Neste mês de novembro, celebramos o nascimento de um dos maiores escritores da história, Fiódor Dostoiévski, cujo impacto na literatura e na filosofia permanece vivo até hoje: este autor do século XIX tornou-se até um fenómeno viral no TikTok recentemente, quando o seu livro Noites Brancas foi re-descoberto pelas novas gerações.
Considerado um dos grandes nomes da literatura russa, ao lado de autores como Lev Tolstoi e Vladimir Nabokov, Fiódor Dostoievski ocupa um lugar de destaque na história da literatura mundial.
Entre os seus principais romances destacam-se os clássicos Crime e Castigo, Os Irmãos Karamazov e O Idiota. O seu talento para explorar as emoções humanas foi amplamente reconhecido por figuras como Sigmund Freud, que considerava Os Irmãos Karamazov o maior romance alguma vez escrito, e por Albert Einstein, que afirmou: “Dostoievski dá-me mais do que qualquer cientista, mais do que Gauss” (em referência ao matemático, astrónomo e físico alemão).
A sua obra, marcada por várias fontes intelectuais e culturais, encontra na figura de Jesus Cristo a sua inspiração mais profunda, refletindo-se na centralidade do cristianismo ortodoxo e no conflito entre razão e fé nos seus romances. O autor francês Victor Hugo e as suas obras (entre elas O Último Dia de um Condenado à Morte) também tiveram influência no seu realismo. Outra influência marcante foi a de Friedrich Schiller, sobretudo na abordagem de dilemas psicológicos e morais, evidentes em Os Irmãos Karamázov. Miguel de Cervantes também teve impacto na obra de Dostoiévski: o autor russo admirava Dom Quixote pela profundidade psicológica dos personagens, assim como pela sua inovação literária.
Dostoiévski, por sua vez, influenciou profundamente a literatura, filosofia, psicologia e teologia mundiais. Escritores como Franz Kafka, James Joyce, Gabriel García Márquez, Ernest Hemingway e Albert Camus reconheceram a sua influência, destacando a habilidade em explorar a complexidade e o existencialismo da condição humana.
"O verdadeiro profeta do século XIX foi Dostoiévski, e não Karl Marx."
– Albert Camus
Na filosofia, pensadores como Jean-Paul Sartre, Friedrich Nietzsche e, na psicanálise, Sigmund Freud, incorporaram elementos da profundidade psicológica e da moralidade que Dostoiévski explorou nas suas obras. As suas obras distinguem-se pela complexidade psicológica das personagens, uma característica que levou Nietzsche a descrevê-lo como “o único psicólogo com quem tenho algo a aprender”, e acrescentando:
"Dostoiévski, o único psicólogo, aliás, com quem eu tinha algo a aprender; ele está entre os mais belos golpes de sorte da minha vida, ainda mais do que a minha descoberta de Stendhal."
– Friedrich Nietzsche
Desta forma, Dostoiévski é um elo fundamental entre o romantismo tradicional e o existencialismo emergente, abrindo caminho para debates sobre a liberdade humana, o conflito entre razão e emoção, e a crítica das ideologias, que marcaram não só a sua obra literária como também influenciaram múltiplas disciplinas subsequentes.
Esta perspetiva posiciona Dostoiévski como um autor cuja obra resulta da convergência de múltiplas influências, desde literárias a filosóficas e religiosas, tendo deixado um legado extenso e diversificado que repercutiu em múltiplas correntes culturais e intelectuais no século XX e até aos dias de hoje.
"Jamais vi o homem nem tive qualquer relação direta com ele, e de repente, quando morreu, percebi que era o mais próximo, o mais querido e o mais indispensável para mim."
– Lev Tolstoy.