Os números e os nomes da máquina de fake news do Brasil

Por: Sónia Rodrigues Pinto a 2021-05-19 // Coordenação Editorial: Marisa Sousa

Patrícia Campos Mello

Patrícia Campos Mello

Patrícia Campos Mello (1974) é formada em Jornalismo pela Universidade de São Paulo e tem mestrado em Jornalismo Económico pela Universidade de Nova Iorque, onde recebeu uma bolsa de estudos. Foi correspondente em Washington do jornal O Estado de S. Paulo de 2006 a 2010. Fez reportagens sobre a crise económica nos EUA e, entre outras, cobriu as eleições americanas de 2008, 2012 e 2016, e as indianas de 2014 e 2019, além dos atentados do 11 de Setembro ou a Guerra do Afeganistão. Atualmente é repórter especial e colunista da Folha de S. Paulo, além de comentadora da TV Cultura. Em 2018 ganhou o Grande Prémio Petrobras de Jornalismo e o Prémio Internacional de Jornalismo Rei da Espanha; em 2019, o Prémio Internacional de Liberdade de Imprensa (Comité para a Proteção de Jornalistas), o Prémio Especial Vladimir Herzog e o Grande Prémio Folha de Jornalismo; recebeu ainda, em 2020, o Prémio Maria Moors Cabot. É autora do livro Lua de Mel em Kobane, sobre um casal que conheceu na Síria e que sobreviveu ao cerco do Estado Islâmico. Em 2018 publicou uma série de reportagens sobre operações de desinformação pelas redes sociais e uso ilegal do WhatsApp para manipular a opinião pública no Brasil. As reportagens levaram o Tribunal Superior Eleitoral a agir e o WhatsApp a admitir, pela primeira vez, que a plataforma foi usada de forma maciça nas eleições brasileiras. O presidente Jair Bolsonaro processou a repórter, exigindo que ela revelasse a identidade das suas fontes – e perdeu o processo. Patrícia Campos Mello processou Bolsonaro e o seu filho Eduardo, por danos morais e por terem espalhado e amplificado ofensas de cunho sexual nas redes sociais.

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Patrícia Campos Mello é jornalista no Folha de S. Paulo. Visitou a Síria, o Iraque, a Líbia e o Quénia. Foi a única jornalista brasileira a cobrir a epidemia do vírus ébola na Serra Leoa. Recebeu vários prémios, entre eles o Prémio Internacional de Liberdade de Imprensa e o Prémio Internacional de Jornalismo Rei de Espanha. Em 2018, publicou uma reportagem sobre a utilização do WhatsApp como forma de disseminar notícias falsas e controlar o resultado das eleições. Em troca, foi rotulada de “vagabunda sem vergonha” e “jornalistinha comunista”. Ao procurar a verdade, iniciou uma guerra aberta contra a corrupção e a manipulação no Brasil.

A Máquina do Ódio é o relato de uma batalha contra as fake news (notícias falsas), um dos mais perigosos inimigos da democracia na era digital. Faça um fact checking (verificação dos factos) connosco e descubra os números e os nomes que desvelam o que realmente se está a passar no Brasil.


  • 136 milhões de brasileiros utilizam o WhatsApp. Com cerca de 210 milhões de habitantes, estima-se que mais da metade da população utilize esta aplicação.
     
  • 79 % dos brasileiros usam o WhatsApp como fonte de informação principal. Em comparação, os jornais são considerados a fonte mais fidedigna para apenas 8% dos brasileiros.
     
  • Firehosing é o nome dado à técnica de propaganda e de propagação de informação através do envio de um grande número de mensagens. Esta prática é, por norma, feita de forma rápida, repetitiva e contínua, sem consistência ou consideração pela verdade.
     
  • “Empresários bancam campanha contra o PT pelo WhatsApp.” Este é o título da reportagem de Patrícia Campos Mello, publicada em 2018, que revelou como as empresas apoiantes de Bolsonaro adquiriram, através de agências de marketing digital, um serviço denominado “disparo em massa”, usando a base de dados do próprio candidato, ou outras vendidas por terceiros, para disseminar informações falsas e construir propaganda eleitoral.
     
  • 73 % dos brasileiros não confiam nos media tradicionais, preferindo utilizar o WhatsApp por acreditarem que o conteúdo aí partilhado, enviado por amigos e família, é mais fidedigno do que o veiculado pelos jornais ou pela televisão.
     

"As pessoas são bombardeadas de todos os lados por uma notícia (…) e essa repetição confere-lhes a sensação de familiaridade com determinada mensagem. A familiaridade, por sua vez, leva o sujeito a aceitar certos conteúdos como verdadeiros. Muitas vezes, esse será o primeiro contacto que ele terá com determinada notícia — e essa primeira impressão é muito difícil de desfazer." — Patrícia Campos Mello

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