10 escritoras esquecidas pela História

Por: Beatriz Sertório a 2021-04-26 // Coordenação Editorial: Marisa Sousa

Bonnie G. Smith

Bonnie G. Smith, nascida em 1940 em Bridgeport, Connecticut, é Board of Governors Distinguished Professor of History na Universidade Rutgers, nos EUA. Entre as suas numerosas obras sobre a história das mulheres e do género, destacam-se The Gender of History (2012), World in the Making: A History (2019) e uma nova edição de Women’s Studies: The Basics (2020).

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"Almoço de domingo" | "Ser patriarca é, em grande medida, sobreviver”

Nas entrelinhas do novo romance de José Luís Peixoto, provamos o Alentejo. As páginas têm jeito de fumeiro, cada linha semelhante ao varão onde se apresentam as farinheiras, os chouriços, as morcelas, os paios e as paiolas. Almoço de Domingo é uma biografia a pedir para ser saboreada, um romance escrito com o paladar entre a língua. É a história do menino que levou as fêveras do porco, morto no dia anterior, até à casa do doutor. Do homem que sonhou “fazer uma casa como é devido”, e que acabou a construir um império com gosto a torrões de café. A história de um marido, pai, avô e bisavô, chefe de família e empresário, que não desistiu de si mesmo nem da terra onde nasceu.

Ouça(-os) com atenção | 11 podcasts que tem de conhecer

As probabilidades de se interessar por este artigo até ao fim aumentariam se o disponibilizássemos em versão áudio — apesar de não prometermos a voz melodiosa de Morgan Freeman ou de Bob Ross. Pelo seu formato e flexibilidade, os podcasts são a opção ideal para quem gosta de se manter informado e, de preferência, se prefere fazê-lo enquanto desempenha outras tarefas. De entre a imensa oferta que o mercado já apresenta, fomos descobrir alguns podcasts, com selo português, que alimentam, alto e em bom som, o amor pela literatura e espicaçam a descoberta de novos autores e livros. Ouça com atenção e prepare a sua lista.

8 curiosidades sobre a língua portuguesa

No dia em que celebramos esta pátria tão mais rica e extensa do que o limite das nossas fronteiras que é a da língua portuguesa, partilhamos consigo oito curiosidades sobre a nossa língua que pode encontrar nos livros Almanaque da Língua Portuguesa e História do Português desde o Big Bang, de Marco Neves.

A História que nos é ensinada na escola é, quase sempre, predominante no género masculino. Conhecemos a história dos soldados, dos generais, dos políticos, dos tiranos, dos escritores, dos filósofos, dos cientistas e dos astronautas que mudaram o mundo e, por vezes, o nome das suas mulheres, mas raramente conhecemos a história das mulheres que ajudaram a moldar o mundo como o conhecemos hoje, par a par com estes homens. Foi com o intuito de colmatar esta falha, de uma imagem de "um passado inteiramente masculino", que Bonnie G. Smith escreveu Mulheres na História do Mundo.

Este livro editado pela Temas e Debates, compila a História das mulheres ao longo dos últimos cinco séculos, desde escritoras chinesas aclamadas do século XVII, a camponesas iletradas da Índia que aprendiam sozinhas a ler e a escrever, ou imperatrizes russas dos inícios da Idade Moderna. Partilhando a missão de Smith de recuperar os nomes femininos que o tempo apagou, recordamos aqui 10 autoras que, apesar de largamente desconhecidas, ajudaram a escrever a História da literatura tal como a conhecemos hoje.


1. Murasaki Shikibu (c. 973-1014)

Talvez já tenha ouvido falar no Romance de Genji, frequentemente referido como sendo o primeiro romance da História, mas conhece a mulher que o escreveu? Murasakai Shikibu (nome que se acredita ser um pseudónimo de Fujiwara no Kaoriko) foi uma romancista, poetisa e dama da corte imperial japonesa. Nascida no século X, foi uma verdadeira pioneira da História da Literatura - não só pelo género literário desta obra, mas também pela língua em que a escreveu, - em japonês, a sua língua materna - , numa altura em que todos os homens instruídos exibiam o seu conhecimento da língua chinesa, mais prestigiada à época.

Em O Romance de Genji, Shikibu descreve a vida que as mulheres nobres e da realeza levavam, enquanto residentes na corte japonesa, desconstruindo, e até parodiando, a fantasia que muitas destas mulheres partilhavam de um príncipe que as conquistasse e as libertasse das suas vidas mundanas.

 

 

 

2. Christine de Pisan (c. 1364-1430)

Nascida em Veneza, no século XIV, Christine de Pisan (ou Christina da Pizzano), serviu como escritora e poetisa na corte do rei francês Carlos VI, tendo obtido assim a dupla nacionalidade franco-italiana. Tendo sido uma das primeiras (se não a primeira) mulheres em França a viver da escrita e tendo-o feito de forma a poder sustentar a sua família (ficou viúva ainda jovem e perdeu o pai pouco depois), Christine reconhecia a importância de retratar nas Letras a valentia e a força femininas. Por essa razão, nas suas obras, louvava a conduta virtuosa das mulheres e os seus atos heroicos, num claro ataque à misoginia presente no meio literário, e na sociedade em geral.

