5 autores que adoravam os seus gatos

Por: Sónia Rodrigues Pinto a 2021-02-17 // Coordenação Editorial: Marisa Sousa

Ernest Hemingway

Ernest Hemingway

Ernest Hemingway nasceu em Oak Park, no Illinois, a 21 de julho de 1899, e suicidou-se em Ketchum, no Idaho, em julho de 1961. Em 1953 ganhou o Prémio Pulitzer, com O Velho e o Mar, e em 1954 o Prémio Nobel de Literatura. Romances como O Adeus às Armas ou Por Quem os Sinos Dobram, além do já citado O Velho e o Mar, consagraram-no como um dos grandes nomes da literatura do século XX.

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Jorge Luis Borges

Jorge Luis Borges

Jorge Luis Borges nasceu em Buenos Aires, em 1899. Cresceu no bairro de Palermo, «num jardim, por detrás de uma grade com lanças, e numa biblioteca de ilimitados livros ingleses». Em 1914 viajou com a família pela Europa, acabando por se instalar em Bruxelas, e posteriormente em Maiorca, Sevilha e Madrid. Regressado a Buenos Aires, em 1921, Borges começou a participar ativamente na vida cultural argentina. Em 1923, publicou o seu primeiro livro – Fervor de Buenos Aires –, mas o reconhecimento internacional só chegou em 1961, com o Prémio Formentor, seguido por inúmeros outros. A par da poesia, Borges escreveu ficção (é sem dúvida um dos nomes maiores do conto ou da narrativa breve), crítica e ensaio, géneros que praticou com grande originalidade e lucidez. A sua obra é como o labirinto de uma enorme biblioteca, uma construção fantástica e metafísica que cruza todos os saberes e os grandes temas universais: o tempo, «eu e o outro», Deus, o infinito, o sonho, as literaturas perdidas, a eternidade – e os autores que deixam a sua marca. Foi professor de literatura e dirigiu a Biblioteca Nacional de Buenos Aires entre 1955 e 1973. Morreu em Genebra, em junho de 1986.

