As Leituras de David Bowie

Por: Sofia Costa Lima a 2022-01-08 // Coordenação Editorial: Marisa Sousa

George Orwell

George Orwell

Nascido em junho de 1903, no início de um século marcado por duas guerras mundiais, o estalinismo e o nazismo, George Orwell resume na sua obra os sonhos e pesadelos do mundo ocidental nesse período.
Nasceu Eric Arthur Blair em Motihari, na Índia Britânica. O pai era um funcionário subalterno inglês e a mãe tinha origem francesa.
Após o regresso dos pais a Inglaterra, estudou na escola Henley-on-Thames, onde se distinguiu pela relativa pobreza e pelo brilhantismo intelectual.
Frequentou depois duas importantes escolas inglesas, Wellington e Eton College, onde teve como colegas Cyril Connolly e Anthony Powell. Aldous Huxley foi seu professor. Mais tarde Orwell resumiu essa experiência como "cinco anos num banho tépido de snobismo". Mas foi nessa época que conheceu duas obras que o influenciaram, A Ilha do Doutor Moreau, de H. G. Wells, e O Tacão de Ferro, de Jack London.
Ao abandonar Eton, decidiu não ir para Oxford e entrar na polícia birmanesa, embarcando para as Índias. Nos cinco anos que se seguiram, descobriu a realidade do imperialismo e recolheu material para Dias Birmaneses e para ensaios tão originais como "Matar Um Elefante" e "Um Enforcamento".
Regressado à Europa, frequentou os bairros pobres de Londres, instalando-se em Paris na Primavera de 1928. Atingido por uma pneumonia, foi internado num hospital, cujas condições terríveis inspiraram o ensaio "Como Morrem os Pobres". A convivência com os pobres e os vagabundos forneceu-lhe material para Na Penúria em Paris e em Londres, que publicou em 1933 com o pseudónimo George Orwell.
Em 1936, o Left Book Club propôs-lhe escrever um livro sobre as condições dos operários no Norte do país. Partilhou a vida dos mineiros e confirmou as suas convicções socialistas. Escreveu numerosos artigos numa abordagem que considerava "semi-sociológica", casou com Eileen O'Shaughnessy e correspondeu-se com Henry Miller, que apreciava a sua obra e ironizava com o seu idealismo. Em 1937, decidiu combater em Espanha ao lado dos republicanos, mas, em vez de se juntar às Brigadas Internacionais, ingressou na milícia do POUM, um grupo marxista heterodoxo, lutando na frente de Aragão. Foi ferido, assistindo na convalescência à eliminação pelo Partido Comunista, apoiado pela URSS, das milícias anarquistas e do POUM. Descreveu essa experiência em Homenagem à Catalunha (1938), que lhe valeu inúmeras calúnias.
Em 1939, começou por se opor à participação da Grã-Bretanha na guerra, mas depressa se voltou contra os pacifistas, acusando-os de fazerem o jogo de Hitler. A partir de 1940, fez crítica teatral e de cinema, colaborou na Partisan Review e escreveu notáveis ensaios literários sobre Dickens, Tolstoi e Shakespeare. Em 1942-43, trabalhou para o serviço indiano da BBC, uma experiência que acabaria por o dececionar.
Em 1945, publicou Rebelião na Quinta, que, com Mil Novecentos e Oitenta e Quatro, seria um libelo contra o totalitarismo estalinista que ameaçava a Europa. Em junho de 1944, o seu apartamento foi destruído nos bombardeamentos de Londres.
Em 1945, após a derrota de Hitler, foi correspondente do Observer em França e na Alemanha. Foi nesse período que a sua mulher faleceu durante uma operação. Em 1948, terminou Mil Novecentos e Oitenta e Quatro, escrito ao longo de vinte e sete meses, marcados por internamentos em sanatórios por causa da tuberculose.
Em outubro de 1949, casou com Sonia Brownell. Morreu no ano seguinte. Tinha 46 anos.

