O mundo em casa | Duas práticas sustentáveis a adotar

Por: Marisa Sousa a 2020-11-10

Eunice Maia

Eunice Maia

Fundadora da Maria Granel (2015), a primeira zero waste store e mercearia biológica a granel em Portugal, foi pioneira no nosso país na introdução do conceito zero waste aplicado ao consumo e ao lifestyle. Tem contribuído com o seu exemplo e a sua missão para a sensibilização da sociedade para o impacto negativo do plástico, partilhando, através de palestras, consultoria, workshops, conversas e outros eventos com convidados nacionais e internacionais, alternativas sustentáveis para a redução do desperdício. A promoção destas iniciativas tem sido decisiva para a formação e o crescimento de uma comunidade consciente e muito ativa em torno deste estilo de vida. Foi ainda graças à sua iniciativa que o livro Desperdício Zero, de Bea Johnson, foi traduzido e publicado em Portugal. Bea Johnson, por isso, a autora do prefácio de Desafio Zero, de Eunice Maia. A autora recebeu o prémio nacional Terre de Femmes 2019, da Fundação Yves Rocher, que reconhece todos os anos mulheres que se destacaram pelo seu trabalho para a preservação da biodiversidade. A distinção destacou o mérito do seu «Programa Z(h)ero», um projeto educativo ambiental destinado a escolas e a outras instituições, que colabora com estas entidades para as ajudar a adotar gestos e práticas com menor impacto. É ainda consultora e oradora na área da sustentabilidade (redução de desperdício e tendências do mercado na área do consumo consciente, low impact, zero waste).

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5 recomendações de Bill Gates para evitar um desastre climático

Quando, em 2015, Bill Gates alertou o mundo para os perigos de um novo surto epidémico global, os políticos não agiram com a urgência necessária para o prevenir. Prova disso mesmo é a situação de pandemia em que vivemos atualmente e que poderia ter sido evitada, ou pelo menos, controlada mais cedo, caso o tivessem feito. Este ano, o fundador da Microsoft e filantropo, voltou os seus esforços para um desafio ainda maior. 

O "foram felizes para sempre" depende de nós

À medida que se torna cada vez mais evidente que a possibilidade de um futuro mais sustentável está nas mãos de cada um de nós, principalmente no que diz respeito à alteração de hábitos de consumo, a Livraria Bertrand tem vindo a assumir o compromisso de adoção de medidas que revelam a sua crescente preocupação ecológica. Uma das decisões mais relevantes passa pela substituição dos sacos de plástico, utilizados nas nossas 56 livrarias, por sacos de papel, a partir do mês de dezembro. Com esta alteração, conseguimos reduzir consideravelmente o nosso consumo anual de plástico, diminuindo assim a pegada ecológica e assumindo o nosso papel na solução do maior e mais complexo desafio ambiental da atualidade.

O testemunho final de David Attenborough

Aos 94 anos, o naturalista britânico David Attenborough tem consciência de que a luta pela sobrevivência do nosso planeta já está fora das suas mãos. Depois de uma carreira extremamente bem sucedida a ser a cara e a voz de inúmeros programas de televisão sobre história natural, e uma participação ativa em campanhas e projetos que apoiam a causa ambiental, poderia cruzar os braços e passar a responsabilidade às novas gerações, sabendo que deixou a sua marca neste planeta. 

“O espaço e a natureza são uma necessidade, não um luxo.” Quem o diz é a arquiteta, vencedora do Prémio Stirling, Amanda Levete, no âmbito da série de ensaios da BBC Radio, Rethink, que explora a forma como a pandemia mudou as nossas vidas e como podemos aproveitar essas mudanças da melhor forma, num mundo pós-covid-19. Amanda propõe que no futuro se criem espaços onde as pessoas redescubram a arte de viver, avaliados não pela eficácia, mas pelo bem-estar.

Historicamente, os espaços e lugares que habitamos têm sido moldados pelas pandemias. No século XVI, as casas espanholas foram pintadas com cal, para prevenir a propagação da Peste Negra. Em Londres, o surto de cólera levou à criação do sistema de esgotos, em 1870. A pandemia que virou 2020 do avesso poderá não trazer mudanças estruturais tão profundas no que às nossas casas diz respeito, mas fez-nos certamente pensar na forma como vivemos o nosso espaço e, idealmente, na forma como habitamos o planeta. Nos últimos meses, as nossas casas transformaram-se no nosso local de trabalho, na sala de aula das crianças, no recreio de mil brincadeiras, no nosso ginásio, no espaço de socialização, no último reduto de medos e cansaços, no porto de abrigo de onde olhamos o mundo e esperamos. Esperamos, lá dentro, que os dias voltassem a ser habitáveis pelo lado de fora.

Após partilharmos consigo oito princípos básicos do teletrabalho, partilhamos agora duas práticas que pode adotar em casa e contribuir para melhorar o mundo lá fora.


