De 23 de outubro a 2 de novembro, a cidade da Amadora transforma-se novamente na capital da banda desenhada, acolhendo a 36.ª edição do Amadora BD.
O festival, que é já uma referência nacional e internacional, promete uma programação vibrante e diversificada em celebração da a 9.ª arte, com 14 exposições, dezenas de autores convidados e muitas surpresas para fãs de todas as idades. O Parque da Liberdade, a Galeria Municipal Artur Bual e a Bedeteca da Amadora serão os principais palcos do evento, que este ano presta homenagem a grandes nomes e personagens da BD mundial.
Entre os destaques estão os 150 anos de Zé Povinho, os 85 anos de Spirit, os 75 anos dos Peanuts e os 65 anos da Liga da Justiça, celebrados com exposições temáticas e presença de ilustradores como Kevin Maguire, Ivan Reis, Marco Santucci, Maria Laura Sanapo e Miguel Mendonça.
Autores consagrados como Paco Roca, Luís Louro e a dupla Fábio Moon & Gabriel Bá terão exposições individuais que revisitam as suas carreiras e contribuições para a arte sequencial.
O festival aposta também em novas iniciativas, como sessões de autógrafos alargadas às sextas-feiras e a “Hora da BD”, com descontos até 15% na compra de livros, de segunda a quinta-feira, no Núcleo Central. A Bedeteca da Amadora acolhe o álbum vencedor do Prémio Revelação 2024, Amor, de Filipa Beleza, e a Galeria Artur Bual apresenta retrospetivas de Alice Geirinhas e Diniz Conefrey.
O autor Jorge Coelho, vencedor do Prémio de Melhor BD de Autor Português em 2024 com O Grande Gatsby - A novela gráfica definitiva, assina a ilustração oficial desta edição, com identidade visual de José Mendes.
O Amadora BD continua a apostar na formação e descoberta de novos talentos, com concursos dedicados ao humor na BD e à celebração dos super-heróis, dirigidos a jovens autores e à comunidade escolar. A entrada é gratuita para crianças até aos 6 anos. Mais do que um festival, este evento é uma celebração da criatividade, da diversidade e da força narrativa da banda desenhada.
Breve história da BD em Portugal
A história da banda desenhada em Portugal tem raízes longas e discutíveis. Alguns historiadores apontam como primeiro exemplo o Padrão do Senhor Roubado, erguido em 1744, em Lisboa, cujos painéis de azulejo contam de forma sequencial o roubo da Igreja Matriz de Odivelas, ocorrido em 1671. Outros preferem colocar o início em 1850, com a publicação de Aventuras Sentimentaes e Dramáticas do Senhor Simplício Baptista.
Muitos ainda consideram que, a verdadeira BD portuguesa, começa em 1921 com a criação do ABC-zinho, a primeira revista infantil totalmente dedicada à banda desenhada portuguesa e dirigida por Cottinelli Telmo. Nos anos seguintes, outras revistas como O Mosquito consolidaram o género e marcaram uma geração de leitores.
Atualmente, a banda desenhada portuguesa vive um período de vitalidade e diversidade. Autores como Joana Afonso, com obras como O Bestiário da Isa, Filipe Melo com Balada para Sophie ou Joana Mosi, que explora narrativas gráficas mais intimistas, representam uma nova geração de criadores reconhecidos dentro e fora do país.
As editoras independentes têm desempenhado um papel essencial na divulgação de novos talentos e na preservação de obras clássicas. Paralelamente, coleções como Clássicos da Literatura Portuguesa em Banda Desenhada (Levoir) mostram como os grandes textos literários podem ganhar nova vida através deste formato.
Há dois anos, a 18 de outubro de 2023, a Academia Nacional de Belas-Artes reconheceu oficialmente a banda desenhada como uma “forma superior de expressão cultural e artística”. Esse reconhecimento assinalou um marco importante para autores, leitores e editoras, consagrando a BD como uma arte completa, com linguagem, estética e narrativa próprias. Este dinamismo reforça que a BD portuguesa é, atualmente, uma das formas mais ricas de expressão artística contemporânea.