Durante a conversa com o jornalista, Archer conta como começou a escrever por engano, após estar praticamente à beira da falência. Compara-se com Jane Austen e Alexandre Dumas, por gostar de se ver como um contador de histórias e não tanto como um escritor. “São os contadores de histórias que sobrevivem. O Conde de Monte Cristo continua a ser um livro popular. Jane Austen continua a ser popular. Eram bons escritores, mas não eram ótimos escritores. Eram, sim, ótimos contadores de histórias.”
Se dúvidas houvesse de que o autor é um ótimo contador de histórias, o número de livros vendidos decerto as dissipariam. Os seus leitores também, desde as gerações mais novas, às mais velhas. Sentadas na fila da frente, avó e neta esperam pelo final da entrevista para obterem os autógrafos que não conseguiram mais cedo. Com 85 anos, foi com Jeffrey Archer que esta avó, de cabelos grisalhos e rosto terno, recuperou o gosto pela leitura, ao embrenhar-se nos sete livros das Crónicas de Clifton, por sugestão da neta. Leu-os todos em menos de um ano. “Só descansei quando cheguei ao último”, esclarece, realçando que é quase impossível haver personagens como as desta série, que passa por “várias gerações e qual delas a mais inteligente”.