As festas literárias dos autores famosos

Por: Sónia Rodrigues Pinto a 2019-08-14 // Coordenação Editorial: Marisa Sousa

Carson McCullers

Carson McCullers

Carson McCullers nasceu na Georgia em 1917 e começou a escrever desde muito cedo. Com apenas 23 anos publicou O Coração É Um Caçador Solitário (1940), um livro muito bem recebido pelo público e pela crítica, que foi adaptado ao cinema e ao teatro e recentemente eleito um dos 100 melhores romances do século XX. No ano seguinte, saiu Reflexos Num Olho Dourado, que viria a ser imortalizado pelo filme com o mesmo título, realizado por John Huston e protagonizado por Marlon Brando e Elizabeth Taylor. Ambos os romances encontram-se publicados pela Presença nesta coleção. A extensa bibliografia da autora inclui ainda outros títulos que ficaram célebres, como The Member of the Wedding (1946) e A Balada do Café Triste (1951).
Carson McCullers morreu em Nova Iorque em 1967.

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Maya Angelou

Maya Angelou

Maya Angelou (1928-2014) foi uma das mais destacadas vozes das artes e letras norte-americanas. Escritora, poeta, cantora e ativista dos direitos humanos, tornou-se conhecida sobretudo pelas suas sete autobiografias, que são também uma história da América. Ao longo de 50 anos, escreveu ainda ensaios, coletâneas de poemas, peças de teatro e guiões para filmes, que lhe valeram mais de meia centena de prémios. Na sua juventude foi ajudante de cozinha, dançarina em clubes noturnos, prostituta, fez parte do elenco do musical Porgy and Bess e foi jornalista no Egipto e no Gana durante os tempos da descolonização. Ativista dos direitos civis, trabalhou com Martin Luther King Jr. e Malcolm X. A partir de 1990, começou a dar palestras um pouco por todo o mundo, missão que prolongou até depois dos 80 anos. Em 1993, recitou um dos seus poemas na inauguração do primeiro mandato do presidente Bill Clinton.

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Kingsley Amis

Kingsley Amis

Escritor inglês, Sir Kingsley Amis nasceu em 1922, em Londres, no seio de uma família da classe média baixa, da qual ascendeu sobretudo graças à sua força de vontade. Estudou na City of London School e no St. Jonh's College, em Oxford.
Após ter cumprido o serviço militar no Royal Corps of Signals, Amis completou os seus estudos universitários e trabalhou como Leitor de Inglês na University College of Swansea (1948-1961), em Cambridge (1961-63), e nos Estados Unidos da América, não sem terem decorrido cerca de vinte anos de carreira antes de poder subsistir como escritor a tempo inteiro.
Homem de astúcia e génio ousado, ganhou a reputação de boémio, bebedor e grande frequentador dos Clubs ingleses. Um radical enquanto jovem adulto, Amis tornou-se posteriormente conhecido pela sua crítica conservadora da vida e costumes seus contemporâneos.
O seu talento viria a manifestar-se em diversos géneros literários. À altura da sua morte, com 73 anos de idade, Amis havia publicado dezenas de volumes de poesia, contos, coletâneas de ensaios e de crítica, mas foi principalmente como romancista que se destacou. A sua obra mais conhecida é o seu romance de estreia, Lucky Jim (1954), no qual o protagonista é o anti-herói Jim Dixon, que viria a reaparecer em That Uncertain Feeling, publicado em 1956, e filmado em 1962 com a presença de Peter Sellers, e I Like It Here (1958), de cariz xenofóbico e cuja ação decorre em Portugal.
Amis era grande apreciador de romances policiais e de ficção científica. Após a morte de Ian Fleming, em 1964, escreveu uma aventura de James Bond, Colonel Sun (1968), e um estudo sobre o espião mundialmente famoso, The James Bond Dossier (1965). Publicou também policiais, o estudo crítico Rudyard Kipling And His World (1975), Memoirs (1990) e The King's English, uma série de pequenos ensaios sobre a arte de bem escrever. Dedicou também algumas obras ao álcool, On Drink (1972), How's Your Glass (1984) e Everyday Drinking (1983). As grandes desilusões do escritor, que se desenrolaram em azedume em algum do seu trabalho mais tardio, podem ser notadas em Wasted (1973). O seu último romance, inacabado, Black and White, fala-nos de uma atração entre um homem homossexual branco e uma mulher heterossexual negra.
Em 1986 foi galardoado com o Booker Prize pelo título The Old Devils e, em 1990, armado cavaleiro. É pai do autor Martin Amis.

