O famoso urso das histórias criadas pelo escritor britânico A. A. Milne apareceu pela primeira vez num livro publicado a 14 de outubro de 1926. Demorou bastante a ser traduzido para português, pela mão da escritora e jornalista Maria Lamas, que adaptou o nome para Joanica Puff. Nestas páginas, vamos chamá-lo simplesmente Puff.
Então, como apareceu o Puff?
Na verdade, A. A. Milne já era um poeta, dramaturgo e jornalista de sucesso junto do público adulto, antes de começar a ensaiar os poemas e as histórias do Puff. O escritor inspirou-se no seu filho, Christopher Robin, mas não inventou as personagens do nada. Ao observar Christopher Robin com o seu urso e outros animais de peluche que os pais lhe iam oferecendo, achou tanta graça àquelas conversas e brincadeiras que decidiu passá-las para o papel, sem fazer ideia do sucesso gigantesco e imediato que alcançaria, acabando por ofuscar toda a sua restante carreira literária.
Winnie-the-Pooh, Joanica Puff ou Ursinho Pooh
Um urso de peluche amarelo que está sempre com fome. Se o seu cérebro funciona muito devagar, o estômago deteta mel a quilómetros de distância. É perito em meter-se em sarilhos, como ficar com o rabo entalado na porta porque comeu de mais.
Um porquinho cor-de-rosa minúsculo que tem medo da própria sombra e de monstros imaginários chamados “hefalantes”. Apesar de passar a vida a tremer, quando os amigos precisam dele, enche-se de coragem para os proteger.
Um tigre hiperativo que não sabe andar normalmente, porque foi feito para saltar usando a cauda como mola. Tem a mania de que os tigres fazem tudo bem, mas, pelo caminho, é capaz de destruir metade do bosque.
Um burro cinzento que vive num estado permanente de “Oh, não, hoje é segunda-feira!”. Anda muito devagar, acha sempre que vai chover e, para piorar, a sua cauda está presa por um pionés, caindo constantemente e deixando-o ainda mais resmungão.
Um coelho verdadeiro, e o stressado do grupo. Adora organizar coisas, fazer listas e cuidar da horta. Fica à beira de um ataque de nervos sempre que o Tigre salta por cima das suas plantas ou quando o Puff lhe assalta a despensa.
Umas vezes, Coruja, outras vezes, Mocho, julga-se o animal mais inteligente do bosque. Aprecia dar sermões e contar histórias dos seus antepassados. Finge que sabe ler e escrever, mas dá erros ortográficos ter-ríveis que baralham a cabeça dos outros animais.
Christopher Robin ou Cristóvão Pisco
O rapazinho que toma conta de toda esta bicharada é o único que parece ter juízo. Passa o dia a salvar o Puff das alhadas em que ele se mete, a prender a cauda ao Igor com pionés e a resolver os problemas que os seus peluches criam. Também é o “banco de mel” do grupo. Todos gostam dele.
Uma mãe canguru de peluche supercarinhosa, cuja bolsa serve de berço, mochila e esconderijo de lanches. Vive no pânico de que o filho se constipe ou se meta em sarilhos, mas consegue fazer com que o Tigre tome banho e coma a sopa toda, o que é um milagre.
O canguru bebé, filho da Kanga, tem o Tigre como ídolo. Passa a vida a tentar imitá-lo a saltar e a meter-se em buracos demasiado fundos para o seu tamanho. Não tem medo de nada (porque ainda não percebeu que o mundo pode ser perigoso) e acha que a vida é uma festa sem-fim.
A Sabedoria do Bosque:
Por trás das piadas, das trapalhadas e da obsessão pelo mel, as histórias do Puff escondem grandes lições de vida. Quem diria que um urso com tão poucos miolos nos podia ensinar tanto?
O valor das pequenas coisas
O Puff diz-nos que não precisamos de muito para sermos felizes. Um raio de sol, um passeio sem rumo ou um lanche partilhado com amigos chegam para tornar o dia especial.
Aceitar os outros como eles são
Os amigos do Bosque dos Cem Acres são completamente diferentes. O Tigre é elétrico, o Igor é pessimista, a Coruja é convencida e o Coelho é picuinhas. Mesmo assim, ninguém tenta mudar ninguém. Todos se apoiam e respeitam as manias uns dos outros.
Inteligência não é tudo
O Puff diz que tem “pouco cérebro” e a Coruja acha-se um génio. No entanto, quando surge um problema real, o bom senso, a bondade e a empatia do urso funcionam muito melhor do que os discursos complicados da Coruja.
Não fazer nada é importante
Numa sociedade em que todos correm de um lado para o outro, este livro lem-bra-nos como é bom não fazer nada: “Quer dizer simplesmente ir andando por aí de ouvido alerta a todas as coisas que é impossível ouvir, sem nos preocuparmos”, como explica o Cristóvão.