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Edgar Allan Poe

Edgar Allan Poe

Escritor norte-americano nascido a 9 de janeiro de 1809, em Boston, e falecido a 7 de outubro de 1849. Filho de dois atores de Baltimore, David Poe Junior e Elizabeth Arnold Poe, ficou órfão com apenas dois anos de idade e desde cedo aprendeu a sobreviver sozinho. Foi adotado por uma família de comerciantes ricos de Richmond, de quem recebeu o apelido Allan.
Entre 1815 e 1820, a família Allan viveu em Inglaterra e na Escócia, onde Poe recebeu uma educação tradicional, regressando depois a Richmond. Poe foi para a Universidade da Virgínia em 1826, onde estudou grego, latim, francês, espanhol e italiano, mas desistiu do curso onze meses depois por causa do seu vício do jogo e do álcool. Resolveu então ir para Boston, onde publicou em 1827 um fascículo de poemas da juventude de inspiração byroniana, Tamerlane and Other Poems.
Em 1829 publicou o seu primeiro volume de poemas, com o título Al Aaraaf, Tamerlane and Minor Poems, onde se denota a influência de John Milton e Thomas Moore. Foi então para Nova Iorque, onde publicou outro volume, contendo alguns dos seus melhores poemas e onde se evidencia a influência de Keats, Shelley e Coleridge.
Em 1835 estreou-se como diretor do jornal Southern Literary Messenger, em Richmond, onde se tornaria conhecido como crítico literário, mas veio a ser despedido do seu cargo alegadamente por causa do seu problema da bebida. O álcool viria aliás a ser o estigma que marcaria toda a sua vida até à morte. Casou-se nesse mesmo ano com a sua prima de apenas treze anos, Virgínia Clemm, e o casal resolveu então instalar-se em Nova Iorque, onde não chegou a permanecer muito tempo. Foi em Filadélfia que Poe alcançou fama através de vários volumes de poemas e histórias de mistério e de terror. Em 1838 escreveu The Narrative of Arthur Gordon Pym (A Narrativa de Arthur Gordon Pym), obra de prosa em que combinou factos reais com as suas fantasias mais insanes. Em 1839 tornou-se codiretor do Burton's Gentleman's Magazine em Filadélfia, e nesse mesmo ano escreveu várias obras que o tornaram famoso pelo seu estilo de literatura ligado ao macabro e ao sobrenatural. São elas William Wilson e The Fall of the House of Usher (A Queda da Casa de Usher). A primeira história policial surgiu apenas em 1841, na revista Graham's Lady's and Gentleman's Magazine, sob o nome The Murders of the Rue Morgue (Os Crimes da Rue Morgue), e em 1843 Poe recebeu o seu primeiro prémio literário com a obra The Gold Bug. Em 1844 regressou a Nova Iorque e tornou-se subdiretor do New York Mirror. Na edição de 29 de janeiro de 1845 deste jornal surgiu o poema The Raven (O Corvo), com o qual Poe atingiu o auge da sua fama nacional.
Dois anos mais tarde morre a sua mulher Virgínia, mas Poe volta a casar, com Elmira Royster, em 1849. Porém, antes disso, Poe publica Eureka, uma obra que deu azo a muita contestação por parte de alguns críticos da época e que é considerada uma dissertação transcendental sobre o universo, muito louvada por uns e detestada por outros.
É de regresso à terra natal do seu pai que Poe começa a apresentar indícios de que o problema do alcoolismo já era de certo modo irreversível. De facto, ele esteve na origem da morte do poeta. A obra de Poe é o espelho da sua vida conturbada e dos seus hábitos e atitudes antissociais, que o levavam a ter uma escrita que ia para além dos padrões convencionais. Se por um lado foi vítima de certas circunstâncias que estavam para além do seu controle, como foi o facto de ter ficado órfão aos dois anos de idade, por outro fez-se escravo de um problema - o álcool - que agravaria a sua personalidade já de si inconstante, imprevisível e incontrolável.

Edgar Allan Poe. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2009.

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Mark Twain

Mark Twain

Mark Twain (1835-1910) foi batizado como Samuel Langhorne Clemens, mas esse nome ficaria para sempre na sombra do seu pseudónimo. Filho de um advogado severo, terá sido a mãe a despertar-lhe o sentido de humor. Se não há dúvida de que a sua obra é variada, mais curioso será notar que a sua vida profissional o foi mais ainda. Twain começou por trabalhar como aprendiz de tipógrafo, em 1848, e alguns anos mais tarde já contribuía com artigos e histórias humorísticas para o jornal de um irmão. Mais velho, numa viagem pelo Mississípi a bordo de um barco a vapor, terá ficado fascinado com o trabalho do piloto, e dedicou dois anos da sua vida à aprendizagem deste ofício. Uma das muitas viagens da sua vida levou-o, algum tempo depois, a uma mina de prata no Nevada, onde tentou ser mineiro, sem grande sucesso. Em contrapartida, encontrou trabalho no jornal da zona. Foi aqui que, da pena de Samuel Clemens, então com 27 anos, nasceu Mark Twain. É autor de A Viagem dos Inocentes (Tinta-da-china, 2010) e de duas obras a que é invariavelmente associado: As Aventuras de Tom Sawyer (1876) e As Aventuras de Huckleberry Finn (1884).

