Uma viagem pelas obras mais influentes da Europa no século XX

Por: Sónia Rodrigues Pinto a 2019-05-09 // Coordenação Editorial: Marisa Sousa

George Orwell

George Orwell

George Orwell, pseudónimo do escritor Eric Arthur Blair, nasceu na cidade de Motihari, na então Índia britânica, a 25 de junho de 1903, tendo-se mudado para Inglaterra com a família, ainda durante a infância. Escritor e jornalista, Orwell é uma das mais influentes figuras da literatura do século xx. Defensor incondicional da liberdade humana e acérrimo opositor do totalitarismo, inscreve-se no panorama literário com as obras Dias Birmaneses (1934) e Homenagem à Catalunha (1938). Mas será, sem dúvida, com Quinta dos Animais (1945) e Mil Novecentos e Oitenta e Quatro (1949), duas narrativas com uma atualidade assombrosa, que o autor alcança o reconhecimento internacional. Morreu de tuberculose, em Londres, a 21 de janeiro de 1950.

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James Joyce

James Joyce

Escritor irlandês nasceu em 1882, no subúrbios de Dublin, e morreu em 1941 em Zurique. A sua obra, e Ulysses em especial, foi determinante na evolução da literatura moderna.

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Franz Kafka

Franz Kafka

Franz Kafka nasceu em 1883, em Praga, numa família da média burguesia judia de expressão alemã. Tendo concluído os estudos jurídicos com o título de Doutor em Direito em 1906, começou dois anos depois a revelar os seus primeiros textos em revistas literárias. A Metamorfose, novela que viria a afirmar-se como uma das suas obras de referência, foi publicada em 1915. Publicou em vida apenas sete pequenos livros, três deles antologias de textos e contos. A 3 de junho de 1924, não resistindo à tuberculose que havia contraído em 1917, morreu num sanatório em Kierling, a poucos quilómetros de Viena, deixando três romances fragmentários que seriam publicados postumamente pelo seu amigo e testamenteiro Max Brod: O Processo (1925), O Castelo (1926) e América (1927). A sua obra, centrada no homem solitário moderno, refém de uma vida absurda, tornar-se-ia uma das mais influentes do mundo literário do século XX.

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Albert Camus

Albert Camus

Albert Camus nasceu em Mondovi, na Argélia, a 7 de novembro de 1913. Licenciado em Filosofia, participou na Resistência francesa durante a Segunda Guerra Mundial e foi então um dos fundadores do jornal de esquerda Combat. Em 1957 foi consagrado com o Prémio Nobel da Literatura pelo conjunto de uma obra que o afirmou como um dos grandes pensadores do século XX. Dos seus títulos ensaísticos destacam-se O Mito de Sísifo (1942) e O Homem Revoltado (1951); na ficção, são incontornáveis O Estrangeiro (1942), A Peste (1947) e A Queda (1956). A 4 de janeiro de 1960, Camus morreu num acidente de viação perto de Sens. Na sua mala levava inacabado o manuscrito de O Primeiro Homem, texto autobiográfico que viria a ser publicado em 1994.

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José Saramago

José Saramago

Prémio Nobel de Literatura, 1998

Autor de mais de 40 títulos, José Saramago nasceu em 1922, na aldeia de Azinhaga.
As noites passadas na biblioteca pública do Palácio Galveias, em Lisboa, foram fundamentais para a sua formação. «E foi aí, sem ajudas nem conselhos, apenas guiado pela curiosidade e pela vontade de aprender, que o meu gosto pela leitura se desenvolveu e apurou.»
Em 1947 publicou o seu primeiro livro que intitulou A Viúva, mas que, por razões editoriais, viria a sair com o título de Terra do Pecado. Seis anos depois, em 1953, terminaria o romance Claraboia, publicado apenas após a sua morte.
No final dos anos 50 tornou-se responsável pela produção na Editorial Estúdios Cor, função que conjugaria com a de tradutor, a partir de 1955, e de crítico literário.
Regressa à escrita em 1966 com Os Poemas Possíveis.
Em 1971 assumiu funções de editorialista no Diário de Lisboa e em abril de 1975 é nomeado diretor-adjunto do Diário de Notícias.
No princípio de 1976 instala-se no Lavre para documentar o seu projeto de escrever sobre os camponeses sem terra. Assim nasceu o romance Levantado do Chão e o modo de narrar que caracteriza a sua ficção novelesca. Até 2010, ano da sua morte, a 18 de junho, em Lanzarote, José Saramago construiu uma obra incontornável na literatura portuguesa e universal, com títulos que vão de Memorial do Convento a Caim, passando por O Ano da Morte de Ricardo Reis, O Evangelho segundo Jesus Cristo, Ensaio sobre a Cegueira, Todos os Nomes ou A Viagem do Elefante, obras traduzidas em todo o mundo.
No ano de 2007 foi criada em Lisboa uma Fundação com o seu nome, que trabalha pela difusão da literatura, pela defesa dos direitos humanos e do meio ambiente, tomando como documento orientador a Declaração Universal dos Direitos Humanos. Desde 2012 a Fundação José Saramago tem a sua sede na Casa dos Bicos, em Lisboa.
José Saramago recebeu o Prémio Camões em 1995 e o Prémio Nobel de Literatura em 1998.