VER +
Albert Camus

Albert Camus

PRÉMIO NOBEL DA LITERATURA 1957

Albert Camus nasceu em Mondovi, na Argélia, a 7 de novembro de 1913. Licenciado em Filosofia, participou na Resistência francesa durante a Segunda Guerra Mundial e foi então um dos fundadores do jornal de esquerda Combat. Em 1957 foi consagrado com o Prémio Nobel da Literatura pelo conjunto de uma obra que o afirmou como um dos grandes pensadores do século XX. Dos seus títulos ensaísticos destacam-se O Mito de Sísifo (1942) e O Homem Revoltado (1951); na ficção, são incontornáveis O Estrangeiro (1942), A Peste (1947) e A Queda (1956). A 4 de janeiro de 1960, Camus morreu num acidente de viação perto de Sens. Na sua mala levava inacabado o manuscrito de O Primeiro Homem, texto autobiográfico que viria a ser publicado em 1994.

VER +
Truman Capote

Truman Capote

Truman Capote nasceu em Nova Orleães a 30 de setembro de 1924. Em 1948 lançou o seu romance de estreia, Outras Vozes, Outros Lugares, e alcançou um imediato êxito literário internacional, afirmando-se desde logo como um dos mais originais autores americanos do pós-guerra. Entre as suas principais obras destacam-se A Harpa de Ervas (1951), seu segundo romance que viria a dar origem à sua primeira peça para teatro, Boneca de Luxo (1958), adaptada para cinema por Blake Edwards e protagonizada por Audrey Hepburn, e A Sangue Frio (1966), obra-prima pioneira na arte da reportagem narrativa. Membro do Instituto Nacional das Artes e Letras, recebeu três vezes o Prémio O. Henry Memorial, para melhores contos. Morreu em Los Angeles a 25 de agosto de 1984.

VER +
F. Scott Fitzgerald

F. Scott Fitzgerald

Escritor norte-americano nascido a 24 de setembro de 1896, em St. Paul, no estado do Minnesota, e falecido a 21 de dezembro de 1940. Aos 13 anos, escreveu The Mystery of the Raymond Mortgage, uma história sobre um detetive que foi publicada no jornal da escola que frequentava. Depois de ter passado por uma escola católica, ingressou, em 1913, na Universidade de Princeton, mas apostou mais no desenvolvimento das suas aptidões literárias do que a estudar as matérias do seu curso. Em 1917, por exemplo, escreveu argumentos e letras para espetáculos musicais e textos humorísticos para revistas. Como constatou que não ia conseguir terminar o curso, ainda em 1917 alistou-se no exército, onde chegou a segundo-tenente. Na altura, os Estados Unidos da América estavam envolvidos na Primeira Guerra Mundial e Fitzgerald estava convencido que ia morrer em combate. Por isso, escreveu a toda a pressa o romance The Romantic Egoist. No ano seguinte, foi trabalhar para Nova Iorque e, apesar de bem sucedido no mundo da publicidade, Fitzgerald deixou o emprego em 1919 para se dedicar ao romance This Side of Paradise, onde usou material de The Romantic Egoist. No mesmo ano, começou a escrever artigos para revistas populares. Para poder ganhar mais dinheiro deixou a escrita de romances e começou a escrever histórias de ficção para jornais. As suas histórias de amor foram consideradas inovadoras e refrescantes. Em 1920, finalmente publicou This Side of Paradise, com o qual alcançou um tremendo sucesso. Logo no ano seguinte, publicou o seu segundo romance, The Beautiful and Damned. Francis Scott Fitzgerald e sua mulher entraram, entretanto, numa fase de grandes luxos participando em inúmeras festas, gastando muito dinheiro e acumulando dívidas. Em 1924, o romancista mudou-se para França, onde escreveu um dos seus livros mais marcantes, The Great Gatsby (O Grande Gatsby), que apesar de ter recebido boas críticas foi um fracasso a nível de vendas. Este romance viria a ser adaptado ao teatro e, posteriormente, ao cinema, ganhando outra visibilidade. A versão cinematográfica mais conhecida é a de 1974, realizada por Jack Clayton, tendo Robert Redford por protagonista. Fitzgerald regressou aos Estados Unidos da América em 1931, tendo tentado escrever alguns argumentos para filmes. Contudo, só conseguiu terminar um, Three Comrades, em 1938. Logo depois, foi despedido devido aos seus problemas de alcoolismo. Em 1939, começou a escrever o romance The Love of The Last Tycoon, que nunca terminaria porque morreu vítima de ataque cardíaco a 21 de dezembro de 1940. No entanto, baseado no que já deixara escrito, foi realizado, em 1976, o filme The Last Tycoon. Sob a direção de Elia Kazan estiveram os atores Robert de Niro, Robert Mitchum e Jack Nicholson. F. Scott Fitzgerald escreveu também alguns contos, entre os quais Babylon Revisited, que inspirou o filme The Last Time I Saw Paris (Última Vez Que Vi Paris), com Elizabeth Taylor.
In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2011.