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Sylvia Plath

Sylvia Plath

"Com Sylvia Plath a poesia e a ficção do pós-guerra conhecem alguns dos seus momentos mais significativos. Nascida em Boston, a 27 de outubro de 1932, Sylvia Plath revelou-se uma estudante exemplar. Ao longo do seu percurso escolar acumulará sucessivas bolsas de estudo e também alguns prémios literários. Apenas um 'senão' parece 'manchar' esse percurso de exceção: uma tentativa de suicídio no verão de 53 que a afastará temporariamente da universidade.
Em 1955, encontramo-la em Cambridge com uma bolsa 'fullbright'. Será aí que conhece o poeta Ted Hughes com quem casará no ano seguinte. Os anos subsequentes caracterizam-se por uma atividade intensa e disciplinada. Sylvia Plath produz então inúmeros contos e o romance onde recria a sua tentativa de suicídio, 'The Bell Jar' ('A Campânula de Vidro') que será publicado em janeiro de 1963, sob o pseudónimo de Victoria Lucas.
Se a sua atividade no domínio da narrativa é considerável, não o é menos aquela que exerce no da criação poética. Apenas "The Colossus" surgirá ainda durante a sua vida. 'Three Women: A Monologue for Three Voices', 'Winter Trees', e a sua obra-prima 'Ariel', são já trabalhos póstumos. Em 1962, ocorre a separação do casal. A partir de dezembro Sylvia Plath passa a residir em Londres com os seus dois filhos, Frieda e Nicholas. A Inglaterra sofre então um inverno como não havia memória. Sylvia Plath adoece, ficando de cama durante algumas semanas. Na manhã de onze de fevereiro de 1963, suicida-se. Não é demais assinalar a importância da sua obra narrativa e poética, nomeadamente numa altura em que Portugal se vê invadido por um contingente de subprodutos vindo dos Estados Unidos. Como definir de uma forma sintética essa importância? No plano da narrativa, e o essencial a esse nível é 'The Bell Jar', pelo modo como consegue conjugar a experiência pessoal com um distanciamento algo irónico, e pela sua recuperação do legado romanesco modernista.
No plano da poesia, Sylvia Plath consegue dar alguns dos momentos de maior tensão conhecidos pelo género neste século levando ao limite o trabalho das formas e a experiência do eu".
Mário Avelar, in "A Phala", nº 11

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“If you want to write about human beings, the best thing you can do is to keep a pair of cats”, disse Aldous Huxley (1894-1963), autor de Admirável Mundo Novo. São vários os escritores que se renderam ao amor felino. Edgar Allan Poe (1809-1849) é um dos mais óbvios, não fosse um dos seus contos mais populares sobre um gato preto, mas existem outros mais excêntricos, como Charles Dickens (1812-1870), que embalsamou a pata do seu gato predilecto, Bob, anexando-a a um abre-cartas. 

Mas porque é que escritores e gatos parecem dar-se tão bem? Para Robertson Davies (1913-1995), escritor e jornalista canadiano, a resposta é óbvia: “Os escritores gostam de gatos porque são criaturas quietas, adoráveis e sábias, e os gatos gostam deles pelas mesmas razões”

Hoje celebramos um dos três dias dedicados aos gatosComemoramos a data deste animal de estimação tão especial ao relembrar as relações mais populares entre felinos e escritores

É caso para dizer: aqui há gato.

 


 

Ernest Hemingway

Imagens: Ernest Hemingway Collection, John F. Kennedy Presidential Library and Museum

 
Ernest Hemingway (1899-1961)

O primeiro gato de Ernest Hemingway chamava-se Snowball. Foi oferecido pelo capitão de um navio, Stanley Dexter, na década de 1930. Snowball foi o primeiro de uma longa geração de gatos com seis dedos, portadores de uma anomalia genética denominada polidactilia. Os marinheiros acreditavam que estes gatos traziam boa sorte em viagens e que as suas patas especiais ofereciam mais balanço no mar.

Atualmente, em Key West, a pequena ilha onde o autor de O Velho e o Mar viveu, são já as dezenas de descendentes de Snowball, residentes no atual Ernest Hemingway Home and Museum. A grande maioria tem seis dedos como o seu progenitor e, mantendo a tradição começada por Hemingway, têm todos nomes de pessoas famosas.

“A cat has absolute emotional honesty: human beings, for one reason or another, may hide their feelings, but a cat does not”.

