As leituras de Tom Waits

Por: Bertrand Livreiros a 2020-06-26 // Coordenação Editorial: Marisa Sousa

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Últimos artigos publicados

Enfrentar o medo com elegância poética

Numa entrevista ao Correio Braziliense, em abril, Mia Couto, biólogo e poeta moçambicano, quando questionado sobre o espaço da poesia em tempos de incerteza e sobre se o medo poderia ser enfrentado com 'elegância poética', afirmou que a poesia poderia ser boa aliada em tempos de pandemia, acrescentando que, se esta ”constituir uma visão alternativa do mundo, e não apenas uma forma de arte, então ela terá poderes para enfrentar este mundo”. “Às vezes, tudo o que resta é a palavra”, concluiu. E foi com palavras e poesia que muitos quiseram vestir os dias em que, confinados, assistiam ao medo e à morte a fazerem manchetes nas televisões — a fazer lembrar os seres descritos por Platão, na sua alegoria da caverna, que vislumbravam apenas uma ténue sombra da realidade projetada nas suas paredes. Foi a alimentar os sonhos a poesia (“Ó subalimentados do sonho! A poesia é para comer.”, Natália Correia) que muitas esperas se tornaram suportáveis porque, acreditamos, tal como Juan Ramón Jimenez, que “Apoesia, como deus, como o amor, é só fé.”

Diários da peste | Como a literatura resistiu ao confinamento

Nos últimos meses fomos engolidos por palavras mastigadas, factos e estatísticas, boletins diários de percentagens e números. E, perante a precisão científica destas palavras, ansiamos por outras, menos transparentes, que falem das coisas que a ciência não pode explicar. Assim se escrevem os Diários da Peste.

"Wonderstruck - O Museu das Maravilhas" | Do lápis de carvão para o ecrã

Um livro para os leitores mais novos deu origem a um filme para todas as idades. "Wonderstruck — O Museu das Maravilhas", de Brian Selznick, foi adaptado ao cinema por Todd Haynes, e tem estreia marcada no canal TVCine Top, este sábado, dia 1 de agosto.

Para além da música e do cinema, o músico e ator norte-americano Tom Waits, cultiva a paixão pela literatura. Na sua biografia Lowside Of The Road - A Life Of Tom Waits, escrita por Barney Hoskyns, a sua ex-namorada descreve a enorme coleção de livros e as noitadas que Tom fazia a ler até às cinco ou seis da manhã. É referida ainda a influência que autores como Jack KerouacWilliam Burroughs, da geração Beat, ou Charles Bukowski e o Nobel da Literatura, Bob Dylan, tiveram na sua música e na sua escrita enquanto compositor.

Numa entrevista à revista Mojo, Waits confessou a sua admiração por estes escritores e partilhou uma lista dos seus 10 livros preferidos.


The Americans, de Robert Frank

Considerada a obra-prima do fotógrafo Robert FrankThe Americans é uma das obras de fotografia mais influentes da História. Publicada em 1958, em França, é composta por 83 fotografias que retratam o quotidiano do cidadão comum dos Estados Unidos da América na época do pós-guerra. Sobre a origem desta, afirmou o autor: "Estava farto de romantismo", "[q]uis mostrar o que vi, pura e simplesmente." Com esta intenção em mente, fotografou o lado obscuro do sonho americano, tratando assuntos complexos como as desigualdades económicas ou o racismo. Esta linguagem artística simples e autêntica está também na origem da geração Beat, que surge na mesma altura, razão pela qual o livro inclui uma introdução escrita por Jack Kerouac.


Pic, de Jack Kerouac

Sendo uma das principais influências de Tom Waits, é apenas natural que Jack Kerouac, o mais popular autor da Geração Beat, figure nesta lista. Contudo, em vez da sua magnum opus Pela Estrada Fora, Waits prefere uma obra menos conhecida do autor - o último livro publicado por Kerouac, intitulado Pic. Publicado em 1971 (dois anos depois da morte do autor), narra a história de um rapaz chamado Pictorial Review Jackson - ou, simplesmente, Pic -, que, com apenas 10 anos, parte numa viagem de carro pelos EUA juntamente com o seu irmão, de modo a escapar a um lar disfuncional. Embora evoque ecos de Pela Estrada Fora, pelo tema da viagem, este livro, escrito a partir da perspetiva de uma criança é, acima de tudo, uma história sobre os laços familiares e uma prova de que o amor é sempre mais forte.


The Last Night of the Earth Poems e It Catches My Heart In Its Hands, de Charles Bukowski

Com dois livros seus nesta lista, Charles Bukowski é, claramente, uma das maiores inspirações de Tom Waits. The Last Night of the Earth Poems e It Catches My Heart In Its Hands são duas antologias de poesia deste que foi um verdadeiro porta-voz dos que viviam à margem da sociedade. Em entrevista à revista Mojo, Waits descreve Bukowski como "um dos mais importantes escritores de ficção, prosa e poesia da literatura contemporânea", existindo vários vídeos do músico a ler excertos dos seus poemas.

 

Tom Waits a ler um poema de Charles Bukowski.

 

Nove Histórias, de J.D. Salinger

Da autoria de J. D. Salinger, autor do clássico À Espera no Centeio, este livro reúne alguns dos melhores contos escritos em língua inglesa. Publicado pela primeira vez em 1953, inclui algumas das histórias mais populares do escritor norte-americano, tais como como Um dia ideal para o peixe-banana ou Para Esmé - Com Amor e Sordidez. 


The Collected Works of Billy the Kid, de Michael Ondaatje

Um dos 50 livros preferidos de Nick Cave, figura também na lista de Tom Waits. Da autoria do multipremiado Michael OndaatjeThe Collected Works of Billy the Kid narra a história real de William "Billy The Kid" Bonney, pseudónimo de William Henry McCarty, um pistoleiro e fora-da-lei, que  viveu no Novo México durante o século XIX. Publicado em 1970, o livro escrito em verso ficciona algumas das mais importantes façanhas de Billy, desde os alegados 21 assassinatos (o mesmo número de anos que viveu), até à sua morte às mãos do xerife Pat Garrett.

 

OUTROS LIVROS

The Stories of Breece D’J Pancake, de Breece D’J Pancake 

The Light The Dead See, de Frank Stanford

Hard Candy, de Tennessee Williams

The Old West: The Gunfighters, de Paul Trachtman

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