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O Processo
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1984
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Ulisses
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O estrangeiro
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Ensaio sobre a Cegueira
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Neste dia, em 1950, assinava-se a Declaração de Schuman, que propunha a criação da Comunidade do Carvão e do Aço, considerada o embrião da atual União Europeia. O Dia da Europa, celebrado hoje, acaba por ser a comemoração deste pacto, considerado um dos mais marcantes na história política e social da civilização europeia.

Barbara Tuchman, escritora e historiadora, disse: “Os livros são os veículos da civilização. Sem livros, a História é silenciosa, a literatura é muda, a ciência aleijada, o pensamento e o raciocínio paralíticos” (via Goodreads). Para que a História não se cale e a literatura continue a conversar connosco, destacamos algumas das obras europeias mais influentes que o mundo conheceu no século XX. As suas histórias e a mensagem que transmitem mantêm-se como uma importante referência para compreender o passado e o presente.

 


 

O Processo (1925), Franz Kafka | República Checa

Publicado postumamente, a obra foi originalmente escrita em 1914 e considerada uma das mais importantes do século XX. Joseph K., um bem-sucedido gerente bancário, vê a sua vida mudar drasticamente quando três homens entram no seu quarto para o prenderem. Não sabe quem o mandou prender nem de que é acusado — sabe apenas que está envolvido num processo obscuro e absurdo que o leva a percorrer as secretarias labirínticas, onde decorre a instrução, conduzida por juízes menores, cuja única incumbência é inquiri-lo.

Há várias interpretações para a mensagem que Kafka quis transmitir em O Processo: um conto existencialista, uma parábola ou até mesmo a de uma profecia sobre os excessos da burocracia moderna, de mãos dadas com a loucura do totalitarismo. Independentemente do seu significado, a história de Joseph K. reflectiu-se na vida das gerações mais novas, ficando para sempre marcada como uma verdade (cada vez mais) atual.

 

1984 (1949), de George Orwell | Inglaterra

O autor inglês sempre assumiu o seu desprezo pelo totalitarismo e a urgência que os partidos políticos pareciam ter em controlar a população, algo que se sentiu um pouco por toda a Europa a meio do século XX. 1984 acaba por ser um reflexo dos medos de Orwell, caso os impulsos do governo tivessem espaço e poder suficientes para crescerem.

O enredo passa-se no ano de 1984, numa civilização destruída pela guerra, conflitos e revoluções. Winston é um funcionário no Ministério da Verdade, responsável por alterar documentos históricos a partir da verdade escolhida pelo Governo. Estamos no meio da Oceânia, um dos três super-estados totalitários que controlam o mundo, dominado pelo líder misterioso Big Brother. Há vigilância constante, através do uso de telescreens, um sistema de comunicação obrigatório em todas as casas, e todos aqueles que não se conformam ao regime desaparecem sem deixar rasto. No Quarto 101, aprendemos com Winston que todos os homens têm os seus limites.

 

Ulisses (1922), James Joyce | Irlanda

Num paralelismo moderno inconfundível com a Odisseia de Homero, T. S. Eliot afirmou que a obra de James Joyce é um livro ao qual devemos muito e “do qual nenhum de nós consegue escapar”. O autor irlandês, através de Ulisses, rompe com a ficção oitocentista e escreve como nenhum outro escritor o fizera até então. Cada capítulo é diferente do anterior, numa multiplicidade de estilos e linguagens que tornam esta obra única, revolucionária e que justificam os sete anos que demorou a ser concluída.

A história que seguimos é a de Leopold Bloom, um homem vulgar, e seguimo-la numa janela temporal que decorre num único dia, a 16 de junho de 1904, em Dublin. Para Jorge Vaz de Carvalho, tradutor do livro, a comparação desta “a epopeia de um quotidiano banal” com a obra de Homero é incontornável.

 

O Estrangeiro (1942), Albert Camus | França

O autor franco-argelino transportou para a sua obra uma forma de explorar o absurdo, um conceito central na sua escrita e a base do modo como lida com o significado da vida. Camus escreveu O Estrangeiro envolto em tragédia e sofrimento; o seu pai tinha morrido na Primeira Grande Guerra, pelo que o desdobrar da Segunda Guerra Mundial fez com que questionasse tudo, inclusive a sua própria existência.

Mersault, francês a viver na Algéria, recebe um telegrama. A mãe morreu. De regresso a casa, após o funeral, faz amizade com um vizinho de práticas duvidosas, reencontra uma antiga colega de trabalho com quem se envolve e vai à praia. Até que ocorre um homicídio. É aqui que entra em cena o absurdo de Camus, ao jogar com o destino de um homem e desafiando-nos a nós, leitores, a ignorar o significado da nossa existência e, em vez disso, aceitar o que a vida tem para nos oferecer.

 

Ensaio sobre a Cegueira (1995), de José Saramago | Portugal

A cegueira é o ponto fulcral a partir do qual se desenrola a narrativa. Uma epidemia que se propaga, de forma alarmante, por todos, acabando por revelar o pior da humanidade. Com medo de uma possível contaminação, o governo coloca os contaminados em quarentena, num hospital abandonado. Assim começa uma viagem, sem retorno, aos piores impulsos do Homem, expondo as suas fraquezas e abrindo espaço para um mundo de renovada esperança no meio do caos e da miséria.

Para tecer esta que é considerada uma das melhores obras europeias de sempre, José Saramago inspirou-se nas desumanas prisões que existiam em Portugal, na altura em que António de Oliveira Salazar, ditador fascista, governou o país. Numa entrevista, o autor apelida o hospital abandonado de “solução final”, que nos remete para o plano de Hitler, para exterminar os Judeus.

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