 
 

Jorge Luís Borges

Imagem: Vegazeta

 
Jorge Luis Borges (1899-1986)

Jorge Luis Borges teve sempre vários gatos a acompanharem a sua vida, mas há dois, em especial, que se destacam: Odin e Beppo. Enquanto o primeiro foi buscar o seu nome ao Deus da mitologia nórdica, Beppo era o nome de uma personagem de Lord Byron (1788-1824). “Chamava-se Pepo, mas era um nome horrível, pelo que troquei por Beppo, o gato de Byron“, explicou o escritor argentino. “O gato não se deu conta da mudança e seguiu com a sua vida“. 

Beppo estava sempre ao lado de Borges. Gostava de brincar com os atacadores dos sapatos e dormir no seu colo. Quando morreu, com mais de 15 anos, o autor de O Livro de Areia já se encontrava cego. A ele, Jorge Luis Borges dedicou um poema, inserido na obra La Cifra, publicada em 1981.

 

“Beppo”, em La Cifra (1981)

”El gato blanco y célibe se mira
en la lúcida luna del espejo
y no puede saber que esa blancura
y esos ojos de oro que no ha visto
nunca en la casa, son su propia imagen.
¿Quién le dirá que el otro que lo observa
es apenas un sueño del espejo?
Me digo que esos gatos armoniosos,
el de cristal y el de caliente sangre,
son simulacros que concede al tiempo
un arquetipo eterno. Así lo afirma,
sombra también, Plotino en las Ennéadas.
¿De qué Adán anterior al paraíso,
de qué divinidad indescifrable
somos los hombres un espejo roto?”

 
 
 
Edgar Allan Poe (1809-1849)

O poeta e escritor americano ficou bem conhecido pela sua eterna companheira, a gata preta Catterina. De acordo com o The Great Cat, a gata costumava sentar-se nos ombros de Edgar Allan Poe, como que a analisar a sua escrita. Quando a mulher do autor, Virginia, estava a morrer de tuberculose, Catterina fez-lhe companhia na cama até ao fim. Poe escreveu que o seu animal de estimação era “one of the most remarkable black cats in the world – and this is saying much; for it will be remembered that black clats are all of them witches”.

Catterina acaba por ter algumas semelhanças com Pluto, o gato do conto The Black Cat e uma das histórias de horror mais conhecidas do escritor. Diz-se também que a gata ficava deprimida quando ele viajava e, duas semanas após Edgar Allan Poe ter morrido, também Catterina partiu, provavelmente ao encontro do seu dono.  

 
 

Ilustração: Curious French Cat, por Sylvia Plath (1956), via Twitter

 
Sylvia Plath (1932-1963)

Sylvia Plath, romancista e poeta americana, autora do célebre livro A Campânula de Vidro, foi fotografada em criança, segurando o seu gato ao colo, de nome Daddy. 

Em 2007, a obra Eye Rhymes: Sylvia Plath’s Art of the Visual foi publicada, revelando um outro lado da escritora completamente dedicado às artes visuais. É aí que se encontra “Curious French Cat”, uma ilustração adorável de um gato a espreitar por um beco. Para além disso, Plath escreveu um poema sobre aquele estereótipo bem conhecido da mulher louca que adopta muitos gatos. Chama-se Ella Mason And Her Eleven Cats e pode lê-lo na íntegra aqui.

 

Mark Twain

Imagem: Mark Twain Papers, Bancroft Library, University of California

 
Mark Twain (1835-1910)

Mark Twain, conhecido pela obra As Aventuras de Tom Sawyer, tinha 11 gatos na sua quinta, em Connecticut. Quando um dos seus gatos desapareceu, o escritor colocou um anúncio no New York American oferecendo uma recompensa de 5$ para quem o encontrasse. Todos os seus gatos tinham nomes únicos e característicos do humor do escritor: Sackcloth, Ashes, Billiards, Blatherskite, Satan e a sua bebé, Sin, Soapy Sall e a favorita de Twain, Sour Mash.

Em Autobiography, o autor declara que, quando ia de férias, uma das suas atividades favoritas era alugar gatos. “No início de maio aluguei um gatinho à mulher de um agricultor por um mês; consegui um desconto ao alugar três. Eles têm sido a minha companhia já há cinco meses e continuam bebés – pelos menos ainda não cresceram muito”.

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