Uma edição de The Handmaid's Tale, de Margaret Atwood, resistente ao fogo

Por: Bertrand Livreiros a 2022-05-24 // Coordenação Editorial: Marisa Sousa

Margaret Atwood

Margaret Atwood

Margaret Atwood é uma das mais celebradas autoras do panorama literário mundial e, além do clássico A História de Uma Serva, publicou mais de cinquenta livros de ficção, poesia e ensaio. Recebeu diversos prémios literários ao longo da sua carreira, incluindo o Booker Prize (por O Assassino Cego, em 2000, e por Os Testamentos, sequela de A História de Uma Serva, em 2019), o PEN America Lifetime Achievement Award e o The British Book Award for Freedom to Publish. Uma das mais ativas vozes na defesa pelos direitos das mulheres, na ficção e na não-ficção, está traduzida em mais de quarenta idiomas. Vive em Toronto.
Margaret Atwood recebeu, em 2022, o título de Doutora Honoris Causa, atribuído pela Universidade do Porto pela «extraordinária qualidade da sua obra literária, a importância da sua reflexão intelectual e a pertinência do seu combate público por uma sociedade mais justa, digna e sustentável».

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Uma edição do livro The Handmaid´s Tale, de Margaret Atwood, resistente ao fogo, está a ser leiloada para beneficiar a luta contra a censura nos Estados Unidos, um fenómeno em expansão, anunciou a editora e a leiloeira Sotheby´s.
Num vídeo divulgado, a autora canadiana de 82 anos, uma fervorosa defensora da liberdade de expressão, aparece empunhando um lança-chamas direcionado para o livro, sem conseguir queimá-lo.


A edição especial, feita em papel resistente ao fogo, atraiu, até terça-feira, 24 de maio, cinco licitações, sendo a mais alta no valor de 45 mil dólares (aproximadamente 42 mil euros). As receitas reverterão a favor da PEN América, uma organização que apoia autores e artistas em perigo, em todo o mundo, e combate a censura.

Num índice recente, que abrange o período de julho de 2021 a março de 2022, a PEN América identificou 1 586 casos de censura, abrangendo 1 145 títulos em 86 distritos escolares de 26 estados, por iniciativa de conselhos escolares eleitos ou de autoridades locais. O fenómeno dos livros proibidos tem uma longa história nos Estados Unidos. A Associação Americana de Bibliotecas (ALA) relatou 729 processos para contestar a presença de livros em bibliotecas, escolas e universidades em 2021, representando 1 597 títulos, o maior número em mais de 20 anos. "Em 2021, as bibliotecas viram-se no meio de uma guerra cultural”, com grupos conservadores envolvidos numa batalha histórica, para proibir e contestar livros que abordavam questões como o racismo, género, política e identidade sexual, referiu a ALA, ao apresentar os números num relatório anual. O livro mais proibido de 2021 foi Gender Queer, no qual a autora Maia Kobabe relata a sua experiência para assumir uma identidade não binária.
 

The Handmaid´s Tale (1985), um romance futurista que descreve um regime totalitário onde as mulheres são escravizadas, é também uma obra frequentemente visada. Em janeiro, Maus, do ilustrador e cartunista Art Spiegelman, o romance gráfico mais vendido sobre o Holocausto, foi também banido de um conselho escolar no Tennessee, no sul conservador dos Estados Unidos, por conteúdo considerado "inadequado".


Fonte: Lusa
 

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