Das canetas, fizeram cravos… 7 escritoras que fizeram “Herstory”

Por: Beatriz Sertório a 2024-03-08

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Antes dos cravos, a Revolução de Abril fez-se com lápis, canetas e máquinas de escrever por todos os escritores — e escritoras — que tiveram coragem de enfrentar a censura e registar a realidade do nosso país. Foram precisas inúmeras mulheres de canetas em riste, por todo o mundo, para alcançar as liberdades de que as mulheres usufruem hoje. Fica a conhecer sete escritoras que abriram caminho para as revoluções do futuro, algumas sobre as quais podes ler no livro Herstory: Uma História Ilustrada das Mulheres (Orfeu Negro).


Qiu Jin (1875-1907) 
China

Tendo vivido numa altura em que 90% das mulheres chinesas eram analfabetas, a poeta e ativista Qiu Jin viu-se obrigada a terminar o seu casamento e abandonar os filhos para ter acesso à educação no Japão. Em 1907, no mesmo ano em que foi executada, fundou a primeira revista feminista da China onde, entre outros temas, defendia o acesso das mulheres à educação e criticava tradições conservadoras como os casamentos combinados.


Virginia Woolf (1882-1941)
Inglaterra

No início do século XX, Woolf refletiu sobre as dificuldades inerentes ao exercício da escrita pelas mulheres e apresentou como requisito imprescindível “um quarto só seu”, um símbolo de independência económica quase inatingível para as mulheres da época. O seu pensamento pioneiro inspirou inúmeras escritoras e ativistas.


Sarojini Naidu (1879-1949)
Índia

Conhecida como uma criança prodígio e ativista, além de poeta, Naidu foi a primeira mulher indiana a tornar-se presidente do Congresso Nacional Indiano e a primeira mulher governadora da província de Uttar Pradesh. Figura de relevo no Movimento de independência da Índia, foi apelidada por Mahatma Gandhi de "o rouxinol da Índia".


Una Marson (1905-1965)
Jamaica

Poeta e dramaturga jamaicana, Una Marson tornou-se a primeira mulher negra a ser contratada pela BBC durante a Segunda Guerra Mundial para fazer programas de rádio. Ultrajada com o sexismo e o racismo que encontrou em Londres, tornou-se a primeira feminista negra a falar contra o racismo e o sexismo na Grã-Bretanha. 


Três Marias - Maria Isabel Barreno (1939-2016), Maria Teresa Horta (1937-) e Maria Velho da Costa (1938-2020) 
Portugal

Durante a ditadura do Estado Novo, as mulheres eram vistas meramente como mães, esposas e cuidadoras. Em 1972, três escritoras destemidas, que ficaram conhecidas como as Três Marias, publicaram as Novas Cartas Portuguesas, um livro revolucionário que desafiava a visão conservadora do regime em relação às mulheres. Foram interrogadas, presas e levadas a julgamento, mas, graças a elas, o país nunca mais voltaria a ser o mesmo.


No dia 8 de março, comemora-se o Dia Internacional da Mulher, um dia que celebra a luta pelos direitos das mulheres. Para comemorar este dia, pensa numa mulher que te inspira (pode ser alguém da tua família ou uma figura histórica) e escreve-lhe uma carta a expressar a tua admiração.

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