Histórias de amor dos nossos escritores favoritos

Por: Sónia Rodrigues Pinto a 2021-02-08 // Coordenação Editorial: Marisa Sousa

Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

Um dos maiores génios poéticos de toda a nossa Literatura e um dos poucos escritores portugueses mundialmente conhecidos. A sua poesia acabou por ser decisiva na evolução de toda a produção poética portuguesa do século XX. Se nele é ainda notória a herança simbolista, Pessoa foi mais longe, não só quanto à criação (e invenção) de novas tentativas artísticas e literárias, mas também no que respeita ao esforço de teorização e de crítica literária. É um poeta universal, na medida em que nos foi dando, mesmo com contradições, uma visão simultaneamente múltipla e unitária da Vida. É precisamente nesta tentativa de olhar o mundo duma forma múltipla (com um forte substrato de filosofia racionalista e mesmo de influência oriental) que reside uma explicação plausível para ter criado os célebres heterónimos - Alberto Caeiro, Álvaro de Campos e Ricardo Reis, sem contarmos ainda com o semi-heterónimo Bernardo Soares.
Fernando Pessoa nasceu em Lisboa em 1888 (onde virá a falecer) e aos 7 anos partiu para a África do Sul com a sua mãe e o padrasto, que foi cônsul em Durban. Aqui fez os estudos secundários, obtendo resultados brilhantes. Em fins de 1903 faz o exame de admissão à Universidade do Cabo. Com esta idade (15 anos) é já surpreendente a variedade das suas leituras literárias e filosóficas. Em 1905 regressa definitivamente a Portugal; no ano seguinte matricula-se, em Lisboa, no Curso Superior de Letras, mas abandona-o em 1907. Decide depois trabalhar como "correspondente estrangeiro". Em 1912 estreia-se na revista A Águia com artigos de natureza ensaística. 1914 é o ano da criação dos três conhecidos heterónimos e em 1915 lança, com Mário de Sá-Carneiro, José de Almada-Negreiros e outros, a revista "Orpheu", que dá origem ao Modernismo. Entre a fundação de algumas revistas, a colaboração poética noutras, a publicação de alguns opúsculos e o discreto convívio com amigos, divide-se a vida pública e literária deste poeta.
Pessoa marcou profundamente o movimento modernista português, quer pela produção teórica em torno do sensacionismo, quer pelo arrojo vanguardista de algumas das suas poesias, quer ainda pela animação que imprimiu à revista "Orpheu" (1915). No entanto, quase toda a sua vida decorreu no anonimato. Quando morreu, em 1935, publicara apenas um livro em português, "Mensagem" (no qual exprime poeticamente a sua visão mítica e nacionalista de Portugal), e deixou a sua famosa arca recheada de milhares de textos inéditos. A editora Ática começou a publicar a sua obra poética em 1942. No entanto, já o grupo da "Presença" tinha iniciado a sua reabilitação (poética e filosófica) face ao público e à crítica. © 2003 Porto Editora, Lda.

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Jorge Amado

Jorge Amado

Jorge Amado nasceu em Pirangi, Baía, em 1912 e faleceu a 6 de agosto de 2001. Viveu uma adolescência agitada, primeiro, na Baía, no início dos seus estudos, depois no Rio de Janeiro, onde se formou em Direito e começou a dedicar-se ao jornalismo. Em 1935 já se tinha estreado como romancista com O País do Carnaval (1931), Cacau (1933), Suor (1934), seguindo-se Terras do Sem Fim (1943) e S. Jorge dos Ilhéus (1944). Politicamente de esquerda, foi obrigado a emigrar, passando por Buenos Aires, onde escreveu O Cavaleiro da Esperança (1942), biografia de Carlos Prestes, depois pela França, pela União Soviética... regressando entretanto ao Brasil depois de ter estado na Ásia e no Médio Oriente. Em 1951 recebeu o Prémio Estaline, com a designação de "Prémio Internacional da Paz". Os problemas sociais orientam a sua obra, mas o seu talento de escritor afirma-se numa linguagem rica de elementos populares e folclóricos e de grande conteúdo humano, o que vai superar a vertente política. A sua obra tem toques de picaresco, sem perder a essência crítica e a poética. Além das já citadas, referimos, na sua vasta produção: Jubiabá (1935), Mar Morto (1936), Capitães da Areia (1937), Seara Vermelha (1946), Os Subterrâneos da Liberdade (1952). Mas é com Gabriela, Cravo e Canela (1958), Os Velhos Marinheiros (1961), Os Pastores da Noite (1964) e Dona Flor e os Seus Dois Maridos (1966) em que o romancista põe de parte a faceta politizante inicial e se volta para temas como a infância, a música, o misticismo popular, a turbulência popular e a vagabundagem, numa linguagem de sabor poético, humorista, renovada com recursos da tradição clássica ligados aos processos da novela picaresca. O seu sentimento humano e o amor à terra natal inspiram textos onde é evidente a beleza da paisagem, a tradição cultural e popular, os problemas humanos e sociais - uma infância abandonada e culpada de delitos, o cais com as suas misérias, a vida difícil do negro da cidade, a seca, o cangaço, o trabalhador explorado da cidade e do campo, o "coronelismo" feudal latifundiário perpassam significativamente na obra deste romancista dos maiores do Brasil e dos mais conhecidos no mundo. Fecundo contador de histórias regionais, Jorge Amado definiu-se, um dia, "apenas um baiano romântico, contador de histórias". "Definição justa, pois resume o carácter do romancista voltado para exemplos de atitudes vitais: românticas e sensuais... a que, uma vez por outra, empresta matizes políticos...", como diz Alfredo Bosi em História Concisa da Literatura Brasileira. Foi-lhe atribuído o Prémio Camões em 1994.

