia da Educação. Até ao momento, escreveu dez romances, tendo sido a vencedora do Prémio Fernando Namora por A Noite não É Eterna, em 2017.

Publicado em 2019, As longas noites de Caxias é um romance poderoso e emocionante de duas mulheres que viveram intensamente a ditadura. Leninha, a mais temida e poderosa figura feminina da polícia política portuguesa: a PIDE; e Laura, uma das vítimas que mais sofreu às mãos da terrível agente. Baseado na vida da mulher que chegou mais alto na hierarquia da PIDE, este oferece um acesso exclusivo às medidas de vigilância e tortura praticadas pela PIDE, a partir da história de uma mulher ainda hoje desconhecida para a maioria dos portugueses.

 

A vigilância praticada pelos agentes da PIDE era um serviço de Estado Português. O seu propósito secreto era o de que as pessoas deixassem de ter pensamentos para se transformarem numa frágil teia de espírito permeável ao terror.

 

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