Os livros que inspiraram a Trilogia da Vida de Pier Paolo Pasolini

Por: Beatriz Sertório a 2020-06-30 // Coordenação Editorial: Marisa Sousa

Pier Paolo Pasolini

Pier Paolo Pasolini

Pier Paolo Pasolini nasceu a 5 de março de 1922 em Bolonha. Filho de um militar, seguiu o pai nas várias mudanças de terra, mas frequentou o liceu e a faculdade em Bolonha, onde teve foi aluno de Gianfranco Contini e Roberto Longhi. Passava os Verões em Casarsa, na região do Friuli, cidade de origem da mãe. Aí se refugiou, em 1943, para fugir à incorporação no exército. Compôs os primeiros poemas em dialecto friulano, Poesie a Casarsa (1942), publicados mais tarde, com outros textos friulanos, em La Meglio Gioventù (1958). Em 1945, soube que o irmão mais novo, Guido, tinha sido morto pelos titistas num conflito entre dois grupos de partigiani. Em 1947, inscreveu-se no Partido Comunista. Trabalhou como professor, numa aldeia perto de Casarsa, mas seria despedido e expulso do PCI por um obscuro episódio de alegada corrupção de menores. Esse foi o primeiro de uma enorme lista de processos (mais de 30) que deram a Pasolini a consciência da sua diversidade e marcaram o seu destino de marginalizado e rebelde.
Devido ao escândalo, em 1949, teve de deixar Casarsa, com a mãe (a relação com o pai já estava estragada), e mudou-se para Roma, vivendo primeiro na periferia e ganhando a vida com explicações e ensino em escolas particulares. A descoberta do mundo do sub-proletariado romano inspirou-lhe - para além de poemas em As Cinzas de Gramsci (1957) e A Religião do Meu Tempo (1961) ( escritos depois de O Rouxinol da Igreja Católica (1943 - 1949, ou seja, antes de As Cinzas de Gramsci) - sobretudo os romances Vadios (1955) e Uma Vida Violenta (1959), que provocaram grande escândalo, mas lhe asseguraram o primeiro êxito literário. Com os antigos colegas da faculdade Francesco Leonetti e Roberto Roversi dirigiu, entre 1955 e 1959, a revista Officina, onde colaboraram, entre outros nomes importantes da militância crítica, Franco Fortini e Paolo Volponi.
Começou entretanto a sua atividade no mundo cinematográfico: colaborou em alguns guiões (entre as quais As Noites de Cabiria de Federico Fellini e La Notte Brava ou O Belo António de Bolognini), e a partir de 1961, realizou vários filmes entre os quais Accattone (1961), Mamma Roma (1962), La Ricotta (1962), Comizi d'Amore (1964), O Evangelho Segundo Mateus (1964),Passarinhos e Passarões (1966), Édipo Rei (1967), Teorema (1968), Medeia (1969), Pocilga (1969) Decameron (1971), Os Contos de Cantuária (1972) As 1001 Noites (1974) e Salò ou os 120 Dias de Sodoma (1975).
Nos anos 60. publicou Il Sogno di Una Cosa (escrito em 1949), mais poemas (Poesia in Forma di Rosa, 1964, Trasumanar e Organizzar, 1971), e foi muito ativo como crítico em vários diários e revistas (entre outras, dirigiu com Alberto Moravia e Alberto Carocci a Nuovi Argomenti), atividade que, depois da coletânea Passione e Ideologia, esteve na origem de muitas publicações, parcialmente póstumas: Empirismo Herético (1972), Escritos Corsários (1975), Descrizioni di Descrizioni (1979).
Para além de várias peças inacabadas que escreveu na juventude e da tradução de cássicos (Ésquilo, Plauto), a sua produção teatral é composta por seis tragédias, cinco delas escritas em 1966: Calderón, Afabulação, Pílades, Pocilga, Orgia e Besta de Estilo que começou a escrever em 1966 e prosseguiu até 1973, tendo ficado inacabada.
Pier Paolo Pasolini morreu assassinado, em Ostia, em 1975.