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Jorge de Sena

Jorge de Sena

Jorge de Sena nasceu em Lisboa a 2 de novembro de 1919 e morreu em Santa Bárbara, na Califórnia, a 4 de junho de 1978. Licenciado em Engenharia Civil pela Faculdade de Engenharia do Porto, parte para o exílio no Brasil em 1959 e aí doutora-se em Letras e torna-se regente das cadeiras de Teoria da Literatura e de Literatura Portuguesa. Muda-se para os Estados Unidos da América em 1965, lecionando na Universidade de Wisconsin e, anos depois, na Universidade da Califórnia. Poeta, ficcionista, dramaturgo, ensaísta e tradutor, é considerado um dos mais relevantes escritores de língua portuguesa do século XX, autor de títulos como Metamorfoses (1963), Os Grão-Capitães (1976), O Físico Prodigioso (1977) e Sinais de Fogo (1979), este último considerado a sua obra-prima.

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Agustina Bessa-Luís

Agustina Bessa-Luís

Agustina Bessa-Luís nasceu em Vila Meã, Amarante, a 15 de outubro de 1922. A sua infância e adolescência são passadas nesta região, cuja ambiência marcará fortemente a obra da escritora. Estreou-se como romancista em 1948, com a novela Mundo Fechado, tendo desde então mantido um ritmo de publicação pouco usual nas letras portuguesas, contando com mais de meia centena de obras.
Representou as letras portuguesas em numerosos colóquios e encontros internacionais e realizou conferências em universidades um pouco por todo o mundo.
Foi membro do conselho diretivo da Comunitá Europea degli Scrittori (Roma, 1961-1962).
Entre 1986 e 1987 foi diretora do diário O Primeiro de Janeiro (Porto). Entre 1990 e 1993 assumiu a direção do Teatro Nacional de D. Maria II (Lisboa) e foi membro da Alta Autoridade para a Comunicação Social.
Foi membro da Academie Européenne des Sciences, des Arts et des Lettres (Paris), da Academia Brasileira de Letras e da Academia das Ciências de Lisboa, tendo sido distinguida com a Ordem de Sant'Iago da Espada (1980), a Medalha de Honra da Cidade do Porto (1988) e o grau de "Officier de l'Ordre des Arts et des Lettres", atribuído pelo governo francês (1989).
É em 1954, com o romance A Sibila, que Agustina Bessa-Luís se impõe como uma das vozes mais importantes da ficção portuguesa contemporânea. Conjugando influências pós-simbolistas de autores como Raul Brandão na construção de uma linguagem narrativa onde o intuitivo, o simbólico e uma certa sabedoria telúrica e ancestral, transmitida numa escrita de características aforísticas, se conjugam com referências de autores franceses como Proust e Bergson, nomeadamente no que diz respeito à estruturação espácio-temporal da obra, Agustina é senhora de um estilo absolutamente único, paradoxal e enigmático.
Vários dos seus romances foram já adaptados ao cinema pelo realizador Manoel de Oliveira, de quem foi amiga e com quem trabalhou de perto. Estão neste caso Fanny Owen ("Francisca"), Vale Abraão e As Terras do Risco ("O Convento"), para além de "Party", cujos diálogos foram igualmente escritos pela escritora. É também autora de peças de teatro e guiões para televisão, tendo o seu romance As Fúrias sido adaptado para teatro e encenado por Filipe La Féria (Teatro Nacional D. Maria II, 1995).
Em Maio de 2002 Agustina Bessa-Luís é pela segunda vez contemplada com o Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores (APE), relativo a 2001, com a obra "O Princípio da Incerteza - Jóia de Família", obra que Manoel de Oliveira adaptou ao cinema com o título "O Princípio da Incerteza", e que foi exibido dias antes da atribuição deste prémio, no Festival de Cannes.
Agustina Bessa-Luís foi distinguida com os prémios Vergílio Ferreira 2004, atribuído pela Universidade de Évora, pela sua carreira como ficcionista, e o Prémio Camões 2004, o mais alto galardão das letras em português.
Morreu dia 3 de junho de 2019, com 96 anos.

