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E Por Fim, de Henry Marsh | Bula Literária

O neurocirurgião Henry Marsh já estava reformado quando um exame ao cérebro lhe devolve o mais temido diagnóstico: um cancro em estado avançado. Começa aí a sua dolorosa descida do pedestal — o Dr. Marsh, um dos grandes médicos britânicos, é agora um mero paciente. É um caminho que impõe humildade, que convoca memórias de erros passados, que o desperta para o envelhecimento presente, a nua decadência do corpo no espelho.

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O Parque dos Cães, de Sofi Oksanen | Bula Literária

O Parque dos Cães oscila entre dois mundos: a Helsínquia da atualidade e a Ucrânia que conquistou a independência, após o colapso da União Soviética. Do cruzamento destas duas realidades, surge uma outra: a endémica corrupção do Leste, alimentando a ganância voraz do Ocidente. Nesta interseção, conhecemos duas mulheres que partilham uma história de lealdade, amor e confiança traída. Dão por si arrastadas para uma torrente de lutas de poder que opõe famílias influentes, mas que também opõe sexo feminino e sexo masculino. A razão é só uma: o corpo da mulher tem a capacidade de dar vida e, por causa disso, torna-se fonte de lucro.

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Beijei a Shara Wheeler, de Casey McQuiston | Bula Literária

Chloe Green está tão perto de conseguir tudo o que queria. Depois de mudar de cidade e entrar na nova escola, onde está a terminar o secundário, o objetivo é ser a melhor aluna do seu ano. Tudo está muito bem encaminhado, mas há um obstáculo: Shara Wheeler, a miúda mais popular, por quem se ouvem suspiros em todo o lado.

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Dor Fantasma, de Rafael Gallo | Bula Literária

Rômulo Castelo, um pianista virtuoso, dedica-se inteiramente a buscar a perfeição na sua arte e, todas as manhãs, ao acordar, fecha-se na sua sala de estudos e ensaia aquela que é considerada a peça intocável de Liszt, o Rondeau Fantastique. Em breve, Rômulo irá oferecê-la ao mundo, numa tournée pela Europa que o sagrará como o maior intérprete daquele compositor. A vida, porém, tem outros planos.

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O Altruísmo Não Existe, de Raul Manarte | Bula Literária

Se achas que o altruísmo é só para os santinhos ou aspirantes a Madre Teresa de Calcutá, deixa-me dizer-te já duas coisas: primeiro, estás completamente enganado e, segundo, nem imaginas o que andas a perder. O altruísmo não só faz bem aos outros como também é muitíssimo benéfico para quem o pratica.

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O Olhar Mais Azul, de Toni Morrison | Bula Literária

Pequena, pobre, desprezada e negra — aliás, a que tem a pele mais escura de toda a escola —, assim é Pecola. Todas as noites, Pecola reza para ter apenas uma coisa: olhos azuis, como as raparigas brancas privilegiadas, como as bonecas de brincar, como as atrizes dos filmes.

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Pança de Burro, de Andrea Abreu | Bula Literária

Esta é uma história sobre duas raparigas que foram «feitas como as coisas que nascem para viver e morrer juntas», duas raparigas prestes a deixar a infância para trás e cuja amizade se transforma com o despertar da sexualidade. Tudo acontece no verão de 2005, num bairro popular no Norte de Tenerife, onde um manto de nuvens paira perpétuo sobre as casas e os habitantes. Como a pança de um burro no céu. Longe da praia e do estereótipo turístico, aqui as avós guiam a vida das crianças enquanto os pais trabalham «no Sul», elas nas limpezas, eles na construção.

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Memória de Rapariga, de Annie Ernaux | Bula Literária

«Eu quis esquecer esta rapariga. Esquecê-la verdadeiramente, isto é, nunca mais sentir vontade de escrever sobre ela. Nunca mais pensar que deveria escrever sobre ela, o seu desejo, a sua loucura, a sua estupidez e o seu orgulho, a sua fome e o seu sangue derramado. Nunca o consegui.» Em Memória de Rapariga, Annie Ernaux regressa ao verão de 1958, aquele em que, numa colónia de férias, passou pela primeira vez a noite com um homem. Uma noite que provocaria uma onda de choque com reverberações violentas no seu corpo e na sua existência durante os dois anos que se seguiram. A partir de imagens indeléveis da sua memória, de fotografias e de cartas escritas a amigas, interroga agora a rapariga que foi, num vaivém implacável entre o passado e o presente.

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O Dever de Deslumbrar, de Filipa Martins | Bula Literária

Intimidando pela verve de aríete e pela beleza, Natália Correia simbolizou, como poucos, as inquietações do século XX português. Precoce e radical no pensamento feminino, vítima de efabulações e de mitos, incompreendida e amada, lançou um olhar oracular sobre o seu tempo. Em tertúlias, que eram verdadeiras olimpíadas da confraternização lisboeta, o seu traço aglutinador envolvia, juntamente com o fumo dos cigarros, intelectuais e admiradores, que se irmanavam com párias e malditos em ideias e poemas de vanguarda.

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