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F. Scott Fitzgerald

F. Scott Fitzgerald

Escritor norte-americano nascido a 24 de setembro de 1896, em St. Paul, no estado do Minnesota, e falecido a 21 de dezembro de 1940. Aos 13 anos, escreveu The Mystery of the Raymond Mortgage, uma história sobre um detetive que foi publicada no jornal da escola que frequentava. Depois de ter passado por uma escola católica, ingressou, em 1913, na Universidade de Princeton, mas apostou mais no desenvolvimento das suas aptidões literárias do que a estudar as matérias do seu curso. Em 1917, por exemplo, escreveu argumentos e letras para espetáculos musicais e textos humorísticos para revistas. Como constatou que não ia conseguir terminar o curso, ainda em 1917 alistou-se no exército, onde chegou a segundo-tenente. Na altura, os Estados Unidos da América estavam envolvidos na Primeira Guerra Mundial e Fitzgerald estava convencido que ia morrer em combate. Por isso, escreveu a toda a pressa o romance The Romantic Egoist. No ano seguinte, foi trabalhar para Nova Iorque e, apesar de bem sucedido no mundo da publicidade, Fitzgerald deixou o emprego em 1919 para se dedicar ao romance This Side of Paradise, onde usou material de The Romantic Egoist. No mesmo ano, começou a escrever artigos para revistas populares. Para poder ganhar mais dinheiro deixou a escrita de romances e começou a escrever histórias de ficção para jornais. As suas histórias de amor foram consideradas inovadoras e refrescantes. Em 1920, finalmente publicou This Side of Paradise, com o qual alcançou um tremendo sucesso. Logo no ano seguinte, publicou o seu segundo romance, The Beautiful and Damned. Francis Scott Fitzgerald e sua mulher entraram, entretanto, numa fase de grandes luxos participando em inúmeras festas, gastando muito dinheiro e acumulando dívidas. Em 1924, o romancista mudou-se para França, onde escreveu um dos seus livros mais marcantes, The Great Gatsby (O Grande Gatsby), que apesar de ter recebido boas críticas foi um fracasso a nível de vendas. Este romance viria a ser adaptado ao teatro e, posteriormente, ao cinema, ganhando outra visibilidade. A versão cinematográfica mais conhecida é a de 1974, realizada por Jack Clayton, tendo Robert Redford por protagonista. Fitzgerald regressou aos Estados Unidos da América em 1931, tendo tentado escrever alguns argumentos para filmes. Contudo, só conseguiu terminar um, Three Comrades, em 1938. Logo depois, foi despedido devido aos seus problemas de alcoolismo. Em 1939, começou a escrever o romance The Love of The Last Tycoon, que nunca terminaria porque morreu vítima de ataque cardíaco a 21 de dezembro de 1940. No entanto, baseado no que já deixara escrito, foi realizado, em 1976, o filme The Last Tycoon. Sob a direção de Elia Kazan estiveram os atores Robert de Niro, Robert Mitchum e Jack Nicholson. F. Scott Fitzgerald escreveu também alguns contos, entre os quais Babylon Revisited, que inspirou o filme The Last Time I Saw Paris (Última Vez Que Vi Paris), com Elizabeth Taylor.
In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2011.

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Muitos dos nossos autores favoritos não são propriamente conhecidos por gostarem de sair da sua zona de conforto. Salvo raras excepções, os escritores preferem um sítio sossegado, onde possam desenvolver os seus trabalhos sem interrupções.

Mas quem não aprecia uma boa festa de vez em quando? Inspirados por um artigo do site Literary Hub , escrito por Emily Temple , quisemos dar a conhecer a história das grandes festas literárias,  que ficaram famosas pelo seu carácter insólito e que culminaram numa amizade para muitos anos… Ou num ódio de estimação inesquecível. 

 


 

Ilustração via LitHub

 
O Festival de St. James, ou quando F. Scott Fitzgerald conheceu James Joyce

Sylvia Beach , fundadora da icónica livraria Shakespeare and Company , em Paris, e primeira editora de Ulisses (1922), organizou, a 27 de junho de 1928, um jantar que ficaria conhecido como o Festival de St. James , ou a noite em que F. Scott Fitzgerald  conheceu James Joyce.   

O autor de O Grande Gatsby (1925), tinha um fascínio enorme por Joyce , mas algum receio e timidez impediam-no de se apresentar formalmente. Por essa razão, e como descreve Beach na sua autobiografia , organizou-se um jantar que tinha como convidados “os Joyces, os Fitzgeralds, André Chamson e a sua mulher, Lucie” . A memória deste jantar ficou retratada num desenho feito por Fitzgerald : James Joyce  sentado na mesa, com uma auréola na cabeça, o escritor americano ajoelhado ao seu lado e Sylvia Beach e a companheira de então, Adrienne Monnier , nos topos da mesa, retratadas como sereias.

“Diz-se” , escreveu a biógrafa Noël Riley Fitch , “que ele tentou mostrar a sua estima pelo escritor irlândes – a quem se dirigia como ‘senhor’ -, ao tentar saltar pela janela” . Outra fonte afirma que Fitzgerald se ajoelhou perante Joyce , beijou a sua mão e declarou: “How does it feel to be a great genius, sir? I am so excited at seeing you, sir, that I could weep” .

