Documentário sobre “Novas Cartas Portuguesas” no DocLisboa

Por: Bertrand Livreiros a 2022-08-05 // Coordenação Editorial: Marisa Sousa

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Novas Cartas Portuguesas
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O documentário "O que podem as palavras", das realizadoras Luísa Sequeira e Luísa Marinho, sobre o livro Novas Cartas Portuguesas, de Maria Isabel Barreno, Maria Teresa Horta e Maria Velho da Costa, terá estreia mundial em outubro, no Festival Internacional de Cinema DocLisboa, que decorrerá entre 6 e 16 de outubro.


"O filme coloca as escritoras portuguesas Maria Isabel Barreno, Maria Teresa Horta e Maria Velho da Costa em diálogo, enquanto refletem sobre o processo criativo e o impacto da singular obra literária Novas Cartas Portuguesas nas suas vidas e no movimento feminista no contexto internacional", refere a sinopse. O documentário, que cruza imagens de arquivo e depoimentos das três autoras, conta ainda com as participações de Ana Luísa Amaral, Gilda Grillo e Adelino Gomes.

A obra Novas Cartas Portuguesas foi escrita em 1971, por Maria Isabel Barreno, Maria Teresa Horta e Maria Velho da Costa, e nela as autoras denunciavam a guerra colonial, as opressões a que as mulheres eram sujeitas, um sistema judicial persecutório, a emigração e a violência fascista. O livro, que se assumiu como um libelo contra a ideologia vigente na ditadura, no período pré-25 de Abril, foi publicado em abril de 1972 e banido três dias depois pelas forças desse regime, por “conteúdo insanavelmente pornográfico e atentatório da moral pública”.

Por causa desta obra, as autoras, designadas popularmente como Três Marias, chegaram a ir a julgamento, que teve início a 25 de outubro de 1973, e só não foram condenadas porque, após sucessivos incidentes e adiamentos, se deu a Revolução de 25 de Abril de 1974. O impacto internacional da obra deu-se logo pouco depois da sua divulgação pela escritora Simone de Beauvoir e pelo conhecimento público do processo de que estavam a ser alvo, com a cobertura do julgamento feita por meios de comunicação internacionais, manifestações feministas em frente a várias embaixadas de Portugal no estrangeiro e a defesa pública da obra e das autoras por várias personalidades internacionais, como Marguerite Duras, Doris Lessing, Iris Murdoch e Delphine Seyrig.

Estas ações fizeram com que o caso fosse votado, em junho de 1973, numa conferência da National Organization for Women, em Boston (EUA), como a primeira causa feminista internacional.


Fonte: Lusa
 

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