A 21 de março celebra-se o Dia mundial da poesia, data declarada pela UNESCO em 1999 com o objetivo de apoiar a diversidade linguística através da expressão poética e dar voz a línguas em risco de desaparecer. O propósito é simples e ambicioso ao mesmo tempo: promover a leitura, a escrita e o ensino da poesia em todo o mundo, e dar novo impulso aos movimentos poéticos nacionais e internacionais.
Este ano decidimos celebrar este dia ao fazer a ponte entre dois mundos que se complementam: o cinema e a poesia. Se gostou de algum dos filmes nomeados a Óscar este ano, há um poeta à sua espera.
Se gostaste de... One Battle After Another (Paul Thomas Anderson, 2025)
Poderás gostar de... Mohammed El-Kurd: Poeta e ativista palestiniano, El-Kurd escreve sobre ocupação, resistência e luta coletiva com uma voz jovem e urgente. Para quem acredita que a poesia também pode ser um ato político.
Se gostaste de... Sinners (Ryan Coogler, 2025)
Poderás gostar de... Federico García Lorca: Lorca inventou o conceito de duende, uma força obscura e irracional que habita a música, a dança e a morte. Escreveu sobre o povo negro americano com uma admiração genuína, muito antes de ser comum fazê-lo, a sua poesia aproxima-se muito do universo sonoro e espiritual do filme.
Se gostaste de... Hamnet (Chloé Zhao, 2025)
Poderás gostar de... Dylan Thomas: Thomas escreveu sobre a morte, o luto e o amor com uma intensidade tremenda. O seu poema mais famoso, Do not go gentle into that good night, é um grito contra a perda. Se o filme te tocou, este autor e a sua obra vão ficar contigo para sempre.
Se gostaste de... Frankenstein (Guillermo del Toro, 2025)
Poderás gostar de... Georg Trakl: Uma das vozes mais perturbadoras do expressionismo europeu, cuja sua poesia habita o espaço entre a beleza e a ruína, entre a criação e a destruição. É o autor perfeito para quem não tem medo de entrar em território desconfortável.
Se gostaste de... Sentimental Value (Joachim Trier, 2025)
Poderás gostar de... Ana Luísa Amaral: Escreve sobre a memória, o tempo e a perda com uma intimidade e precisão raras. A sua poesia parte sempre do pequeno, do doméstico, do que guardamos sem saber porquê.
Se gostaste de... The Secret Agent (Kleber Mendonça Filho, 2025)
Poderás gostar de... Manuel Alegre: Alegre escreveu sob a ditadura e contra ela, com uma voz que cruza a identidade, a resistência e o exílio sem nunca perder a dimensão lírica. A sua poesia é a prova de que as palavras também podem ser um ato de coragem.
Se gostaste de... Marty Supreme (Josh Safdie, 2025)
Poderás gostar de... Herberto Helder: Uma das vozes mais exigentes e intensas da língua portuguesa, escreveu sobre a obsessão e a perfeição da linguagem e da transformação como necessidade vital. Não é uma poesia fácil, e é exactamente por isso que vale a pena.
Se gostaste de... Train Dreams (Clint Bentley, 2025)
Poderás gostar de... William Wordsworth: Wordsworth escreveu sobre paisagens selvagens, sobre a solidão como forma de conhecimento, sobre o homem perante a natureza. A poesia certa para ler longe do barulho, com tempo.
Se gostaste de... The Singers (Sam A. Davis, 2025)
Poderás gostar de Walt Whitman: Whitman celebrou a voz humana como forma de democracia e de pertença. A secção 26 de Song of Myself é inteiramente sobre ouvir, sobre como a música entra pelo corpo e o transforma. Um bom primeiro passo para quem ainda não sabe bem por onde começar na poesia.
Se gostaste de... KPop Demon Hunters (Maggie Kang e Chris Appelhans, 2025)
Poderás gostar de... Tiago Salgueiro: Com uma poesia rítmica, musical e cheia de energia, é uma boa forma de mostrar aos leitores mais jovens que a poesia não é uma obrigação mas sim uma outra forma de sentir o mundo.