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Quando Claude Lévi-Strauss, no fim da década de 1960, cunha o slogan “o objetivo último das ciências humanas não é constituir o homem, mas dissolvê-lo”, autores como Roland Barthes, Michel Foucault e Jacques Derrida vieram declarar a “morte do autor”, apelando à ‘literariedade’ da literatura ou mesmo ao foco direto da palavra no texto. Fizeram-no pela universalidade da literatura e pela forma como a nossa leitura de um livro não se deve basear na biografia do seu autor.
Já nessa época era reconhecido como um poeta. Publicou a primeira obra em 1939, uma plaqueta intitulada Narciso, mas nas décadas seguintes consolidou uma voz poética singular e aclamada. As Mãos e os Frutos, de 1948, recebe o aplauso de críticos e colegas como Vitorino Nemésio e Jorge de Sena. Com uma poesia essencialmente lírica, considerada por José Saramago como uma “poesia do corpo a que chega mediante uma depuração contínua”, torna-se um autor prolífico, que não deixa de se aventurar na prosa, nem na escrita de livros para um público infantil, com História da Égua Branca (1977) e Aquela Nuvem e as Outras (1986).
Na primavera da vida, lemos para aprender. Lemos para expandir horizontes, para sair de casa. O mundo compele-nos para fora das nossas quatro paredes, em linhas infinitas de caracteres latinos. Mas algures pelo caminho, sentimo-nos tentados a parar. Talvez o mundo seja grande demais. Começamos a traçar fronteiras imaginárias do tamanho dos nossos medos.
Paco Roca, autor nascido em Valência, em 1969, é considerado atualmente um dos maiores ilustradores, cartoonistas e guionistas espanhol. Em “Regresso ao Éden”, a sua mais recente novela gráfica, debruça-se sobre as recordações da sua própria família, numa narrativa íntima e, ao mesmo tempo, de homenagem às mulheres que, desde pequeno, fizeram parte da sua vida. É com base numa foto, datada de 1946, na antiga praia de Nazaret, situada na capital valenciana, que o autor desenvolve uma narrativa autobiográfica, mas também um reluzente e acutilante retrato da história contemporânea de uma Espanha franquista, onde os republicanos eram vistos de forma tão negativa pelos demais.
“Parece impossível escrever sobre o protagonismo do mundo do livro no século XXI, sobre as livrarias independentes e as bibliotecas mais desafiantes ou inovadoras, sobre as constelações de leitores que, como eu, continuam a acreditar no papel sem pensar na Amazon como antagonista.” Ao longo dos últimos anos, o autor espanhol Jorge Carrión visitou bibliotecas (reais e imaginárias) e livrarias em todo o mundo, com o intuito de deixar firmado o valor do livro e da sua proximidade como pilares da nossa educação sentimental e intelectual. Depois de Livrarias, publicado pela Quetzal em 2017, regressa agora com um livro-manifesto a que chamou Contra a Amazon.
“As mãos pousam ao piano. Na brancura do teclado, os dedos se deixam deslizar, potentes cavalos-marinhos de volta à água aonde pertencem. Lançada de cima, a luz do palco o divisa da escuridão, abre cortinas por entre as cortinas.” Assim começa a história de Rômulo Castelo, um pianista virtuoso, inteiramente dedicado à busca da perfeição na sua arte. Todas as manhãs, ao acordar, fecha-se na sua sala de estudos e ensaia aquela que é considerada a peça intocável de Franz Liszt, o Rondeau Fantastique. Em breve, Rômulo irá oferecê-la ao mundo, numa tournée pela Europa que o sagrará como o maior intérprete daquele compositor.
Pai é táxi, é quem nos leva às cavalitas e nos guia pelas ruas da vida. Segue todas as direções que lhe indicamos com um sorriso no rosto e nunca nos deixa ficar parados em engarrafamentos. Sabe todos os caminhos e tem a melhor banda sonora.
Talvez não haja, entre tantas outras possíveis figuras históricas nacionais, uma como a de Natália Correia, na forma como esta simbolizou, como poucos, as inquietações do século XX português. Intimidando pela verve de aríete e pela beleza, Natália Correia foi precoce e radical no pensamento feminino, vítima de efabulações e de mitos, incompreendida e amada, tendo lançado um olhar oracular sobre o seu tempo. Em tertúlias, que eram verdadeiras olimpíadas da confraternização lisboeta, o seu traço aglutinador envolvia, juntamente com o fumo dos cigarros, intelectuais e admiradores, que se irmanavam com párias e malditos em ideias e poemas de vanguarda.
A longlist para o International Booker Prize 2023 já saiu, revelando os pré-finalistas deste prémio. Com um painel de júris composto por Leïla Slimani, Uilleam Blacker, Tan Twan Eng, Parul Sehgal e Frederick Studemann, esta lista será reduzida a 6 livros a 18 de abril e o vencedor será premiado a 23 de maio.
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