Meg, Jo, Beth e Amy. Mesmo que nunca tenha lido a mais conhecida, e acarinhada, obra de Louisa May Alcott (1832-1888), é possível que os nomes das personagens principais lhe sejam familiares. Publicado em 1868, em duas partes, Mulherzinhas e Boas Esposas, os livros que contam as aventuras das irmãs March, encantaram jovens leitores ao longo de várias gerações. Desde então, surgiram duas sequelas, Little Men (1871) e Jo's Boys (1886), e inúmeras adaptações para o cinema, a televisão e outras artes.
A mais recente adaptação cinematográfica deste clássico da literatura infantojuvenil, realizado por Greta Gerwig, será exibida no canal TVCine Top, este sábado, dia 31 de outubro.
1. O CLÁSSICO QUE QUASE NÃO EXISTIU
Foi um editor da Roberts Brothers Publishing, Thomas Niles, que fez o convite a Louisa May Alcott para escrever um livro para jovens leitoras. Com receio de parecer moralista ao escrever para um público mais jovem, e argumentando que não conhecia raparigas suficientes para se sentir à vontade a escrever para elas, Alcott inicialmente rejeitou a proposta. Mas, no final, acabou por ceder à pressão por parte da editora por esta ter prometido um contrato ao seu pai, Bronson Alcott, um escritor que nunca conseguiu o sucesso desejado, caso Louisa aceitasse o desafio.
2. A ARTE A IMITAR A VIDA
Uma vez que as raparigas que Louisa conhecia melhor eram as suas próprias irmãs, foi nelas e em si mesma que a autora baseou as quatro personagens principais de Mulherzinhas. Jo, a segunda mais velha das irmãs March, feminista e apaixonada por escrever, foi criada com inspiração na própria Louisa. Já a sua irmã Anna, com aspirações mais tradicionais, inspirou a personagem Meg, e May Alcott, uma artista que chegou a expor no Paris Salon, serviu de inspiração à artística Amy (que é, aliás, um anagrama do seu verdadeiro nome). Por sua vez, a trágica história de vida da sua irmã Elizabeth, que morreu de escarlatina com apenas 22 anos, inspirou a história de Beth.
As origens humildes da família March também encontram eco na família Alcott, sendo que os ideais socialistas do pai de Louisa, impediam-no de aceitar um salário, fazendo assim com que a família tivesse que recorrer à generosidade de amigos e vizinhos para sobreviver.
Louisa May Alcott a escrever na sua secretária, em 1860.
3. UMA HISTÓRIA ESCRITA NUM RELÂMPAGO
Embora inicialmente Louisa estivesse relutante em escrever este livro, assim que o começou a escrever (em maio de 1968), tornou-se consumida pela escrita. Trabalhava nele dia e noite, de tal forma que, certas vezes, esquecia-se de comer ou de dormir. O resultado foi que, no dia 15 de julho, apenas dez semanas depois de ter começado a escrever, Alcott enviou as 402 páginas de Mulherzinhas ao seu editor. Apenas quatro meses depois, em setembro, o livro foi publicado e tornou-se um bestseller instantâneo, trazendo à escritora a estabilidade financeira e o reconhecimento que o seu pai nunca havia conseguido alcançar.
4. DAS PÁGINAS PARA O ECRÃ ... E PARA O ECRÃ, OUTRA VEZ
Como a maior parte dos grandes clássicos da literatura, Mulherzinhas já foi adaptado inúmeras vezes, e para diversos formatos. A primeira vez que a obra de Alcott chegou ao grande ecrã foi em 1917, num filme mudo do qual, infelizmente, já não existe qualquer arquivo. A esse, seguiu-se um segundo filme mudo um ano depois, e em 1933 o realizador George Cukor fez uma nova adaptação, ainda a preto e branco, com a lenda de Hollywood Katherine Hepburn a desempenhar o papel de Jo. Desde que a obra teve a sua primeira adaptação cinematográfica a cores, em 1949, tornou-se um favorito para rever na altura do natal, tendo vindo a ser readaptado inúmeras vezes ao longo dos anos.
Para além de uma série televisiva, múltiplos musicais da Broadway, uma peça de ballet e uma ópera, em 1987, surgiu ainda no Japão, uma versão anime das aventuras das irmãs March, provando, verdadeiramente, que esta história não conhece fronteiras.
Tales of Little Women (19787), realizado por Fumio Kurokawa.
5. UMA CASA COM HISTÓRIA
Embora Louisa vivesse em Boston na altura, em 1868 deixou o seu apartamento e regressou à casa da família Alcott (Orchard House em Concord, Massachusetts), para escrever Mulherzinhas. Atualmente, esta casa está aberta a turistas, sendo possível ver a secretária onde ela escrevia, bem como os desenhos da sua irmã May, expostos nas paredes.
DAS PÁGINAS PARA O ECRÃ
Em 2019, a atriz e realizadora norte-americana Greta Gerwig, realizou uma adaptação moderna de Mulherzinhas com Saoirse Ronan, Emma Watson, Florence Pugh e Eliza Scanlen nos papéis de Jo, Meg, Amy, e Beth, respetivamente. Tendo estreado no Museu de Arte Moderna, em Nova Iorque, nesse natal, o filme foi aclamada pelos críticos, tendo sido nomeado para seis Óscares no ano seguinte - entre eles, o Óscar para melhor filme.
Não perca a oportunidade de recordar a história das irmãs March e entrar no espírito natalício, com a exibição deste filme no canal TVCine Top este sábado, dia 31 de outubro. Consulte aqui os restantes horários.