7 curiosidades sobre escritores portugueses

Por: Bertrand Livreiros a 2023-05-22

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A Sibila
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São muitas as curiosidades que marcam a vida e o percurso de alguns dos maiores vultos da literatura portuguesa. Factos inusitados contribuem, em muitos casos, para explicar a trajetória e o legado que alguns destes nomes deixaram ao longo dos anos. Recordamos algumas dessas curiosidades a propósito da celebração do Dia do Autor Português, assinalado anualmente a 22 de maio, desde 1982. Neste dia, são homenageados todos os autores portugueses das diferentes áreas artísticas.


1. José Saramago é o único Nobel da Literatura em Língua Portuguesa

Na já longa história do Prémio Nobel da Literatura pode ser fácil cometer-se o erro de pensar que já deve ter havido mais autores de língua portuguesa contemplados com esta distinção. A realidade é outra. Até hoje, esse feito foi somente alcançado pelo escritor português José Saramago, em 1988. Mesmo com vários nomes a terem sido falados ao longo dos anos, entre eles muitos autores brasileiros, apenas Saramago conseguiu alcançar este feito até então inédito.

 


2. Miguel Torga é um pseudónimo

Adolfo Correia da Rocha é, porventura, um nome bastante desconhecido e que há primeira vista não faz lembrar nenhum escritor português. Mas a verdade é que se trata efetivamente de Miguel Torga, um dos autores mais reconhecidos da língua portuguesa. O autor de Bichos e dos Contos da Montanha adotou o pseudónimo como uma forma de homenagem a dois grandes vultos da cultura ibérica, cuja escrita admirava: Miguel de Cervantes e Miguel de Unamuno. O nome Torga, por sua vez, é uma homenagem à planta urze, também conhecida como "torga", que existia em grande número na terra natal do poeta, São Martinho de Anta.


3. Fernando Pessoa e o seu interesse por ocultismo

A vida e os interesses de Fernando Pessoa davam para escrever muitos livros — como aliás tem sucedido ao longo dos anos. O poeta foi desde jovem um grande entusiasta do esoterismo, do ocultismo e da maçonaria. Manteve uma amizade com Aleister Crowley, um influente ocultista britânico, elaborou cartas astrológicas e o ocultismo teve uma influência no seu processo de escrita. São muitos os textos que deixou escritos sobre o seu interesse no  esoterismo e deixou poemas em defesa dos valores maçónicos que o inspiravam.


4. Eça de Queiroz e uma carreira como diplomata

Muito antes de se tornar num dos mais influentes autores portugueses, e com apenas 27 anos, Eça de Queiroz foi um diplomata ao serviço do ministério dos Negócios Estrangeiros em Portugal. Foi nomeado cônsul em Havana (Cuba), mas passou também pelos Estados Unidos, Canadá e Reino Unido. Mesmo afastado do meio português, o autor não deixou de colaborar com a imprensa portuguesa, com crónicas e contos, que lhe deram um critério de observação mais objetivo e crítico da sociedade portuguesa. Foi aliás em Inglaterra que iria escrever a parte mais significativa da sua obra, através da qual se revelou um dos mais notáveis artistas da língua portuguesa.


5. A poeta que fundou um bar

Esta é uma curiosidade bastante conhecida sobre a vida da Natália Correia, especialmente para os residentes lisboetas. Foi em 1971 que a poeta portuguesa fundou o bar Botequim da Liberdade, juntamente com Isabel Meireles, Júlia Marenha e Helena Roseta, junto à Vila Sousa, no Bairro da Graça. Durante essa década e até finais da década seguinte, passaram por ali algumas das personalidades mais relevantes das artes e letras portuguesas. Foi um espaço de tertúlia, debates políticos intensos e local de reunião de uma elite intelectual. Natália Correia foi a cicerone e principal dinamizadora do espaço que ainda hoje se mantém de portas abertas.

 


6. Agustina Bessa-Luís e o marido que conheceu num anúncio de jornal

É um dado curioso sobre a vida da escritora portuguesa. Foi através de um anúncio de jornal de O Primeiro de Janeiro que Agustina Bessa-Luís conheceu Alberto Luís, na altura um estudante de Direito, da faculdade de Coimbra. Segundo consta, a autora de A Sibila procurava uma pessoa culta com quem se pudesse corresponder. Casaram em julho de 1945 e deste casamento — que foi o seu único — nasceu a sua filha Mónica Bessa-Luís Baldaque, museóloga, pintora e também autora de vários livros.


7. Um poeta funcionário-público

Eugénio de Andrade é, ainda hoje, reconhecido como um dos mais influentes poetas portugueses do século XX. Além da extensa obra que publicou, um dos dados curiosos do seu percurso é que o poeta, além do exercício de escrita, trabalhou igualmente como funcionário público, tendo exercido durante 35 anos a função de inspetor administrativo do Ministério da Saúde. Nessa mesma posição foi transferido em 1950 para o Porto, onde fixou residência durante mais de quatro décadas.

 

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