Isabel Lucas
já é da casa. Na passada quinta-feira, 26 de setembro, a jornalista e crítica literária trouxe para a mesa um tema que desperta a curiosidade de qualquer leitor:
“Que livros aí vêm?”
A
rentrée
literária, no último trimestre do ano, é a época mais aguardada por editores, livreiros e leitores e a mais importante do ano editorial.
Maria do Rosário Pedreira
, editora no Grupo LeYa, explicou a origem do conceito, que está de mãos dadas com a
rentrée scolaire –
expressão com berço em França:
“Depois de um período de descanso e de recarregar baterias,
é a melhor altura para levarmos nas ventas com tudo o que há de novo
“,
disse, de forma divertida.
Todavia, e ainda que seja uma altura importante no mundo editorial, acaba por ser um período a evitar se o objetivo for estrear novas obras.
“Publico sobretudo jovens autores, portanto tenho que me reduzir à minha insignificância”
, continuou, esclarecendo que, nestes meses, os
bons
lugares nas livrarias vão ser ocupados pelos
craques
, o que deixa pouco espaço para os restantes autores, que acabam por não conseguir ter a visibilidade desejada.
Do outro lado do sofá,
Diogo Madre Deus
partilhou da mesma opinião. Foi um dos fundadores da editora Cavalo de Ferro e, presentemente, colabora também como editor da Elsinore.
“A rentrée marca o início de um ciclo que se perpetua, é sobretudo simbólico”
, categorizando-o como
o ano novo do livro
. À semelhança da colega, não gosta de estrear autores nesta altura, a não ser que sejam autores que considere terem já
alguma armadura.