A escritora Lídia Jorge acaba de ser distinguida com o Prémio Pessoa 2025, a mais prestigiada distinção nacional que reconhece personalidades com um papel marcante na vida cultural e científica de Portugal. O anúncio foi feito esta quinta-feira, 11 de dezembro, no Palácio de Seteais, em Sintra, pelo presidente do júri, Francisco Pedro Balsemão. É a primeira romancista a ser distinguida com este galardão e apenas a sétima mulher na história do prémio.
Nascida em Boliqueime, no Algarve, Lídia Jorge construiu uma obra literária vasta e multifacetada que atravessa várias décadas e continua a influenciar gerações de leitores e autores.
A sua carreira começou no final da década de 1970 com títulos que imediatamente captaram a atenção da crítica e do público, como O Dia dos Prodígios (1980), O Cais das Merendas (1982) ou A Costa dos Murmúrios (1988), obras que exploram com mestria temas como a condição feminina, os efeitos da guerra colonial e a memória histórica de Portugal.
Ao longo da sua trajetória, Lídia Jorge tem demonstrado uma escrita diversa, que inclui romances, contos, teatro, ensaio e crónica, e cujo impacto ultrapassa fronteiras, sendo traduzida em mais de vinte línguas, assim como objeto de estudo académico no campo da literatura. O júri sublinhou a “obra criativa e diversificada” da autora, mas também a sua intervenção cívica corajosa, que tem contribuído de forma decisiva para enriquecer o debate público e democrático em Portugal.
A escolha de Lídia Jorge reafirma o seu papel como referência da literatura portuguesa e como ponte para o diálogo entre a memória, a identidade e o futuro democrático. Aos 79 anos, a escritora ocupa também um lugar institucional de destaque, enquanto membro do Conselho de Estado e é presença regular em espaços de reflexão pública.