Os livros que aí vêm e o amor à camisola

Por: Sónia Rodrigues Pinto a 2019-10-03 // Coordenação Editorial: Marisa Sousa

Isabel Lucas

Isabel Lucas

Isabel Lucas tem formação em Comunicação Social pela Universidade Nova de Lisboa. Jornalista e crítica literária, escreve regularmente no jornal Público e colabora com várias publicações, sobretudo nas áreas de cultura e viagens. Ao longo dos últimos anos, tem vivido entre Lisboa e Nova Iorque. É autora dos livros Conversas com Vicente Jorge Silva e Viagem ao sonho americano (Companhia das Letras, 2017), uma viagem literária — e não só — aos Estados Unidos da América. Viagem ao país do futuro resulta de uma viagem pelo Brasil, partindo da sua literatura; um périplo contado ao longo de um ano em reportagens publicadas no jornal Público.

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Ken Follett

Ken Follett

Ken Follett nasceu a 5 de junho de 1949, em Cardiff, no País de Gales, e licenciou-se em Filosofia no University College, em Londres. Começou a sua carreira como jornalista no South Wales Echo e, mais tarde, no London Evening News. Trocou a profissão de jornalista pela de editor e continuou a escrever no tempo livre. A sua primeira obra foi publicada em 1978 sob o título Eye of the Needle, um thriller que venceu o Edgar Award e deu origem a um filme. Vive em Londres com a mulher, a deputada Barbara Follett, e os seus dois Labrador retrievers. Tem estado associado a diversas associações para a promoção da literacia e da leitura; é membro da Welsh Academy e Fellow da Royal Society of Arts. Follett é um grande apreciador de Shakespeare e um músico amador.

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Maria do Rosário Pedreira

Maria do Rosário Pedreira

Maria do Rosário Pedreira (Lisboa, 1959) tem a sua obra poética coligida em Poesia Reunida, que a Quetzal publicou em 2012 (nomeadamente A Casa e o Cheiro dos Livros, 1996; O Canto do Vento nos Ciprestes, 2001; Nenhum Nome Depois, 2014). Além de poeta, romancista (a de Alguns Homens, Duas Mulheres e Eu), autora de literatura juvenil e um dos nomes mais importantes da escrita de fado – Maria do Rosário Pedreira é também uma referência de grande qualidade para a edição portuguesa contemporânea, sendo editora na Leya. Mantém o blogue As Horas Extraordinárias.

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Anna Burns

Anna Burns

Anna Burns nasceu em Belfast, em 1962. É autora dos romances No Bones (vencedor do prémio Winifred Holtby Memorial e finalista do prémio Orange), Little Constructions e da novela Mostly Hero. Vive em East Sussex, Inglaterra. Milkman foi vencedor dos prémios Booker, National Book Critics Circle e Orwell para ficção política, e esteve nomeado para o Women’s Prize for Fiction 2019.

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Stoner
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10 livros para descomplicar a filosofia

Apesar da crença do comediante e ator Groucho Marx de que a filosofia não é mais do que “a ciência que nos ensina a ser infelizes de maneira mais inteligente”, a filosofia tem sido, desde o início dos tempos, uma ferramenta indispensável para melhor nos conhecermos e ao mundo que nos rodeia.

O Paraíso existe | Comer e dormir entre os livros

Se, como nós, sofre de bibliomania aguda, chegou certamente a uma conclusão: livros nunca são demais. Criamos sempre oportunidades para comprar mais alguns, folhear outros tantos, cheirar muitos deles e sonhar com os que ainda não temos. Se, quando planeia uma viagem, aproveita para conhecer (quase todas) as livrarias locais, vai gostar de saber que, além de se abastecer de literatura, há locais onde pode também comer e dormir entre os livros. Sim, o paraíso existe. Faça as malas e agradeça-nos depois.

3 razões para nos dedicarmos à Filosofia

Em 2002 a UNESCO decretou que o Dia Mundial da Filosofia iria ser assinalado anualmente, na terceira quinta-feira do mês de Novembro. Comemorar este dia significa reconhecer o papel fundamental da Filosofia como espaço e tempo de reflexão, de prática dos pensamentos crítico e criativo e do diálogo. Esta afirmação é muito clara para mim e traduz um pressuposto meu: a Filosofia é útil. Para quem, ao contrário da minha pessoa, não estudou Filosofia e não trabalha nesta área que motivos pode haver para comemorar o Dia Mundial da Filosofia? Vou avançar com 3 razões para que qualquer pessoa, independentemente da sua bagagem filosófica, se dedique ao estudo, à leitura ou ao diálogo com textos filosóficos.

A mais recente sessão  Ler no Chiado decorreu, como já é hábito, sob o olhar atento de Almada Negreiros , patrono da sala onde esta normalmente decorre, para quem os livros eram sempre muitos e o tempo sempre escasso. Com a sala cheia, e por entre o vaivém contínuo dos muitos visitantes que enchem a livraria, Isabel Lucas esteve à conversa com Diogo Madre Deus , Maria do Rosário Pedreira e Nuno Rodrigues, sobre a reentrée literária e sobre o modo como, com o passar dos anos, se foi alterando a forma como se publicam livros.
 