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José Saramago

José Saramago

Prémio Nobel de Literatura, 1998

Autor de mais de 40 títulos, José Saramago nasceu em 1922, na aldeia de Azinhaga.
As noites passadas na biblioteca pública do Palácio Galveias, em Lisboa, foram fundamentais para a sua formação. «E foi aí, sem ajudas nem conselhos, apenas guiado pela curiosidade e pela vontade de aprender, que o meu gosto pela leitura se desenvolveu e apurou.»
Em 1947 publicou o seu primeiro livro que intitulou A Viúva, mas que, por razões editoriais, viria a sair com o título de Terra do Pecado. Seis anos depois, em 1953, terminaria o romance Claraboia, publicado apenas após a sua morte.
No final dos anos 50 tornou-se responsável pela produção na Editorial Estúdios Cor, função que conjugaria com a de tradutor, a partir de 1955, e de crítico literário.
Regressa à escrita em 1966 com Os Poemas Possíveis.
Em 1971 assumiu funções de editorialista no Diário de Lisboa e em abril de 1975 é nomeado diretor-adjunto do Diário de Notícias.
No princípio de 1976 instala-se no Lavre para documentar o seu projeto de escrever sobre os camponeses sem terra. Assim nasceu o romance Levantado do Chão e o modo de narrar que caracteriza a sua ficção novelesca. Até 2010, ano da sua morte, a 18 de junho, em Lanzarote, José Saramago construiu uma obra incontornável na literatura portuguesa e universal, com títulos que vão de Memorial do Convento a Caim, passando por O Ano da Morte de Ricardo Reis, O Evangelho segundo Jesus Cristo, Ensaio sobre a Cegueira, Todos os Nomes ou A Viagem do Elefante, obras traduzidas em todo o mundo.
No ano de 2007 foi criada em Lisboa uma Fundação com o seu nome, que trabalha pela difusão da literatura, pela defesa dos direitos humanos e do meio ambiente, tomando como documento orientador a Declaração Universal dos Direitos Humanos. Desde 2012 a Fundação José Saramago tem a sua sede na Casa dos Bicos, em Lisboa.
José Saramago recebeu o Prémio Camões em 1995 e o Prémio Nobel de Literatura em 1998.

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“Todas as cartas de amor são / Ridículas. / Não seriam cartas de amor se não fossem / Ridículas.” Assim escreveu Fernando Pessoa sobre esse disparate que é o amor, sem nunca deixar de entregar o seu coração aos versos que publicava. Ao pesquisarmos no Google por “poemas de amor”, obtemos mais de 56 milhões de resultados. Milhões de cartas ridículas, procurando descrever um sentimento mais antigo do que o tempo. 

Ninguém escreve melhor sobre amor do que os poetas e escritores que a ele se entregaram. Por essa razão, relembramos as histórias de amor dos nossos escritores favoritos, imortalizadas em papel. 

 


 

Fernando Pessoa em "Flagrante Delitro"

Com a ajuda do sobrinho Carlos Queiroz, também amigo de Fernando Pessoa, Ofélia recebeu uma fotografia do poeta com a dedicatória popular “Fernando Pessoa em flagrante delitro”.

 

Fernando Pessoa e Ofélia Queiroz

A história de amor que unia o poeta Fernando Pessoa a Ofélia Queiroz é, provavelmente, das mais conhecidas na cultura portuguesa. O poeta português tinha 31 anos quando conheceu a jovem de 19, num escritório na Baixa de Lisboa, onde ambos trabalhavam. O primeiro beijo foi dado entre versos de William Shakespeare, relembrando a personagem Ophelia, de Hamlet

A relação entre ambos durou dois anos, em duas fases separadas: de 1919 a 1920 e, depois, de 1929 a 1930. Das duas vezes, foi Fernando Pessoa quem terminou o namoro, assumindo o seu papel enquanto escritor e admitindo que não podia (ou não queria) casar. Ofélia é considerada, por académicos e especialistas, o grande amor da vida de Pessoa, mesmo que tenha sido uma relação sem um final feliz. Para trás, ficaram as centenas de cartas trocadas entre ambos, os poemas dedicados ao seu “botão de rosa menina”, a sua querida Ofélia, como é possível testemunhar em Cartas de Amor de Fernando Pessoa e Ofélia Queiroz.

