5 escritores contemporâneos franceses que precisa mesmo de conhecer

Por: Beatriz Sertório a 2023-11-22 // Coordenação Editorial: Marisa Sousa

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Dans Ces Bras-Là
12,35€
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Sarah, Susanne Et L'Écrivain
24,56€
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Triste Tigre
26,85€
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20%

De Noite Todo o Sangue é Negro
18,00€
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10%

Comme Un Empire Dans Un Empire
10,14€
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Em França, já fazem cabeçalhos e esgotam exemplares, mas em Portugal ainda pouco ou nada se fala sobre eles. Se tem por hábito ler em francês, a nossa vasta seleção de livros em língua francesa é uma ótima oportunidade de ficar a conhecer o que de melhor se escreve nos países francófonos antes de chegar aos holofotes internacionais. Tome nota destes cinco nomes que ainda vão correr o mundo.

 

Camille Laurens

Atual membro do júri do prémio Goncourt, Laurence Ruel, mais conhecida pelo pseudónimo Camille Laurens, nasceu em 1957 e conta já com mais de uma dezena de obras publicadas. Destas, apenas duas foram traduzidas para português, em edições atualmente esgotadas. Ganhou notoriedade em França depois de ganhar o prémio Femina no ano 2000 pelo romance Dans ces brás-là onde se dedica a uma obsessão assumida: os homens; do primeiro ao último  pai, avô, filho, irmão, amigo, amante, marido, chefe, colega  na ordem ou na desordem do seu aparecimento na sua vida.

Para além da ficção, Camille Laurens é autora de vários ensaios onde estuda, entre outros assuntos, a representação da mulher na arte e a medida em que o feminino é tabu na consciência colectiva.

 

Éric Reinhardt

Foi por pouco que Éric Reinhardt, de 58 anos, não arrecadou o Prémio Goncourt 2023. Sarah, Susanne et l’Écrivain, o seu nono romance, foi apontado por vários críticos e alguns membros do júri como o favorito para vencer, mas a Academia considerou que Veiller sur elle, de Jean-Baptiste Andrea, apelaria a um público mais vasto. Didier Decoin, membro da Academia Goncourt é, contudo, o primeiro a admitir que ambos os livros são excelentes, e que “a culpa é dos autores que são demasiado talentosos”. Neste seu mais recente romance, Reinhardt conta as histórias complexas e entrelaçadas de mulheres que lutam para se libertarem de maridos medíocres e dominadores: Sarah, uma dona de casa insatisfeita que abandona temporariamente o marido, e Susanne, o seu duplo fictício, criado por um escritor que Sarah admira.

 

Neige Sinno

Entre os finalistas do Prémio Goncourt 2023, encontrava-se igualmente Neige Sinno, de 46 anos, com o romance Triste Tigre, Foi, contudo, o grande vencedor do prémio Femina 2023, que contava entre os finalistas na categoria de romance estrangeiro o igualmente premiado Misericórdia de Lídia Jorge. Nele, a autora relata de forma duramente pessoal o abuso sexual do padrasto “numa espécie de rebelião ensandecida”, nas suas palavras. Entre a obra de Sinno, conta-se La Vie des Rats, um livro de contos editado em 2007, e o romance Le Camion, de 2018. Triste Tigre, o terceiro livro, já teve cinco reedições e terá vendido mais de 80 mil exemplares em França. Nas palavras da jornalista Alice Develey, “é uma autópsia, um ensaio, uma confissão. Resiste à categorização”.

 

David Diop

Nascido em 1966, de uma mãe francesa e um pai senegalês, David Diop tornou-se conhecido do público português com De Noite Todo o Sangue é Negro, vencedor do International Booker Prize em 2021. No entanto, o resto da sua obra ainda não foi editada em Portugal. O seu primeiro romance 1889, L'Attraction Universelle, publicado em 2012, acompanha a viagem de uma delegação de onze pessoas do Senegal à Exposição Universal de 1889, em Paris. Inesperadamente, acabam por ir parar a um pequeno circo em Bordéus, onde o diretor tenta obrigá-los a participar num espetáculo de negros. Por sua vez, o seu mais recente romance La Porte du voyage sans retour trata da obsessão de um francês pelo destino misterioso de um escravo fugitivo no Senegal, tendo como pano de fundo a ocupação colonial francesa. A guerra e a violência da mesma sobre os corpos negros é um dos temas recorrentes na sua obra ainda curta mas notável.

 

Alice Zeniter

Curiosamente, a multipremiada Alice Zeniter ainda não se estreou no mercado literário português. Romancista, tradutora, argumentista, dramaturga e diretora, começou a escrever com apenas 16 anos e desde então ganhou o prémio Prix Renaudot des lycéens pelo seu terceiro romance, Juste avant l'Oubli, e o Prémio Goncourt des lycéens pelo quarto, L'Art de Perdre. No seu mais recente livro Comme un empire dans un empire, conta a história de Antoine, um assistente parlamentar, e L, uma hacker, duas pessoas que dedicaram as suas vidas a um compromisso político, oficial ou clandestinamente. O resultado é uma reflexão original e impactante sobre o significado de dedicar uma vida à política nos dias de hoje.

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