 
 

Fotografia via  Pinterest

 
Quando Carson McCullers recebeu Karen Blixen e Marilyn Monroe

De acordo com a biógrafa Virginia Spencer Carr , nas primeiras semanas de 1959, Carson McCullers , autora de O Coração é um Caçador Solitário (1940), foi a um dos eventos literários de Karen Blixen , conhecida pelo pseudónimo Isak Dinesen .

Em conversa, a autora dinamarquesa de Out of Africa (1937) disse a McCullers que as únicas pessoas que queria conhecer nos Estados Unidos, para além dela, seriam e. e. cummings , Ernest Hemingway e Marilyn Monroe .  Ainda que os primeiros dois não estivessem disponíveis, a escritora americana prometeu um encontro com Monroe

A festa ficou marcada para 5 de fevereiro desse ano, onde estaria também Arthur Miller , com quem a atriz estava casada na altura. Depois de um jantar composto principalmente “por ostras, uvas verdes e champanhe” – exigências de Blixen -, Carson e as duas convidadas dançaram, supostamente, em cima da mesa de mármore onde haviam jantado momentos antes. 

O dramaturgo americano, no entanto, não acredita que tal tenha acontecido, devido aos problemas de saúde graves que as escritoras tinham. McMiller , no entanto, adorava falar sobre aquela noite e recontava-a várias vezes.

 
 

Imagem via LitHub

 
O encontro às 2h30 da manhã entre Marcel Proust e James Joyce

O autor francês de Em Busca do Tempo Perdido (1913) e James Joyce conheceram-se numa espécie de blind date , onde Pablo Picasso e Igor Stravinsky também estariam incluídos. A reunião foi organizada por Sydney e Violet Schiff, patronos de arte britânicos, que pretendiam juntar os “melhores artistas contemporâneos” no mesmo espaço. 

Proust apareceu por volta das 2h30 da manhã, altura em que Joyce já se encontrava a dormir. Acabou por acordar e ambos foram apresentados; os relatos daquilo que se passou a seguir não são propriamente positivos. O escritor irlandês disse “A nossa conversa consistia apenas na palavra ‘não’. Proust perguntou-me se eu conhecia o duque tal, ao que respondi ‘não’. A nossa anfitriã perguntou a Proust se tinha lido Ulisses , e ele respondeu ‘não’. Claro que a situação era impossível – o dia de Proust estava a começar e o meu a acabar”

 
 

Maya Angelou a dançar com o poeta Amiri Baraka (1991).
Fotografia: The New York Times

 
A festa que deu origem ao livro mais conhecido de Maya Angelou

Apesar de não ser considerada especialmente lendária , o mesmo não se pode dizer do livro de memórias de Maya Angelou , Sei Porque Canta o Pássaro na Gaiola (1969). A descrição daquilo que aconteceu na festa é retratado por Sam Roberts no The New York Times .

Após a morte de Martin Luther King, a 4 de abril de 1968, que coincidiu com o 40.º aniversário da escritora, James Baldwin levou-a a jantar a casa da biógrafa Judy Feiffer.  Aí, a autora afro-americana conquistou os convidados  – entre os quais se encontrava, também, o romancista  Philip Roth –  com as suas histórias . Os seus relatos eram angustiantes: desde a sua juventude nos bairros segregados do Sul, à violação que sofreu pelo namorado da mãe quando tinha oito anos. 

Nessa noite, Judy Feiffer apresentou Maya Angelou a um editor na Random House, por acreditar que as memórias da escritora mereciam ficar eternizadas em papel. Angelou resistiu a todas as insistências para que se escrevesse um livro sobre as suas experiências, até ao dia em que, incapaz de continuar a renunciar tal convite, acabou por aceitar. 

O editor, Robert Loomis, disse de forma provocadora: “Escrever uma autobiografia enquanto literatura é simplesmente impossível” , ao que Angelou corajosamente respondeu: “Vou tentar” .

Foi, obviamente, bem sucedida. 

 
 

Fotografia via LitHub

 
Roald Dahl conheceu Kingsley Amis e o ódio foi instantâneo

O escritor de literatura infantil conheceu Kingsley Amis  numa festa organizada por Tom Stoppard,  em 1972. Segundo consta, Dahl depressa começou a falar sobre dinheiro, sugerindo a Amis que, se quisesse realmente ganhar dinheiro enquanto escritor, devia tentar escrever para crianças. A tensão era, naturalmente, palpável.

O biógrafo Donald Sturrock escreveu que o autor de A Sorte de Jim se sentia ofendido pela sugestão de que a sua própria escrita não lhe estivesse a trazer dinheiro. Paralelamente, o progenitor da pequena Matilda sentia-se vulnerável no ambiente em que se encontrava, onde a grande maioria dos escritores britânicos, entre eles Amis , não respeitavam a literatura infantil como literatura verdadeira. 

 

 
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