 

José Saramago e Pilar del Río

Lanzarote, 2007. Fotografia tirada por Javier Salas

 

José Saramago e Pilar del Río

“Eu tenho ideias para romances e ela tem ideias para a vida, e eu não sei o que é mais importante.” José Saramago e Pilar del Río começaram a sua história de amor nos anos de 1980, permanecendo juntos até à morte do autor, em 2010. A cumplicidade entre Pilar e Saramago manteve-se até mesmo depois de este partir, refletindo-se no trabalho da jornalista espanhola, enquanto presidente da Fundação José Saramago.

Um amor que virou documentário, em 2010, pelas mãos do realizador Miguel Gonçalves Mendes, e que ficaria perpetuado nas paredes de Lisboa, no mural pintado pelos writers Nark, Ayer, Nomen e Pariz (mesmo depois de demolido, para dar lugar a um parque de estacionamento). Um amor que não saberia ser outra coisa, nas palavras de Saramago: “Se eu tivesse morrido antes de conhecer a Pilar, tinha morrido muito mais velho do que aquilo que sou agora com 86 anos.” 

 

Jorge e Mécia de Sena

Jorge de Sena e Mécia de Sena em Londres, via Instagram de Dan Sena.

Jorge de Sena e Mécia de Sena

Mécia casou-se com Jorge de Sena ainda em Portugal. Começaram a namorar em 1944 e casaram-se em 1949, quando o autor português era ainda engenheiro civil. Mécia e Jorge partiram para o exílio no Brasil, aquando a ditadura do Estado Novo, e de novo partiram para os Estados Unidos da América, onde acabaram por se fixar em Santa Barbara, no estado de Califórnia. Um casamento que não olhou a fronteiras e que lhes deu nove filhos.

No entanto, o mais fascinante entre ambos era a sua compatibilidade literária. Nas palavras do próprio escritor, Mécia estava “à sua altura”, que via nela uma colaboradora literária. “Sem o [seu] apoio, não teria sido possível realizar talvez metade do que realizou, quer como autor, quer como professor”, garante Rui Silvino de Freitas Lopes, em Mécia de Sena e a escrita epistolar com Jorge de Sena

 

Agustina Bessa-Luís e Alberto de Oliveira Luís

Agustina Bessa-Luís e o marido, Alberto de Oliveira Luís, via jornal Expresso.

 

Agustina Bessa-Luís e Alberto de Oliveira Luís

Estiveram casados 72 anos. Conheceram-se numa espécie de Tinder do antigamente: através de um anúncio do jornal, publicado pela escritora, no qual procurava uma pessoa culta com quem se corresponder. “Jovem instruída procura correspondência com pessoa inteligente e culta", podia ler-se no jornal Primeiro de Janeiro. Agustina Bessa e Alberto Luís casaram-se em 1945, no que poderia ser considerado um casamento pouco convencional. Agustina ia de vestido preto e colar de pérolas e a celebração dispensou familiares. 

Alberto permaneceu, desde cedo, na sombra de Agustina, procurando ajudá-la nas tarefas que a autora não gostava de fazer. O trabalho de investigação, como conferir datas ou garantir que certos pormenores constavam nos seus romances, ficava a cargo dele. Nas palavras de Mónica Baldaque, única filha do casal: “Ela tinha um objetivo na vida, que era escrever, e ele tinha o objetivo de a acompanhar. Tudo demais ficava fora.”

 

Jorge Amado e Zélia Gattai

Jorge Amado e Zélia Gattai, via jornal Globo

 

Jorge Amado e Zélia Gattai

“Te darei meu corpo para o afogares.” Assim declarou Jorge Amado a Zélia Gattai, em 1945, numa publicação no jornal brasileiro Folha. Conheceram-se em 1945, no Congresso Brasileiro de Escritores, pouco tempo depois de Jorge Amado ter saído da prisão. Meses depois, casaram, acabando por ter o primeiro filho, João Jorge, dois anos depois.

De forma semelhante a Mécia e Jorge de Sena, também Zélia ajudou o marido no seu trabalho literário, passando a limpo, à máquina, todos os seus originais e ficando responsável pelo processo de revisão. Também o casal brasileiro foi obrigado a exilar-se por motivos políticos, chegando a viver em Paris durante três anos e, de 1950 a 1952, na República Checa, onde nasceu a segunda filha, Paloma. Quando voltaram para o Brasil, viveram durante quarenta anos na Casa do Rio Vermelho, em Salvador, também denominada por uma das netas como “o templo do amor”

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