Joaquim Maria Machado de Assis é considerado um dos maiores nomes da literatura brasileira, com as suas obras a fazerem um excelente retrato da sociedade da sua época, mas não deixando de tocar em aspetos que se mantêm atuais até nos dias de hoje.
Em data de aniversário, partilhamos sete curiosidades (e sete citações) sobre o fundador da Academia Brasileira de Letras.
7 CURIOSIDADES SOBRE MACHADO DE ASSIS
1. Durante grande parte da vida só lhe aconteceram desgraças. "Tinha tudo para não dar certo", como alguém chegou a dizer. Quando tinha seis anos, morreu-lhe a irmã, com sarampo, e aos dez morre-lhe a mãe (açoriana), de tuberculose. Ele escapa à febre-amarela. O pai (um escravo mulato) volta a casar, mas, poucos anos depois, também morre.
“Descobri uma lei sublime, a lei da equivalência das janelas, e estabeleci que o modo de compensar uma janela fechada é abrir outra, a fim de que a moral possa arejar continuamente a consciência.”
2. Desde os 13 ou 14 anos, frequentou o Real Gabinete Português de Leitura, no Rio de Janeiro, onde teve oportunidade de ler os que são "incontestavelmente os grandes mestres da ilustração da língua". O escritor brasileiro elegeu como um dos seus mestres Almeida Garrett, renovador da língua portuguesa no seu século. Com 15 anos publicou o seu primeiro poema, “Ela”, na revista literária Marmota Fluminense.
“Escrever é uma questão de colocar acentos.”
3. Machado de Assis era gago e tinha ataques de epilepsia. Frequentou a escola pouco tempo e começou a trabalhar cedo, aos 16 anos, na tipografia de um amigo.
“O maior pecado, depois do pecado, é a publicação do pecado.”
4. Adorava jogar xadrez e chegou a participar no primeiro campeonato disputado no Brasil. As peças usadas pelo escritor estão em exposição na Academia Brasileira de Letras.
“As melhores mulheres pertencem aos homens mais atrevidos.”
5. Só depois de ter casado. em 1869, com Carolina Augusta Xavier de Novais, uma portuguesa culta e mais velha do que ele, é que Machado de Assis começou a produzir as obras que lhe trouxeram a posteridade. Com a morte de Carolina, Machado entrou em profunda depressão. Numa carta ao amigo Joaquim Nabuco, lamenta: “foi-se a melhor parte da minha vida, e aqui estou só no mundo”.
“Trata de saborear a vida; e fica sabendo, que a pior filosofia é a do choramingas que se deita à margem do rio para o fim de lastimar o curso incessante das águas. O ofício delas é não parar nunca; acomoda-te com a lei, e trata de aproveitá-la.”
6. Memórias Póstumas de Brás Cubas - "uma obra extravagante em qualquer parte do mundo", diz o professor de Literatura Brasileira na Universidade Nova de Lisboa Abel Barros Baptista – é narrado na primeira pessoa. Brás Cubas, um homem que já morreu e que deseja escrever a sua autobiografia, repleto de ironia, aproveita a oportunidade para criticar a sociedade do seu tempo. O burguês ironiza sobre si próprio e sobre a vida que levou enquanto vivo, ilustrando como a sua perspetiva se modificou depois de morto.
“A mentira é muita vez tão involuntária como a respiração.”
7. Durante toda a sua carreira, Machado de Assis utilizou 21 pseudónimos e foi um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras, em 1897, onde foi o primeiro presidente a ser eleito por unanimidade.
“Está morto: podemos elogiá-lo à vontade.”
Fontes: Jornal Público, Estante Virtual