 

 


 

Maria do Rosário Pedreira, Nuno Rodrigues e Diogo Madre Deus

 

A Rentrée Literária em Portugal

Isabel Lucas já é da casa. Na passada quinta-feira, 26 de setembro, a jornalista e crítica literária trouxe para a mesa um tema que desperta a curiosidade de qualquer leitor: “Que livros aí vêm?”

A rentrée literária, no último trimestre do ano, é a época mais aguardada por editores, livreiros e leitores e a mais importante do ano editorial. Maria do Rosário Pedreira , editora no Grupo LeYa, explicou a origem do conceito, que está de mãos dadas com a rentrée scolaire – expressão com berço em França:  “Depois de um período de descanso e de recarregar baterias, é a melhor altura para levarmos nas ventas com tudo o que há de novo “,  disse, de forma divertida.

Todavia, e ainda que seja uma altura importante no mundo editorial, acaba por ser um período a evitar se o objetivo for estrear novas obras. “Publico sobretudo jovens autores, portanto tenho que me reduzir à minha insignificância” , continuou, esclarecendo que, nestes meses, os bons lugares nas livrarias vão ser ocupados pelos craques , o que deixa pouco espaço para os restantes autores, que acabam por não conseguir ter a visibilidade desejada.

Do outro lado do sofá,  Diogo Madre Deus partilhou da mesma opinião. Foi um dos fundadores da editora Cavalo de Ferro e, presentemente, colabora também como editor da Elsinore. “A rentrée marca o início de um ciclo que se perpetua, é sobretudo simbólico” , categorizando-o como o ano novo do livro . À semelhança da colega, não gosta de estrear autores nesta altura, a não ser que sejam autores que considere terem já  alguma armadura.

 

 

 

 

 
O Boca-a-Boca continua a vender?

O livreiro pode fazer a diferença na venda de um livro? Nuno Rodrigues , livreiro na Livraria Bertrand do Chiado , acredita que sim. E para o corroborar, partilhou uma história sobre o livro Stoner , de John Williams , que alcançou um lugar no  top de vendas, graças a um colega, que o passou a recomendar a todos os clientes, depois de o ter lido. “Há algumas coisas previsíveis; tentamos estar informados, ouvimos opiniões de colegas e leitores, mas, às vezes, há surpresas” .

O boca-a-boca continua a ser muito importante e isso é algo em que os três convidados se mostraram inteiramente de acordo. A opinião de alguém em quem se confia, continua a ser essencial na compra de um livro, e o papel do livreiro faz a diferença. E, quando o livreiro não pode, ficam os livros recomendados em programas televisivos, como o de Cristina Ferreira , ou os livros recomendados pelo Presidente da República . Essas são sugestões que continuam a influenciar bastante a procura, ressalvou o livreiro Nuno Rodrigues .

 
 
A Leitura num País sem vontade de Ler

Maria do Rosário Pedreira trabalha no mundo editorial desde 1987. São mais de 30 anos de muitos autores, muitos livros, muitas histórias. Do seu regaço , saíram escritores que hoje vivem apenas da escrita, como é o caso de José Luís Peixoto ou Valter Hugo Mãe .

Mas esta é uma realidade que não é comum a muitos outros escritores, principalmente num país com uma produção editorial tão pequena como em Portugal.  “Durante várias gerações, as de Cardoso Pires e Lídia Jorge, as pessoas tinham uma profissão e escreviam nos tempos livres. Com a industrialização da edição, os autores começaram a querer ser profissionais da escrita – o que é lícito” , explicou. “É difícil, num país que não tem massa crítica, onde as tiragens médias são de 2.000 exemplares, viver da escrita.”

A editora, que é simultaneamente escritora e poetisa, assegura que um dos maiores entraves é a falta de hábitos de leitura no país. Uma sondagem, do jornal Expresso, concluiu que 47% dos portugueses não lê um livro há mais de seis meses, um resultado que Maria do Rosário Pedreira considera preocupante. “Trabalhar num mercado destes é dramático, é mesmo amor à camisola.”

 
 

 

Falando expectativas, quanto aos livros que saíram recentemente, ou estão para sair,  Nuno Rodrigues espera ansiosamente por Augustus , o novo romance de John Williams , depois de ter terminado o ensaio de Ken Follett , Norte-Dame . Maria do Rosário Pedreira referiu a sua última leitura, uma das grandes apostas da Porto Editora, o romance que ganhou o Man Booker Prize 2018: Milkman , de Anna Burns

A sessão terminou e ficou-nos a certeza, a todos, que não chegamos para todas as sugestões, todas as estreias e publicações, associadas à rentrée. Antes de fechar as portas, olhamos as estantes e recordamos   Almada Negreiros : “Entrei numa livraria. Pus-me a contar os livros que há para ler e os anos que terei de vida. Não chegam! Não duro nem para metade da livraria!”  

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