“O espaço e a natureza são uma necessidade, não um luxo.” Quem o diz é a arquiteta, vencedora do Prémio Stirling, Amanda Levete, no âmbito da série de ensaios da BBC Radio, Rethink, que explora a forma como a pandemia mudou as nossas vidas e como podemos aproveitar essas mudanças da melhor forma, num mundo pós-covid-19. Amanda propõe que no futuro se criem espaços onde as pessoas redescubram a arte de viver, avaliados não pela eficácia, mas pelo bem-estar.
Historicamente, os espaços e lugares que habitamos têm sido moldados pelas pandemias. No século XVI, as casas espanholas foram pintadas com cal, para prevenir a propagação da Peste Negra. Em Londres, o surto de cólera levou à criação do sistema de esgotos, em 1870. A pandemia que virou 2020 do avesso poderá não trazer mudanças estruturais tão profundas no que às nossas casas diz respeito, mas fez-nos certamente pensar na forma como vivemos o nosso espaço e, idealmente, na forma como habitamos o planeta. Nos últimos meses, as nossas casas transformaram-se no nosso local de trabalho, na sala de aula das crianças, no recreio de mil brincadeiras, no nosso ginásio, no espaço de socialização, no último reduto de medos e cansaços, no porto de abrigo de onde olhamos o mundo e esperamos. Esperamos, lá dentro, que os dias voltassem a ser habitáveis pelo lado de fora.
No segundo trimestre de 2020, o número de teletrabalhadores em Portugal cresceu 23,1% — para mais de um milhão de pessoas —, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE). Fernando Moreira e António Vilaça Pacheco, no livro Teletrabalho (Self) partilham alguns princípios básicos que consideram essenciais para quem, por necessidade ou opção, tenha de trabalhar à distância. Destacamos oito deles.
OITO PRINCÍPIOS BÁSICOS DO TELETRABALHO
1. Para que as tarefas domésticas não se revelem um elemento desestabilizador, elabore um planeamento que contemple as tarefas domésticas e profissionais que tem de executar, por ordem de prioridade, e evite trocar essa ordem.
2. Tenha especial cuidado se decidir ligar a televisão ou o rádio para ter companhia. Cultive um silêncio confortável ou um som relaxante. Está provado que não conseguimos absorver toda a informação ao mesmo tempo.
3. Não trabalhe com o pijama vestido o dia todo. Pode até ser positivo para o seu conforto, mas não é bom para a sua autoestima. Estabeleça rotinas, como fazer exercício ou levar o seu cão à rua, que sejam positivas para si e equilibre o seu dia com outras atividades que não apenas o trabalho.
4. Discipline-se no que diz respeito à utilização do WhatsApp e de outras aplicações de comunicação instantânea, para garantir que estas não interferem com o seu foco e concentração. Por que não definir, à partida, determinados períodos do dia, para fazer um intervalo e responder ou reagir a mensagens?
5. Comece o dia a desempenhar as tarefas de que gosta menos. Dessa forma, fica mais tranquilo e liberto para as tarefas que lhe dão mais prazer.
6. Escolha bem a divisão da casa onde irá trabalhar e assegure-se que a cadeira e a mesa são ergonómicas e amigas da sua saúde. Evite trabalhar no sofá ou na mesa de jantar.
7. Tente agir em casa como agiria no trabalho: ligue o vídeo durante as conversas, vista-se adequadamente e esteja verdadeiramente presente durante as videochamadas.
8. Avalie o seu trabalho com base nos resultados, não nas horas. E, por fim, não se esqueça nunca de ouvir o seu corpo e deixar a sua mente recarregar.
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