VER +
Vladimir Nabokov

Vladimir Nabokov

Escritor norte-americano de origem russa, nascido em 1899 e falecido em 1977, exilou-se com a família na Inglaterra, França e Alemanha. Neste último país, escreveu, em russo, a primeira parte da sua obra literária, de entre a qual se destaca Mashenka e Glória.
Em 1940 partiu para os Estados Unidos da América, adquirindo a nacionalidade americana em 1945. Começou a escrever em inglês, mantendo, nas obras deste período, o fundo fantástico, a visão irónica da vida quotidiana e a mestria formal que já havia demonstrado, e almejou levar a cabo um retrato da sociedade norte-americana através das suas convenções culturais e posturas perante o sexo.
São dignas de nota as narrativas: "Invitation to a Beheading", "The Real Life of Sebastian Knight", "Lolita", um grande êxito editorial transposto para o cinema por S. Kubrick e cujo argumento se baseia nos amores de um homem adulto por uma adolescente, "Pale Fir", Pnin, Ada; or Ardor: A Family Chronicle" e "Speak Memory".

VER +

10%

Ilíada de Homero
24,40€
10% CARTÃO LEITOR BERTRAND
PORTES GRÁTIS

10%

Madame Bovary
15,50€
10% CARTÃO LEITOR BERTRAND
PORTES GRÁTIS

30%

O estrangeiro
12,20€
30% CARTÃO LEITOR BERTRAND
PORTES GRÁTIS

10%

O Grande Gatsby
12,90€
10% CARTÃO LEITOR BERTRAND
PORTES GRÁTIS

10%

Lolita
21,00€
10% CARTÃO LEITOR BERTRAND
PORTES GRÁTIS

10%

1984
14,00€
10% CARTÃO LEITOR BERTRAND
PORTES GRÁTIS

10%

A Sangue Frio
21,90€
10% CARTÃO LEITOR BERTRAND
PORTES GRÁTIS
Poucos artistas fizeram a diferença, não só no panorama musical, mas também artístico e cultural, de uma forma tão marcante e relevante como David Bowie. Cantor, compositor e ator, Bowie tinha, acima de tudo, a capacidade de se reinventar a cada álbum que fazia. Esta transformação regular levou a que fosse muitas vezes apelidado de camaleão.

Cada trabalho discográfico do artista britânico contava uma história, com personagens que o próprio criava e interpretava. Gostava de as contar e gostava de lê-las.

 

UM LIVRÓLICO COMO NÓS

A paixão de  David Bowie  por livros era bem conhecida. Em 1976, levou consigo quatrocentos livros quando foi para o México gravar The Man Who To Earthinaugurando a tradição de levar algumas caixas de livros sempre que ia em digressão.

Em 2013, foi organizada uma exposição dedicada ao músico, exibida na Art Gallery of Ontario , no Canadá. Os curadores da exposição, quando avaliaram que objetos de David Bowie utilizar, decidiram que fazia sentido incluir também livros do acervo do músico. Dessas escolhas resultou uma lista de cem livros recomendados por David Bowie.

Entre estes, encontram-se, por exemplo, George Orwell, Albert Camus ou  F. Scott Fitzgerald. A mesma lista foi, posteriormente, aproveitada por Duncan Jones, filho do músico, para iniciar, em 2018, um clube de leitura virtual dedicado ao pai.

Partilhamos consigo os livros preferidos do Starman.

 


 

Ilíada, de Homero

Um dos maiores poemas épicos da Grécia Antiga, Ilíada, cuja autoria é atribuída a Homero,  é considerada a obra que criou a literatura europeia. 

Neste livro, Homero fala dos acontecimentos que ocorreram durante o décimo ano da guerra de Tróia, a fim de contar a ira, o heroísmo e as aventuras de Aquiles, em luta contra Agamémnon.

