6 livros para compreender o conflito israelo-palestiniano

Por: Marta Ribeiro a 2023-10-12 // Coordenação Editorial: Marisa Sousa

Desde sábado, dia 7, os olhos do mundo voltaram-se para o conflito entre Israel e Palestina. O ataque do Hamas levou de novo a atenção mediática para o território que já foi o centro do mundo. Um conflito de tantos anos multiplica-se em camadas e contextos e é fácil perdermo-nos com as informações que chegam diariamente. Sugerimos seis livros para conseguir compreender o que se passa – o que é o Hamas, o que defende Israel, o que defende a Palestina, que guerra é esta?


1. Palestina – Uma Biografia, de Rashid Khalidi

«Em nome de Deus, que a Palestina seja deixada em paz».

É desta forma que o presidente da câmara de Jerusalém termina a carta enviada em 1899 a Theodore Herzl, pai do movimento sionista, onde explicava que a Palestina tinha habitantes nativos e advertia para os perigos que se aproximavam. E é com este relato que Rashid Khalidi, o maior historiador do Médio Oriente nos Estados Unidos e sobrinho-neto do autor da dita carta, inicia a sua narrativa sobre os palestinianos e a guerra contra eles travada.

Original, envolvente e marcante, Palestina – Uma Biografia cruza eventos históricos, materiais de arquivo nunca antes explorados e relatos de gerações, tratando de forma simultaneamente sóbria e emotiva os factos de um confronto trágico entre dois povos que reivindicam o mesmo território.

Esta não é uma crónica de vitimização, uma tentativa de branquear os erros dos líderes palestinianos nem a negação da emergência de movimentos nacionalistas de ambos os lados. É, antes, uma nova e esclarecedora visão de um conflito com mais de um século, uma história de colonização e de resistência de um povo que não abdica de existir.


2. Jerusalém – a Biografia, de Simon Sebag Montefiore

Jerusalém é capital de dois povos, lugar santo para três religiões, é o cenário destinado ao dia do Juízo Final, o campo de batalha do atual choque de civilizações.

Como foi que esta pequena e longínqua cidade veio a ser a Cidade Santa, o «centro do mundo», e é hoje um elemento essencial da paz no Médio Oriente? Recorrendo a novos arquivos, a publicações recentes, aos documentos da sua família e à investigação de toda uma vida, Simon Sebag Montefiore revela-nos, nesta edição revista e aumentada, as muitas encarnações desta cidade em permanente mutação.

Através das suas guerras, dos casos amorosos e das revelações dos homens e das mulheres reis, imperatrizes, profetas, poetas, santos, conquistadores e prostitutas que criaram e destruíram Jerusalém, que se dedicaram à cidade e dela fizeram as crónicas. Para além das muitas pessoas comuns, encontramos no elenco desta história nomes como Salomão, Saladino e Suleimão, o Magnífico, Cleópatra, Calígula e Winston Churchill; Abraão, Jesus e Maomé; Mark Twain, Rasputine ou Lawrence da Arábia.

Desde o rei David até Donald Trump, desde o nascimento do judaísmo, do cristianismo e do islão até ao conflito israelo-palestiniano, este livro é uma narrativa épica e apaixonante de 3000 anos de fé, de matanças, de fanatismo e de coexistência. A história de como Jerusalém se tornou Jerusalém, a única cidade que existe duas vezes: no céu e na terra.


3. Uma História de Amor e Trevas, de Amoz Oz

Saga de uma família e mágico auto-retrato de um escritor, Uma História de Amor e Trevas é a história de um menino que cresce numa Jerusalém devastada pela guerra, num pequeno apartamento apinhado de livros e de parentes que falam diversas línguas. A história de um adolescente cuja vida mudou para sempre com o suicídio da mãe. A história de um homem que declara a sua independência e volta costas ao mundo em que cresceu, deixando para trás as restrições da família e da comunidade, a fim de assumir uma nova identidade num novo lugar: o kibutz Hulda, na fronteira com o mundo árabe. A história de um escritor que se torna um participante activo na vida política da sua nação.

Autobiografia em forma de romance, Uma História de Amor e Trevas é uma complexa obra literária que abarca as origens da família de Amos Oz, a história da sua infância e juventude e a trágica vida dos pais. É também a extraordinária recriação dos caminhos percorridos por Israel no século XX, da diáspora à fundação de uma nação e de uma língua: o hebraico moderno; e uma reflexão sobre a história do sionismo e a criação de Israel como necessidade histórica de um povo confrontado com a ameaça de extinção.


4. A Liberdade é uma Luta Constante, de Angela Davis

Nesta selecção de ensaios, entrevistas e discursos recentes, a célebre activista e académica Angela Davis lança uma nova luz sobre as lutas contra a violência de Estado e a opressão em vários pontos do mundo - da Palestina à África do Sul -, desmontando as estruturas do sistema capitalista (patriarcado, supremacia branca, políticas imperiais) que apenas sobrevivem perpetuando conflitos.

Reflexão sobre os combates históricos do movimento negro nos Estados Unidos, o lugar central do feminismo na desconstrução das relações de poder e a abolição do sistema prisional industrial, A Liberdade é uma Luta Constante (2015) obriga-nos a olhar para lá do nosso quintal, para os reservatórios de esperança e optimismo que encontramos nas colectividades resistentes.

Quando dar tréguas à injustiça é multiplicar formas de submissão, Angela Davis desafia-nos a dar o exemplo, fazendo a nossa parte por um movimento global de libertação humana.


5. Beber o Mar em Gaza, de Amira Hass

Em 1993 Amira Hass tornou-se a primeira jornalista israelita a viver no enclave palestiniano de Gaza, tão temido e desprezado pela maioria dos seus compatriotas.

Este livro conta e reflecte sobre o que a autora viu e ouviu nas ruas esburacadas e nos esquálidos campos de refugiados da faixa de Gaza, nos anos 1993-1996, durante tempos «normais» e durante os intermináveis bloqueios.

O longo túnel de betão em que se amontoam de madrugada os operários palestinianos que vão trabalhar em Israel, as ruas de areia dos campos de refugiados, as tendas em que são chorados os militantes assassinados, os sermões nas grandes mesquitas, os tribunais nocturnos, são esses os locais de que se fala neste livro. E os antigos presos, os motoristas de táxi, médicos, sindicalistas, agricultores, mulheres a quem Amira Hass dá a palavra, têm recursos infinitos de orgulho e humor para falar do exílio, do luto, da ocupação, da desilusão e da teimosa esperança.

Beber o Mar em Gaza é um livro de claridade dolorosa, que lança uma luz crua sobre a realidade por trás dos discursos oficiais sobre a «retirada israelita» e o «processo de paz».


6. Hamas, de Beverly Milton-Edwards

Hamas: o Movimento de Resistência Islâmica é mais importante livro sobre o grupo islamista sunita do Médio Oriente. Como é que o Hamas se tornou tão poderoso? Quem o apoia? Qual é o seu futuro? Esta obra oferece uma visão do Hamas que responde a estas questões. Revela a história do Hamas e o futuro do Islão político no Médio Oriente.

 

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