No dia em que assinalamos os 126 anos do nascimento de Antoine de Saint-Exupéry, celebramos um escritor cuja obra atravessa gerações, idiomas e culturas. Mais de 80 anos depois da publicação de O Principezinho, as suas palavras continuam a emocionar leitores de todas as idades, deixando-nos livros marcados pela amizade, a responsabilidade, a coragem e a beleza dos pequenos gestos.
Talvez isso aconteça porque, no universo de Saint-Exupéry, a vida e a literatura caminham lado a lado, e há muito mais neste autor do que o pequeno príncipe que todos conhecemos.
Nascido a 29 de junho de 1900, em Lyon, o autor foi aviador antes de ser reconhecido como escritor. Como piloto da Aéropostale, cruzou desertos, enfrentou tempestades e viveu momentos de enorme solidão. Dessas experiências nasceram obras como Correio do Sul (1929), Voo na Noite (1931) e Terra dos Homens (1939), onde a aventura serve de ponto de partida para uma reflexão sobre aquilo que nos torna verdadeiramente humanos.
É impossível falar de Saint-Exupéry sem pensar no pequeno rapaz de cabelos dourados que viaja de planeta em planeta à procura de respostas. Publicado em 1943, O Principezinho tornou-se um dos livros mais traduzidos e lidos de sempre. À primeira vista, é fácil pensá-lo como apenas uma história para crianças. Mas basta lê-la e relê-la em diferentes momentos da vida para perceber que é um livro que cresce connosco.
Este livro guarda muito da sua própria história. Em 1935, um acidente aéreo deixou-o perdido no deserto durante vários dias — uma experiência que ecoaria anos mais tarde no encontro entre o aviador e o pequeno príncipe.
Durante a Segunda Guerra Mundial, após a ocupação nazi da sua pátria francesa, Saint-Exupéry exilou-se nos Estados Unidos. A partir daí, defendeu feroz e publicamente a entrada dos norte-americanos no conflito contra o regime e continuou a escrever sobre os valores da liberdade, da dignidade humana e da esperança. As suas obras — incluindo os seus textos de guerra — foram proibidas na França ocupada pelos nazis e pelo regime de Vichy colaboracionista, que rejeitava as suas posições anti-hitlerianas e a forma positiva como retratava oficiais judeus. Foi também durante este período de exílio que escreveu O Principezinho, que se tornou o seu maior clássico, e um dos mais adorados livros de sempre.
Mais tarde, apesar da idade e dos problemas de saúde que enfrentava, regressou às missões de reconhecimento da Força Aérea Francesa. A 31 de julho de 1944, aos 44 anos, desapareceu sobre o Mediterrâneo, numa missão da qual nunca regressou, deixando para trás um dos maiores mistérios da história da aviação.
Mas o seu verdadeiro legado nunca esteve apenas nos céus: está nos livros que escreveu e na forma como continuam a lembrar-nos da importância de criar laços, cuidar dos outros e olhar o mundo com curiosidade. Há livros que terminam quando fechamos a última página. Os de Antoine de Saint-Exupéry continuam a fazer-nos companhia muito depois disso.
Por isso, se O Principezinho ocupa um lugar especial na sua estante, ou no seu coração, talvez este seja o momento ideal para o reler. E, se ainda não conhece o restante universo de Antoine de Saint-Exupéry, o seu aniversário é o pretexto perfeito para descobrir um autor cuja obra continua a voar muito para além do seu tempo. Apresentamos-lhe algumas das suas maiores obras.
Um dos livros mais lidos e traduzidos do mundo, O Principezinho é muito mais do que apenas um clássico da literatura infantil. Uma história intemporal sobre a amizade, amor e responsabilidade que revela novos significados a cada releitura.
Poderá encontrar nas nossas livrarias uma deslumbrante nova edição desta obra, publicada em maio deste ano, adornada com as aguarelas originais do primeiro manuscrito do livro.
Num tempo em que voar era um verdadeiro desafio, Voo Noturno acompanha pilotos que enfrentam o desconhecido para cumprir a sua missão. Um romance intenso sobre dever, coragem, perseverança e o preço das grandes responsabilidades.
Inspirado nas experiências de Saint-Exupéry como aviador, este é um livro de memórias de voo que se transforma numa profunda reflexão sobre a coragem, a solidariedade e aquilo que nos une enquanto seres humanos. Uma obra tão aventureira quanto filosófica.
Escrito a partir da experiência do autor durante a Segunda Guerra Mundial, este testemunho cruza as suas memórias com uma reflexão profundamente humana. Um retrato poderoso de um homem que acreditava que a literatura podia resistir à barbárie.
Escrita durante o seu exílio nos Estados Unidos, esta breve obra é uma reflexão sobre a liberdade, a amizade e o sentimento de pertença. Um texto intimista que mostra um lado de Saint-Exupéry profundamente humano e preocupado com o destino do seu país.