Apesar de se atribuir a autoria a Homero, na verdade não se sabe ao certo quem foi nem que vida teve. Há, aliás, quem discuta se ele terá realmente existido.

 
Madame Bovary, de Gustave Flaubert

Madame Bovary  é, sem dúvida, a obra mais marcante de Gustave Flaubert, escritor francês do século XIX. É, também, um dos principais títulos da lista de David Bowie .

Publicado originalmente em 1857, gerou grande polémica, graças aos temas que aborda. Neste livro, a personagem Emma Bovary sente-se presa e aborrecida e procura no adultério um forma de escapar à vida que tem.

Na época em que foi publicado, o livro despertou tanta revolta que  Flaubert chegou a ir a tribunal, acusado de atentado à moral.

 
O Estrangeiro, de Albert Camus

O romance do Nobel da Literatura de 1957 é mais uma das escolhas de David Bowie.

O livro de Albert Camus foi originalmente publicado em 1942 e questiona o sentido da existência. A obra relata a história de Meursault, que recebe um telegrama a dar conta da morte da mãe. De regresso a casa, após o funeral, Meursault torna-se amigo de um vizinho de práticas duvidosas, reencontra uma antiga colega de trabalho com quem se envolve, vai à praia – até que ocorre um homicídio.

O livro já foi duas vezes adaptado para cinema. A primeira, em 1967, por Luchino Visconti, e em 2001, por Zeki Demirkubuz.

 
O Grande Gatsby, de F. Scott Fitzgerald

É provável que esta seja a obra mais notável de F. Scott Fitzgerald. Quando foi publicada pela primeira vez, O Grande Gatsby  não teve sucesso, a nível de vendas.

Com uma personagem peculiar como estrela, Gatsby reflete os chamados Loucos Anos 20. Nota-se também muita influência do ambiente vivido em Paris, onde Fitzgerald escreveu a história.

O livro foi adaptado para teatro e cinema. A mais recente adaptação, em 2013, conta com Leonardo DiCaprio no papel de Gatsby. Veja o  trailer aqui .

 
Lolita, de Vladimir Nabokov

Publicado pela primeira vez em 1955,  Lolita  gerou desde logo grande controvérsia. Talvez por isso, ainda seja a obra mais conhecida de Nabokov.

O livro conta a história de Humbert, professor universitário de meia-idade, e da obsessão que este desenvolve por Lolita, de 12 anos.

Polémicas à parte, o livro já foi por diversas vezes adaptado ao cinema e é considerado um dos grandes clássicos da literatura do século XX.

 
1984, de George Orwell

Apesar de ter sido publicado inicialmente em 1949, o livro de George Orwell mantém-se atual e obrigatório. David Bowie iria certamente concordar.

Passado numa realidade distópica, 1984  oferece uma crítica aos sistemas totalitários.

Este livro é, talvez, aquele que tem uma influência mais evidente na música de David Bowie. O álbum “Diamond Dogs",  de 1974, inclui temas como “ 1984 ” e “ Big Brother “, o que mostra de forma clara a influência que a obra teve no músico.

 
A Sangue Frio, de Truman Capote

Considerada uma das obras que criou o conceito e género de Jornalismo Literário, A Sangue Frio conta a história do terrível crime que ocorreu em Holcomb, no estado norte-americano do Kansas. Em 1959, a família Clutter foi assassinada em casa e Truman Capote  investigou o homicídio, tendo, em 1965, conseguido publicar toda a história, em quatro partes, na revista The New Yorker.

Além do foco na história da família e no crime, Capote também se focou muito nos assassinos e nos seus motivos. A obra, que mistura, com mestria, jornalismo de investigação e literatura, ainda hoje é considerada leitura obrigatória para os amantes da literatura de não-ficção.

 

Conheça a lista completa dos livros recomendados por David Bowie aqui.

X
O QUE É O CHECKOUT EXPRESSO?

O ‘Checkout Expresso’ utiliza os seus dados habituais (morada e/ou forma de envio, meio de pagamento e dados de faturação) para que a sua compra seja muito mais rápida. Assim, não tem de os indicar de cada vez que fizer uma compra. Em qualquer altura, pode atualizar estes dados na sua ‘Área de Cliente’.

Para que lhe sobre mais tempo para as suas leituras.