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Considerada uma obra-prima cinematográfica de um dos grandes mestres do cinema italiano, Pier Paolo Pasolini, A Trilogia da Vida, é composta pelos filmes Decameron, Os Contos de Canterbury e As Mil e Uma Noites. Da mesma forma que Pasolini conjuga a literatura e o cinema ao ser, para além de realizador, romancista e poeta, também estas duas artes andam de mãos dadas nesta trilogia, tendo cada filme ido buscar inspiração a um livro diferente.

Para o realizador Orson Welles, o cinema era um fluxo constante de sonho. Mas é na literatura que, tantas vezes, o cinema encontra a matéria de que os próprios sonhos são feitos. Talvez possamos complementar a famosa frase de Welles com uma do último filme da trilogia de Pasolini, As Mil e Uma Noites

A verdade não está num só sonho, mas em vários sonhos. 


DAS PÁGINAS ...

Escrito no século XIV, o livro que dá origem ao primeiro filme da trilogia, é uma verdadeira obra-prima da literatura universal. Com o mesmo título da sua adaptação cinematográfica, Decameron foi a obra que consagrou o poeta do Renascimento italiano, Giovani Boccacio. Constituída por cem novelas, divididas em dez partes (ou dias), esta retrata os costumes da sociedade italiana do século XIV, com todas as suas virtudes e defeitos.

Seguimos para uma história que teve origem no século XIV. Os Contos de Canterbury, do autor e poeta Geoffrey Chaucer, compila uma coleção de vinte e quatro contos (dois escritos em prosa e vinte e dois em verso), que caracterizam a sociedade inglesa medieval. Cada história é narrada por um peregrino de um grupo que realiza uma viagem desde Southwark (Londres) à Catedral de Cantuária, sendo a estrutura geral da narrativa inspirada na de Decameron, de Bocaccio. A ironia e o sentido crítico com que esta obra-prima foi escrita, fizeram desta um clássico da literatura.

Por fim, outro clássico literário - As Mil e Uma Noites -, que serviu de inspiração ao terceiro e último filme da trilogia de Pasolini. Alegadamente escrita em persa e posteriormente traduzida para árabe, esta obra reúne um conjunto de histórias populares recolhidas por um autor anónimo, publicadas em três volumes (na edição portuguesa). Tal como os outros dois livros, e respetivas adaptações cinematográficas, tem uma marcada componente satírica e erótica.

 

...AO ECRÃ

A escrita de Bocaccio num estilo por muitos considerado demasiado cruel, onde a moral é muitas vezes posta em causa, inspirou Pasolini a realizar Decameron - o primeiro filme da trilogia, que estreou em 1971.  Nesse mesmo ano, foi o vencedor do segundo mais importante prémio do Festival Internacional de Cinema de Berlim, e considerado um dos filmes italianos mais populares de sempre.

Estreou no canal TVCine Edtion, no dia 27 de julho, contando com mais exibições neste mesmo canal ao longo do mês de julho.

 

O erotismo presente em alguns contos de Chaucer, estiveram na origem da inspiração para a adaptação cinematográfica de Os Contos de Canterbury, por Pasolini. Em 1972, estreou o filme homónimo, como parte da sua Trilogia da Vida, acabando por vencer o mais importante prémio do Festival Internacional de Cinema de Berlim.

Estreia no canal TVCine Edition no dia 4 de julho, às 22h, contando com mais exibições ao longo do mês de julho.

 

Em 1974, estreou As Mil e Uma Noites, o último filme da trilogia de Pasolini. Explorando a componente erótica destas histórias populares, e preservando a estrutura narrativa das mesmas, de uma história dentro de uma história, é geralmente considerada a melhor das adaptações cinematográficas desta obra.

Estreia no canal TVCine Edition no dia 11 de julho, às 22h, com mais uma exibição no mesmo canal nesse mesmo mês.

 

Consulte todos os horários de exibição no site dos canais TVCine.

 

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