Se for um verdadeiro “Swiftie”, de certeza que já está habituado a analisar todas as referências escondidas nas letras das canções de Taylor Swift. Mas será que sabe que elas são fortemente influenciadas pela literatura? Na semana em que Portugal recebe a cantora e compositora pela primeira vez, para dois concertos nos dias 24 e 25 de maio, partilhamos cinco livros recomendados por um dos maiores fenómenos de sempre do mundo da música.
Mataram a Cotovia, de Harper Lee
É um clássico intemporal, e foi, nas suas próprias palavras, um dos livros que mudou a vida de Taylor Swift. Obra vencedora do Prémio Pulitzer, acompanha o crescimento de uma rapariga numa pequena cidade imaginária do Alabama durante a Grande Depressão, numa sociedade profundamente racista. Segundo a editora discográfica Big Machine Label Group, a cantora admitiu a influência desta obra-prima da literatura norte-americana na composição das suas canções e afirmou sobre a mesma: “Quando lemos uma narrativa como a de Mataram a Cotovia, de Harper Lee, isso faz a nossa mente vaguear". "Faz-nos sentir como se o nosso mundo fosse mais vasto. E pensamos em mais coisas e em conceitos maiores depois de lermos algo assim."
O Grande Gatsby, de F. Scott Fitzgerald
Outro clássico incontornável, O Grande Gatsby, de F. Scott Fitzgerald, é referenciado em mais do que uma canção de Taylor Swift. O exemplo mais óbvio é o verso da canção This Is Why We Can't Have Nice Things, que diz “feeling so Gatsby for that whole year” (a sentir-me tão Gatsby durante o ano inteiro), mas existem também múltiplas referências na canção Happiness, tais como o verso "all you want from me now is the green light of forgiveness" (tudo o que queres de mim agora é a luz verde do perdão), que os fãs acreditam fazer menção à luz verde que Gatsby vê cintilar do outro lado da baía. Este que foi o terceiro romance e a magnum opus do autor norte-americano, acompanha a história de amor de Jay Gatsby e Daisy, tendo como pano de fundo os “loucos anos 20” e os vícios e prazeres da alta sociedade da época.
Rebecca, de Daphne du Maurier
"A noite passada sonhei que voltava a Manderley." Assim começa a obra mais popular da britânica Daphne du Maurier, frequentemente considerada uma das melhores frases de abertura literárias de sempre. Romance gótico de suspense que deu origem a um filme de Alfred Hitchcock, inspirou ainda uma das faixas do álbum Evermore de Taylor Swift, intitulada Tolerate It. Nele, duas mulheres envolvem-se com o mesmo homem, com uma particularidade singular: Rebecca está morta, e é o fantasma, embora nunca visível, do seu passado que assombra a nova mulher. Num vídeo da Apple Music em que Taylor Swfit discute o processo de composição do álbum Evermore, a cantora e compositora confessou: "Quando estava a ler [este livro], havia uma parte de mim que se relacionava com isso, porque em algum momento da minha vida senti-me assim, e por isso acabei por escrever a canção Tolerate it."
Conversas Entre Amigos, de Sally Rooney
Tal como Taylor, Sally Rooney está habituada a causar controvérsia. Os seus romances costumam receber uma de duas reações por parte dos seus leitores: ou os adoram ou odeiam. No caso da cantora e compositora de 34 anos, foi amor à primeira leitura. Sobre Conversas Entre Amigos, a estreia literária da escritora irlandesa, admitiu Taylor numa entrevista: “Gosto muito do livro dela. [...] Gosto do tom que ela usa quando está a escrever. Acho que é como estar dentro da mente de alguém.” Passado em Dublin, segue a vida de quatro amigos que se envolvem num complexo ménage-à-quatre. Até que que duas partes deste quarteto, Frances e Nick, tornam-se inesperadamente mais íntimos, e a jovem, até então despreocupada e emocionalmente desprendida, é confrontada pela primeira vez com as suas próprias vulnerabilidades.
Belos e Malditos, de F. Scott Fitzgerald
Claramente um dos autores preferidos de Swift, F. Scott Fitzgerald volta a aparecer na lista, desta vez com Belos e Malditos. Escrito quando o autor tinha apenas vinte e cinco anos, tem como inspiração o seu primeiro encontro com a bela e desconcertante Zelda Sayre, com quem viria a casar. Sobre este romance que nos fala dessa força que atrai os belos desprevenidos para a maldição, a cantora afirmou numa entrevista: “É algo que [o autor] fez tão bem, descrever uma cena tão maravilhosamente entrelaçada com ricas revelações emocionais, que o leitor escapa da sua própria vida por um momento". Há até quem acredite que a canção e o videoclipe de Blank Space é influenciado por este livro — desde o cenário e a estética do vídeo, a versos como “new money, suit and tie” (dinheiro novo, fato e gravata), que parecem ecoar esta obra de 1922 sobre o amor extravagante, luxuoso e conturbado de um jovem casal em Nova Iorque.