Plantar uma horta em casa

A prática da horticultura em casa contribui para minimizar as alterações climáticas, para melhorar a qualidade da alimentação, para diminuir a despesa familiar e, ainda, para a criação de ambientes de ocupação útil e lúdica do tempo. No livro Uma Horta em Casa (Arte Plural), ficamos a conhecer as bases da horticultura biológica e aprendemos a produzir alimentos das mais variadas espécies, em recipientes e estruturas colocados junto às janelas, ou em varandas, marquises ou terraços das nossas casas.


Com o apoio deste completíssimo guia, que explica, passo a passo e com ilustrações, o que produzir, onde, quando e como, podemos, desde logo, iniciar-nos na compostagem doméstica, uma prática amiga do ambiente, uma vez que reduz a quantidade de desperdícios que têm de ser transportados e tratados, e transforma gratuitamente materiais considerados lixo em fertilizante orgânico, muito útil para a produção de plantas.

 

 

Como funciona? Os microrganismos decompõem os materiais orgânicos, libertando dióxido de carbono e vapor de água. No final, temos um húmus rico em nutrientes. Os recipientes indicados para a compostagem, os compostores domésticos, podem ser adquiridos no mercado ou, em alternativa, pode reutilizar um bidão ou uma caixa grande, com perfurações que permitam o arejamento do material em compostagem. Eis alguns dos materiais utilizados na compostagem (que variam na quantidade de azoto que possuem): cascas de árvores, folhas secas, palhas, fenos, papel não tratado (guardanapos, rolo interior do papel higiénico, caixas de ovos, etc), relva, flores, restos de cozinha sem gorduras e de origem vegetal (legumes, fruta, cascas de ovos, pão, massa, borras de café, etc), entre outros.


Está à espera de quê? Mãos à obra.

 

Reduzir o desperdício em casa

 

Eunice Maia, fundadora da Maria Granel, a primeira zero waste store e mercearia biológica a granel em Portugal, foi pioneira no nosso país na introdução do conceito zero waste (desperdício zero) aplicado ao consumo e ao estilo de vida. No livro Desafio Zero (Manuscrito), relata, na primeira pessoa, a sua jornada rumo à redução do desperdício. Eis algumas das suas dicas e estratégias.
 

1. Não compre frascos novos para armazenar alimentos, reutilize os que já tem. Pode legendá-los com ajuda de um marcador para vidro ou com giz. Antes de os utilizar, esterilize-os: coloque-os no forno, depois de lavados, a uma temperatura de 180.º, durante 10 minutos. Para evitar pragas, coloque dentro dos frascos uma folha de louro e cravinho.

2. Planifique as suas refeições semanais. Desta forma, ao fazer compras, terá uma noção mais precisa da quantidade de alimentos de que necessita.

3. Tente evitar utilizar cápsulas de café de uso único. Opte pelas reutilizáveis ou pela velhinha cafeteira ou café de balão.

4. Evite a utilização de película aderente. Pode substituí-la por panos encerados (a autora apresenta o passo a passo ilustrado desta alternativa).

5. Substitua a utilização de rolos de papel por toalhitas de pano feitas a partir de velhas toalhas, tecidos ou peças de roupa antigas, reutilizáveis e laváveis. Opte pelos guardanapos de pano, em vez de papel.

6. Em alternativa ao chá em saquetas, opte pelo chá em granel ou reutilize saquinhos em algodão bio.

 


7. Se conseguir confirmar a sua idoneidade, beba água da torneira ou opte por um filtro de água.

8. O vinagre, o bicarbonato de soda e o sabão Castela ou sabão Marsella (vegetal e biológico), isolados ou conjugados entre si, podem ser utilizados como poderosos aliados multiusos nas limpezas.

9. Recheie metade de um limão com sal grosso, adicione umas gotas do seu óleo essencial preferido, coloque dentro de um frasco e tem um aromatizador caseiro. Experimente pendurar no chuveiro um ramo de folhas de eucalipto, além de perfumar o ar, irá purificá-lo.

10. Se tem animais em casa, por que não optar pela alimentação natural caseira? Pode confecionar em sua casa ou encomendar. Já há marcas que entregam, reutilizando recipientes. Para o banho, escolha o champô sólido, há cada vez mais opções no mercado. Para recolher dejetos, utilize jornais velhos ou, até mesmo, folhas de árvores. Para os gatos, já há areia biodegradável. A serradura também é uma boa opção.


As grandes mudanças começam nos pequenos gestos.

 

A Quercus criou uma App que ajuda a separar corretamente os resíduos e a encontrar o destino adequado para os bens de que nos queremos desfazer. Consulte-a aqui.

 

Se quiser aprender mais com a Eunice Maia sobre como reduzir o desperdício dentro e fora de casa, pode ainda inscrever-se na seguinte formação online

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