"Apeirogon" | Desolação e beleza infinita
Apeirogon: Viagens Infinitas (Porto Editora, 2021) devia trazer instruções de uso para os mais desavisados: sinta este livro. Para percorrer os 1001 capítulos — muitos deles, brevíssimos fragmentos, frases ou imagens — que o compõem, convocamos todos os sentidos e, ainda assim, o que ele nos entrega é infinitamente maior do que aquilo que nos pede. As estatísticas do mundo e as histórias dos outros têm outro peso quando lhes atribuímos um rosto. Nas linhas de Apeirogon pulsa o coração do mundo. “Aqui, a geografia é tudo.” Ler ativamente e vestir a pele do outro é a única forma de fazermos esta cartografia das fronteiras dos homens; de aprender que o outro, apesar de profusamente regado com medo, dor e ódio, pode deixar que lhe cresçam flores no peito.