A História por trás de um dos clássicos da literatura portuguesa

Por: Bertrand Livreiros a 2022-08-17 // Coordenação Editorial: Marisa Sousa

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O Mistério da Estrada de Sintra
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No Verão de 1870, dois jovens membros da chamada Geração de 70, Eça de Queiroz e Ramalho Ortigão, decidem agitar a aborrecida e quente cidade de Lisboa, com um folhetim intrigante iniciado com um crime na Estrada de Sintra. Publicaram-no no Diário de Notícias, durante dois meses, e ninguém quis perder aquele que viria a ser um dos maiores clássicos da literatura portuguesa.



Eça de Queiroz, no prefácio da segunda edição em livro de O Mistério na Estrada de Sintra (1884) escreveu: "Há 14 anos numa noite de verão, no Passeio Público, em frente de duas chávenas de café, penetrados pela tristeza da grande cidade que em torno de nós cabeceava de sono (...) deliberámos reagir sobre nós mesmos e acordar tudo aquilo a berros, num romance tremendo, buzinando à Baixa das alturas do Diário de Notícias". 

Como o concretizaram? Usando o poder absoluto da imprensa escrita na formação da opinião pública, para expor as pequenas misérias de uma certa aristocracia lisboeta que ia a Sintra refrescar-se dos incómodos estivais da capital.

A intriga começou então a ser enviada em cartas sucessivas a Eduardo Coelho, o primeiro diretor do Diário de Notícias. Na primeira, a atmosfera de mistério preparava o leitor para um caso cheio de suspense: "Senhor Redator do DN, venho pôr nas suas mãos a narração de um caso verdadeiramente extraordinário em que intervim como facultativo, pedindo-lhe que, pelo modo que eu entender mais adequado, publique a substância do que vou expor. Os sucessos a que me refiro são tão graves, cerca-os um tal mistério, envolve-os uma tal aparência de crime que a publicidade do que se passou torna-se importantíssimo como chave única para a desvendação de um drama que suponho terrível conquanto não conheça dele senão um só ato."

Na véspera da publicação, a 23 de julho, o próprio jornal aguçara o apetite do leitor ao publicar este aviso no espaço dedicado aos «Assuntos do dia»: "A hora já adiantada recebemos ontem um escrito singular. É uma carta, não assinada, enviada pelo correio à redação, com o princípio de uma narração estupenda, que dá ares de um crime horrível, envolto nas sombras do mistério, e cercado de circunstâncias verdadeiramente extraordinárias (…)”  

A dúvida estava lançada: notícia ou ficção? 

O sucesso foi garantido, as 31 cartas foram reunidas em livro nesse mesmo ano, numa edição da Parceria António Maria Pereira. Durante mais de dois meses, os leitores do jornal não perderam pitada, desconhecendo totalmente a autoria de quem escrevia, mas incapazes de resistir ao suspense que se lançava no final de cada capítulo do folhetim.

Fonte: Diário de Notícias
 

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