«Eu quis esquecer esta rapariga. Esquecê-la verdadeiramente, isto é, nunca mais sentir vontade de escrever sobre ela. Nunca mais pensar que deveria escrever sobre ela, o seu desejo, a sua loucura, a sua estupidez e o seu orgulho, a sua fome e o seu sangue derramado. Nunca o consegui.» Em Memória de Rapariga, Annie Ernaux regressa ao verão de 1958, aquele em que, numa colónia de férias, passou pela primeira vez a noite com um homem. Uma noite que provocaria uma onda de choque com reverberações violentas no seu corpo e na sua existência durante os dois anos que se seguiram. A partir de imagens indeléveis da sua memória, de fotografias e de cartas escritas a amigas, interroga agora a rapariga que foi, num vaivém implacável entre o passado e o presente.
Indicado para: combater o machismo e a misoginia; travar o esquecimento e reavivar memórias; enquadrar e digerir sentimentos de desadequação ou inadaptação; abordar distúrbios alimentares e suas causas emocionais; apoiar processos de emancipação sexual, amadurecimento, autonomia e independência;
Efeitos secundários: viagem no tempo, introspeção e autoanálise; predisposição para balanços de vida; vontade de registar por escrito algumas memórias; reflexões sobre o fenómeno complexo da memória; elaboração de novas listas de leitura; (re)despertar para o feminismo e para a filosofia;
Posologia: ler devagar num dia de descanso.