Depois de surpreender com o thriller "A Noite em que o Verão Acabou", João Tordo apresenta agora um livro num registo diferente, onde nos revela muito sobre o seu ofício: como escrever, como começar, como ler, como viver da escrita. Em "Manual de Sobrevivência de um Escritor - ou o Pouco que Sei sobre Aquilo que Faço", o autor partilha com o leitor não só a sua experiência no campo da escrita, como algumas das suas memórias e histórias de vida, porque escrever é isso mesmo: "olhar para a vida".
"Afinal, as únicas coisas que valem a pena fazer-se são aquelas que te podem partir o coração."
É com esta citação de Colum McCann que João Tordo inicia o seu mais recente livro. À semelhança de "Cartas a um Jovem Escritor" (da autoria de McCann), este apresenta-se como um manual para escritores e aspirantes, no qual o autor partilha conselhos úteis com todos aqueles que experimentam a magia da ficção. Combinando esta abordagem mais técnica com memórias pessoais, por defender que a arte não pode substituir a vida, o autor vencedor do Prémio José Saramago (2009) acredita, contudo, que "o mundo não é suficiente. Quero acrescentar-lhe e acrescentar-me a ele; e, por isso, escrevo."
Sobre a inspiração para este livro, escreve no prefácio: "Este «manual» não nasceu de uma ideia. É a consequência de milhares de horas passadas sentado a uma secretária, a tentar — palavra após palavra, uma página de cada vez — escrever um livro." Por essa razão, o livro aborda todos os aspetos inerentes à escrita e consequente publicação de um livro, dividindo-se, para esse efeito, em quatro partes: "A escrita", "Um modo de usar", "Efeitos secundários" e "Possíveis interacções". Ao longo das últimas semanas, o autor deu ainda a conhecer seis dos temas abordados neste livro, em pequenos vídeos que publicou nas suas redes sociais (nomeadamente, #1 A Fé, #2 Olhar a Vida, #3 O Enredo, #4 A Ansiedade, #5 É sobre quê?, #6 O Tédio).
Com uma mistura equilibrada de humor e pragmatismo, João Tordo oferece assim uma viagem exclusiva ao seu ofício, a partir de uma incursão no lado mais íntimo de um escritor entregue à sua mais dilacerante paixão. No final do prefácio, deixa um alerta: "Se queres ser escritor, prepara-te para ficares de coração partido."