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O gato vive uma vida extremamente confortável. Mas... aquela bola de luz chamada Sol está sempre a mexer-se... e os donos dão-lhe uma aborrecida ração seca em vez de uma deliciosa ração húmida! E do aspirador que anda pela casa então, nem se fala - é uma ameaça absoluta.
A Comunidade Bertrand une livrólicos e bloggers, de diversos quadrantes, com quem partilhamos a nossa paixão pelos livros e desenvolvemos diversas iniciativas, tendo em vista a promoção da leitura. Hoje, juntamo-nos a Rita da Nova e a Joana da Silva, as criadoras do podcast Livra-te, unidas pela amizade e vontade de conversar sobre as suas leituras. Como dizem as próprias: “Duas amigas que só precisavam de uma desculpa para falar sobre o que mais as une: os livros”.
“Imorais”, “pornográficos” e ofensivos “da moral tradicional da nação”, são algumas das expressões que a PIDE utilizou para se referir aos livros aos quais pertencem estes poemas. Retirados dos livros O Vinho e a Lira, de Natália Correia, Canções, de António Botto, e Minha Senhora de mim, de Maria Teresa Horta, foram sujeitos ao lápis azul e a outros atos mais violentos de censura, como a queima do livro de António Botto num episódio que ficou conhecido como “Literatura de Sodoma”, ou a agressão física que Maria Teresa Horta sofreu às mãos de três elementos da PIDE que lhe disseram: “é para aprenderes a não escreveres como escreves”. Em memória da sua resistência em nome da literatura e da liberdade, hoje lemo-los e celebramo-los.
Apenas os extraordinários pertencem ao reino de Ilya... Os excepcionais. Os Elites. Os Elites possuem poderes há décadas, que lhes foram dados pela Peste, enquanto os que nascem Vulgares são apenas isso, banidos do reino e afastados da sociedade.
Dizia o escritor Mário Dionísio que “sem cultura, não pode haver liberdade, mas só um perigoso simulacro”. Até à Revolução dos Cravos, as imposições ditatoriais queriam que Portugal fosse esse simulacro: a Cultura que não se vergava perante os critérios vigentes era censurada, perseguida, violentada até ser calada. A literatura tinha uma particularidade: a censura só agia depois da publicação. No caso de jornais, revistas, peças de teatro, filmes e programas de televisão, existia uma censura prévia, impossibilitando algumas delas de ver a luz do dia. Mas os agentes da PIDE não tinham capacidade para examinar todos os livros que saíam, por isso, ainda que fossem proibidos e apreendidos, havia sempre a possibilidade de alguns fazerem o seu caminho e serem lidos por alguém. Parte dos relatórios de censura foi perdida depois de, no dia 26 de abril de 1974, vários populares terem invadido a sede da polícia política em Lisboa.
No ano em que comemoramos 50 anos da Revolução que instaurou a liberdade em Portugal, o Plano Nacional de Leitura quer lembrar autores que foram e continuam a ser censurados ou banidos, em Portugal e no mundo. Durante a semana de 22 a 28 de abril, é lançado o desafio a bares, centros culturais, associações, livrarias, bibliotecas, institutos, teatros e outros, para que organizem noites de livros censurados, trazendo à luz textos e autores que ao longo da História foram votados à escuridão.
Eis Blandine, a magnética protagonista de uma história povoada de estranhas figuras: um redator de epitáfios online, uma jovem mãe com um segredo, uma mulher que trava sozinha a sua guerra contra roedores, um filho ingrato, três rapazes enfeitiçados pela mesma rapariga. A todos sucede alguma catástrofe, para quase todos está reservada uma promessa de libertação.
Costuma dizer-se que os historiadores só podem fazer História cinquenta anos após os acontecimentos. Esta é a situação do 25 de Abril? Mais do que passados cinquenta anos, penso que é sempre necessário deixar correr o tempo para que o que nós escrevamos e digamos sobre os acontecimentos não os vá alterar, ou seja, podemos e devemos refletir e escrever historicamente sobre acontecimentos, ciclos e processos que estão encerrados. Pode-se, por isso, comentar ou fazer trabalho jornalístico, mas, para se ter a perspetiva histórica, é sempre necessário existir algum distanciamento. Pode-se até contrapor que existe uma história do tempo presente, mas esta será sempre mais provisória do que a História é. No caso do 25 de Abril, como já passaram cinquenta anos, o ciclo está encerrado e tudo o que se diga ou escreva sobre esse momento não irá alterar a conclusão do processo.
As Mulheres conta a história de uma mulher que viu a guerra, mas desvenda igualmente a história de todas as mulheres que enfrentam o perigo para ajudar os outros. Mulheres cujo sacrifício e compromisso é, muitas vezes, esquecido. Este é um romance fulgurante e belíssimo, uma narrativa profundamente emotiva com uma heroína memorável, cujo idealismo e coragem extraordinários definiram uma geração.
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