O Ponto de Interrogação entrevista... Maria Inês Almeida

Por: Carla Maia de Almeida a 2026-07-10

Maria Inês Almeida

Maria Inês Almeida

Nasceu em Lisboa e é Jornalista de formação (Universidade Católica Portuguesa). Trabalhou vários anos como jornalista, recebeu o Prémio Revelação do Clube de Jornalistas mas decidiu entrar no mundo dos livros infantojuvenis em 2009. Tem mais de 80 livros publicados (vários constam no Plano Nacional de Leitura) e alguns títulos noutros países. "Diário de uma miúda como tu", "Sem Abrigo", "Quando eu For... Grande", "A Admirável Aventura de Malala", "O Pequeno Livro da Vida", "O Pequeno Livro da Empatia", entre outros, são alguns dos seus livros.
É mãe do José e da Maria Francisca e acredita que os livros podem mudar o Mundo.

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Trocas a consola por um bom trilho? Maria Inês Almeida, autora da famosa coleção Diário de uma Miúda Como Tu, acredita que, se te derem liberdade e alimentarem o espírito de aventura, a magia acontece longe dos ecrãs.

Aos 80 livros publicados, vêm agora juntar-se os dois primeiros volumes de uma nova coleção: Os Walkers. Nesta entrevista, revela-nos como a Natureza é perfeita para provocar mistérios e primeiras paixões — que, às vezes, nos picam e incomodam mais do que as melgas.

 

Ponto de Interrogação
Como nasceu a ideia de criar Os Walkers, um grupo de amigos que prefere as caminhadas na Natureza aos videojogos e telemóveis? Agora a sério: essas pessoas existem mesmo? Jura!
Maria Inês Almeida
A ideia de Os Walkers começou com um convite da Marta Teixeira, da Porto Editora, para pensar numa nova coleção. Depois, em reunião com a Susana Baptista, minha editora, com quem já trabalhei noutros livros, surgiu a ideia de irmos para o tema Natureza. A Susana sugeriu recuperar esse espírito dos escuteiros, de aventura, descoberta e vida ao ar livre. No início, eu só sabia uma coisa: queria escrever sobre a magia da vida. E a Natureza pareceu-me o cenário perfeito, porque é nela que acontecem alguns dos momentos mais mágicos, inesperados e bonitos. Muitas vezes, dizemos que os miúdos só querem ecrãs, mas depois basta levá-los para um trilho, dar-lhes liberdade e um bocadinho de aventura para acontecer aquilo que nenhum ecrã consegue oferecer. E, sim, estas pessoas existem mesmo. Mais do que preferências, é sobre pertencer, fazer parte.
Ponto de Interrogação
O teu novo livro fala de Natureza, Amor e Mosquitos. Como é que se misturam paixões, mistérios e melgas numa caminhada? Podes revelar-nos o teu itinerário por uma montanha algures perto de ti?
Maria Inês Almeida
Misturam-se porque uma caminhada nunca é só uma caminhada. Neste segundo livro, há natureza, amor… e mosquitos. Porque, às vezes, as primeiras paixões aparecem assim de repente, deixam-nos inquietos, dão-nos energia, ocupam-nos os pensamentos e, de certa forma, também dão comichão, como as picadas dos mosquitos. Quis brincar com essa ideia de que crescer é começar a sentir coisas novas sem perceber muito bem o que fazer com elas. Quanto ao itinerário, prefiro que cada leitor imagine o seu, os lugares mais mágicos nem sempre aparecem nos mapas.
Ponto de Interrogação
Costumas fazer caminhadas na Natureza ou preferes escrever no sofá? Responde a sério, OK? A nossa câmara de videovigilância está a olhar para ti…
Maria Inês Almeida
Costumo fazer caminhadas e gosto muito de andar na Natureza. Mas, para escrever… confesso que acabo quase sempre no sofá, numa posição péssima para as costas e provavelmente desaconselhada por qualquer fisioterapeuta. Ainda assim, gostava de caminhar muito mais. Há sempre a sensação de que voltamos mais leves de uma caminhada, com menos barulho na cabeça e mais espaço para as ideias.
Ponto de Interrogação
Achas que a Francisca, do Diário de uma Miúda Como Tu, se ia dar bem com o grupo de Os Walkers?
Maria Inês Almeida
Acho que a Francisca se daria muito bem com os Walkers. Para ser um Walker, basta ser curioso, por isso, ela iria sentir-se em casa. Já estou a imaginá-la a oferecer as suas T-shirts com mensagens ecológicas a cada um deles.
Ponto de Interrogação
Começaste por ser jornalista e até ganhaste um Prémio Revelação. Tens saudades dessa época ou gostas mais de ser escritora a tempo inteiro?
Maria Inês Almeida
Tenho boas memórias do jornalismo. Deu-me ferramentas preciosas, como a curiosidade, a disciplina e o hábito de fazer perguntas e saber ouvir. Mas hoje gosto muito de escrever a tempo inteiro e de poder demorar-me dentro das histórias.
Ponto de Interrogação
É verdade que muitas das tuas ideias nascem enquanto conduzes pelas estradas do Alentejo? Já reparaste no cheiro das flores de esteva?
Maria Inês Almeida
Muitas ideias aparecem mesmo a conduzir. Os meus avós maternos eram do Alentejo e, por isso, continuo a lá ir. Esse e outros cheiros abrem gavetas de memórias.
Ponto de Interrogação
És mesmo superorganizada ou isso é só para impressionar os teus leitores?
Maria Inês Almeida
Sou mesmo! A organização ajuda a escrever livros. Mas espero que os leitores fiquem mais impressionados com as personagens, emoções e aventuras.
Ponto de Interrogação
Tens livros editados na China e no México. Já lá foste? Os miúdos do outro lado do mundo riem-se das mesmas piadas que nós?

Maria Inês Almeida
Já estive na China e ainda me surpreende pensar que há leitores tão longe. E no Brasil, Argentina, Arménia, Azerbeijão e noutros países. Mas o mais bonito é perceber que, apesar das diferenças, há coisas universais: amizade, medos, aventuras, paixões, etc. O humor muda um bocadinho, mas os miúdos reconhecem-se uns nos outros.
Ponto de Interrogação
Que outras aventuras podemos esperar nos próximos tempos?
Maria Inês Almeida
No caso do Diário de uma Miúda como Tu, publicado pela Penguin, acabou de sair o volume 17, por isso, a Francisca continua a crescer a olhos vistos. Quanto a Os Walkers, o futuro ainda está a ser desenhado.
Ponto de Interrogação
Serias capaz de caminhar a pé até que cidade (para lá dos Pirinéus)?
Maria Inês Almeida
Gostava de fazer, por exemplo, uma parte do caminho francês de Santiago, ou de me perder alguns dias nas paisagens do sul de França. Gosto da ideia de caminhar sem pressa e deixar que as histórias apareçam pelo caminho. Com boas botas e a família.

 

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Artigo publicado na edição de verão de 2026 da revista Somos Livros Infantojuvenil. Disponível online ou em qualquer uma das nossas livrarias.

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