Com os seus lápis e canetas coloridas, faz as tuas histórias favoritas ganhar vida. Yara Kono, além de ilustradora, é também autora e designer gráfica (os responsáveis por organizar o texto e ilustrações de um livro em cada página). Nasceu no Brasil, mas foi em Portugal que descobriu a sua vocação, e, embora prefira desenhar elefantes, desde 2004, integra a equipa da editora Planeta Tangerina, onde desenha todo o tipo de animais, objetos e mundos. Inspirados por As Peças Mais Pequenas, o último livro que ilustrou e que fala daquilo de que são feitas todas as coisas, fomos descobrir de que é feito o dia a dia de um ilustrador.
Estudou Farmácia Bioquímica e estagiou numa agência de publicidade. O que a fez enveredar pela ilustração?
O bichinho do desenho sempre esteve presente na minha vida, inclusive durante a faculdade de farmácia. Passava muitas horas a desenhar células, microrganismos, pipetas e placas de petri, flores, cães e gatos, nuvens, chávenas de café, durante as aulas (e não só). O estágio na agência foi uma oportunidade que surgiu nas férias e achei que poderia ser (e foi!) uma experiência diferente. Mudar de ares e de país foi decisivo para também mudar de área.
Foi a ilustração que a trouxe até Portugal? Porque escolheu trocar São Paulo por Lisboa?
Acho que foi Portugal que me trouxe a ilustração. Em 2001, tinha acabado de regressar do Japão e decidi mudar-me para Portugal. Comecei a trabalhar a Planeta Tangerina em 2004, como designer gráfica, e a ilustração começou a fazer parte do meu dia a dia. Esse despertar para a ilustração foi acontecendo aos poucos até ilustrar o meu primeiro livro, em 2008.
Como é o dia a dia de uma designer gráfica e ilustradora?
Em todas as profissões, há dias bons e mais produtivos, dias em que tudo corre tão bem e dá supercerto, e dias em que passamos horas a fio a tratar de e-mails e burocracias… e, às vezes, tudo corre mal. Quando tenho um dia muito bom, consigo conciliar e resolver muitas pontas soltas e, além disso, ter boas ideias, fazer esboços que acho que vão ao encontro do que quero ilustrar, desenvolver os originais de uma a duas pranchas e avançar com a paginação do livro ilustrado que estou a fazer. Dá muito jeito ser designer gráfica dos livros que ilustro! Para mim, num livro ilustrado, todos os ingredientes são importantes: a ideia, o texto, as ilustrações, o design gráfico e a paginação. E, assim, o dia passa voando. Parece que estamos sempre a precisar de um tempo extra para conseguir fazer tudo que queremos.
Qual é a melhor parte desta profissão? E quais os maiores desafios?
Acho que começar um projeto de livro ilustrado é sempre a altura mais desafiante, e a melhor parte é ver o livro pronto, a ganhar vida nas mãos dos leitores.
Que conselhos daria a uma criança que sonha seguir esta profissão?
Ser curioso e ter sempre um caderno e lápis ou caneta à mão.