A amizade é altruísta
Estar presente nos momentos difíceis (como ir procurar a cauda do Igor mesmo quando se tem fome) é o que define um amigo. A amizade mede-se pelo cuidado, não pelo interesse.
A verdadeira coragem não é não ter medo
O Porquito é o animal mais pequeno e assustadiço do bosque. Tem medo de quase tudo, mas avança sempre que o Puff ou os outros precisam de ajuda, mostrando que o tamanho do coração é o que mais importa.
Vamos fazer um pequenique com o Puff?
Pega na manta mais colorida que tiveres e prepara-te para invadir o jardim, a praia, o parque ou mesmo a tua sala (caso as nuvens decidam imitar o mau humor do Igor). Além dos tradicionais salgadinhos, sanduíches e sumos, sugerimos-te outros petiscos mais originais.
1. Espetadas de fruta do Tigre: gomos de tangerina e bagos de uvas pretas enfiados num palito comprido. A ideia é imitar um padrão às riscas, como o pelo do Tigre.
2. Miniaturas do Porquito: pastéis de nata, éclairs, jesuítas, mil-folhas, palmiers, queijadas, croissants, etc. O importante é que sejam miniaturas, em homenagem ao tamanho do Porquito.
3. Balões voadores do Puff: mini-queijos Babybel espetados em palitos compridos, com um fio atado na ponta. No prato, vão parecer os balões vermelhos que o Puff usa para voar até às colmeias.
4. Ninhos doces da Coruja: metades de pêssego em calda recheadas com fios de ovos (compra já prontos) e uma framboesa no centro para imitar o ovo. Podes substituir os fios de ovos por granola com iogurte.
Depois de tudo feito, só falta o grande troféu do dia. Aceitas o desafio de preparar o bolo de mel mais fofinho do bosque? Vais precisar de ajuda, pelo menos, para mexer no fogão, mas esta receita que te sugerimos é bem fácil!
Receita de Bolo de Mel do Puff
Ingredientes
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3 ovos grandes
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1 chávena grande de mel (ou 350 g)
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130 g de manteiga derretirda
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180 ml de leite
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320 g de frarinha com fermento
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2 de chá de canela em pó
Preparação
1. Pede a um adulto para derrete a manteiga e deixa-a arrefecer
2. Parte os ovos para uma taça e junta o mel e a manteiga. Com uma batedeira, mistura tudo muito bem até veres bolhinhas. Também podes usar uma liquidificadora, para ser mais fácil e rápido.
3. Deita um bocadinho de farinha e a canela e mexe devagar. Junta um bocadinho de leite e volta a mexer. Vai alternando a farinha e o leite até acabarem.
4. Com a ajuda de um adulto, dei ta a massa na forma já untada e leva ao forno por 35 a 40 minutos. Para garantir que o bolo coze uniformemente, recomendamos uma temperatura de 170º.
Jogos e brincadeiras para o piquenique do Puff
Aproveita o ar livre e transforma o relvado ou a areia no Bosque dos Cem Acres. Estas atividades são perfeitas para gastares energia e juntares amigos e família. ‘Bora lá?
Devolve a cauda ao Igor
Num papel grande, do género papel de cenário, desenha-se um burro sem cauda. Depois, recorta-se uma cauda e pinta-se de uma cor viva. À vez, vendam-se os olhos dos participantes e dão-se-lhes três ou quatro voltas. A ideia é tentar pôr a cauda no sítio certo. Ganha quem se aproximar mais do alvo.
Corrida de saltos à Tigre
Depois de criada uma linha de meta, os participantes têm de fazer uma corrida, mas com regras malucas: só vale saltar ao pé coxinho ou com os dois pés juntos e as mãos nas ancas (podes inventar outras). Quem se esquecer e der um passo normal tem de voltar para trás.
O voo do Puff
O Puff tentou voar com um balão para enganar as abelhas e chegar ao mel. Aqui, os participantes têm de fazer um percurso previamente definido (contornando árvores ou mochilas) enquanto dão toques num balão, mas sem usar as mãos. Se o balão cair ao chão, têm de recomeçar o jogo.
Abraço coletivo ao Igor
Escolhe-se alguém para ser o Igor e senta-se essa pessoa no chão, com os braços cruzados e cara de poucos amigos. Alguém (pode ser um adulto ou não) vai gritando ordens divertidas para o resto do grupo cumprir, do género: “Toda a gente tem de coçar as costas numa árvore!” ou “Toda a gente tem de andar de cócoras a imitar um caranguejo!”.
Depois de cumprida a ordem, a mesma pessoa grita “Ataque de abraços!” e todos correm para dar um abraço gigante ao Igor até ele se rir à gargalhada.