20 entradas infames do "Dicionário Cómico de Língua Portuguesa"

Por: Bertrand Livreiros a 2020-08-28 // Coordenação Editorial: Marisa Sousa

Eduardo Madeira

Eduardo Madeira

Eduardo Madeira nasceu em Bissau na década de 1970. Humorista, ator e autor multipremiado, escreveu e interpretou peças de teatro, filmes, solos de stand up comedy, e programas de televisão e de rádio. Escreveu também para diversos jornais e editou cinco livros e dois discos. Tem ainda contos espalhados em várias coletâneas, de entre as quais se destaca a Antologia do Humor Português, de 2009.
Gosta de mar, surf, jazz, livros, aventura e comer bem. Já correu nu à volta do Marquês de Pombal e atravessou o Tejo a nado para cumprir promessas. Vive em Cascais, é casado e tem dois filhos.

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Segundo Eduardo Madeira, o seu O Infame Dicionário Cómico de Língua Portuguesa é uma obra hedonista, sensual e descomprometida, que contém definições - lúdicas, imprecisas, pouco rigorosas, mordazes, maldosas, mesquinhas e torpes - de palavras do nosso léxico. Pretende divertir, provocar, estimular o pensamento, bulir com os nervos, ofender e, no fundo, provocar uma reação mais ou menos forte em quem, inconsequentemente, decidir lê-la.

Fique com 20 entradas infames deste dicionário, e um alerta do autor: "não houve qualquer cuidado na organização. Antes pelo contrário: houve displicência, preguiça e até descaramento."


Abdominais: Algo que os mais discretos escondem debaixo de uma elegante camada adiposa e os mais exibicionistas insistem em mostrar ao mundo;

Ácaro: Ser vivo microscópico que possui muitas parecenças com certos seres humanos: é quase invisível, não tem qualquer utilidade e, mesmo assim, provoca danos;

Aflito: Português a dia 15 de cada mês;

Aquecimento Global: Subida da temperatura do planeta com consequências graves para a vida, negada por pessoas cuja atividade cerebral nem aquece nem arrefece;

Bedelho: Parte do corpo que metemos onde não somos chamados;

Bullying: Estrangeirismo moderno que designa a ancestral violência física ou psicológica exercida pelos cobardes sobre os mais fracos;

Dicionário: Sítio onde se encontram as definições oficiais das palavras;

Dicionário cómico: Sítio onde se encontram as reais definições das palavras;

Escritor: Pessoa que insiste em nos dar a conhecer os seus problemas em livro;

Epidemia: Doença contagiosa que se espalha rapidamente. Uma espécie de praga com turbo;

Estúpido: Aquele que faz coisas desprovidas de sentido e que eleva a autoestima das restantes, além de proporcionar momentos divertidos que são comentados nas suas costas. Está na hora de reconhecer o papel do estupido na sociedade;

Globalização: Tornar o mundo igualmente desinteressante;

Génio: Pessoa com capacidades especiais que sai de uma lâmpada ou de uma vagina, como os outros;

Humor: Atividade humana que provoca o riso e, por vezes, ainda provoca uma reflexão sobre os comportamentos e os vícios do mundo;

Liberdade: O direito fundamental e inalienável do ser humano a ser dono do seu próprio destino em todas as facetas da sua vida, exceto com o fisco;

Livro: Conjunto de folhas de papel encapadas com um conteúdo por vezes não despiciendo. Entre tudo o que é editado em livro, há coisas verdadeiramente notáveis e outras que são um desperdício de árvores derrubadas;

Morte: Para os ateus, é o fim do filme; para os crentes, é o genérico inicial;

Namoro: É um test-drive pré-nupcial;

Racismo: Mal que só acaba no dia em que os ovnis invadirem a Terra para dar cabo disto. Aí, a raça humana, com o cu apertado, terá de lutar unida contra os extraterrestres;

Religião: A tentativa do Homem de procurar uma resposta para o sentido da vida. Existem várias religiões. Todas falam de paz e amor. Depois é o que se vê.

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