Num dos seus romances mais célebres, o Romance da Rosa (também conhecido como Cidade das mulheres), criou uma cidade simbólica na qual as mulheres são respeitadas e apreciadas, e que povoou com inúmeras mulheres de prestígio. É também autora de um importante poema de homenagem a Joana d'Arc no qual narra o seu contributo precioso para que o rei Carlos VII conquistasse o poder.

 

 

3. Chandravarti (1550-1600)

Filha de um poeta e artista de rua, Chandravarti foi uma poetisa do atual Bangladesh, popularmente considerada como a primeira mulher a escrever poesia em bengalês. A sua obra mais conhecida é uma versão do épico Ramayana, uma gigantesca história antiga do deus Rama. No relato convencional, Rama é o deus que se debate para libertar a sua consorte Sita das garras do rei maléfico e da sua irmã, cujos avanços Rama repeliu. Chandravarti, pelo contrário, reformula a história de modo a dar o protagonismo a Sita, a esposa fiel que obedece às suas responsabilidades e sofre as consequências da sua lealdade incorruptível.

 

4. Emilia Lanier (1569-1645)

Também conhecida como Aemilia Bassano, Emilia Lanier foi uma das primeiras mulheres a publicar poesia em Inglaterra. A sua obra mais importante, Salve Deus Rex Judaeorum, publicada em 1611, pode igualmente ser considerada (embora não se assuma como tal) uma das primeiras obras feministas britânicas, apresentando o episódio bíblico da crucificação de Cristo através da perspetiva de uma mulher. Por ter sido contemporânea de William Shakespeare e amante de um patrono da sua companhia de teatro, algumas pessoas têm vindo a desenvolver a ideia de que Emilia é a "Dark Lady" a que o Bardo inglês alude nos seus sonetos. Outras, como a jornalista Elizabeth Winkler, vão mais longe e ponderam a possibilidade de William Shakespeare ser apenas um pseudónimo de Emilia, o que significa que um dos mais importantes escritores da literatura Ocidental teria sido, na verdade, uma mulher. 

 

 

5. Sor Juana de la Cruz  (1651-1695)

Natural da Cidade do México, Sor (irmã) Juana Inés de la Cruz foi freira, escritora, poetisa e filósofa. Curiosa desde tenra idade, aprendeu latim, grego, literatura e muitas outras disciplinas, tendo entrado para um convento aos dezasseis anos não por devoção mas pela possibilidade de dedicar a sua vida ao estudo em vez de a um marido e filhos, como seria esperado de uma mulher mexicana da época. Aí, escreveu poesia e inúmeros ensaios sobre o seu amor pelo conhecimento (um interesse considerado "não-feminino") e o poder da imaginação. Quando começou a atrair atenção pelos seus feitos, líderes da Igreja Católica, que antes se tinham maravilhado com a sua mente brilhante, ficaram incomodados com a sua dedicação ao estudo, obrigando-a a abandonar os livros e a arrepender-se dos seus pecados. Acabou por morrer pouco depois, de peste, ao cuidar de vítimas desta doença.

 

 

6. Mary Astell (1666-1731)

Embora seja considerada a "primeira feminista inglesa" pela sua defesa da igualdade de oportunidades para as mulheres, ironicamente, os únicos registos escritos sobre a vida de Mary Astell que sobreviveram no tempo foram quatro cartas suas endereçadas a figuras masculinas proeminentes da época. No ensaio A Serious Proposal to the Ladies for the Advancement of their True and Greatest Interest, publicado em 1964, advogou a ideia de que a mulher é tão racional como o homem e, por isso, merecedora do mesmo nível de educação formal, tendo sido uma das primeiras mulheres a defender esta ideia. Teceu também duras críticas ao casamento, no ensaio Some Reflections upon marriage, que considerava ser uma relação pautada pela desigualdade e pelo desrespeito da mulher pelo homem.

Todas as suas obras foram publicadas anonimamente e Astell afastou-se da vida pública nos últimos anos de vida, algo que poderá ter contribuído para que, hoje em dia, não seja tão discutida quanto outras autoras feministas. 

 

 

7. Lady Mary Wortley Montagu (1689-1762)

Nascida em Inglaterra no século XVII, Lady Mary Wortley Montagu foi uma escritora, poetisa e aristocrata. Enquanto esposa do embaixador britânico no Império Otomano, passou dois anos em Constantinopla (atual Istambul), onde adotou os trajes mais simples e sem corpetes das mulheres otomanas, que considerava as mulheres mais livres do mundo. Embora tenha escrito muita poesia, é mais conhecida pelas cartas que endereçou à corte real, particularmente as Cartas da Turquia, que foram descritas, pela historiadora Billie Melman, como "o primeiro exemplo de um trabalho secular escrito por uma mulher sobre o Oriente Muçulmano". Tendo ficado maravilhada com o conhecimento médico dos otomanos e o seu hábito de utilizar parte da matéria da varíola para inocular as crianças contra esta doença, numa das suas cartas endereçadas à corte, escreveu acerca da prevenção desta doença mortal, contribuindo assim para que esse conhecimento fosse divulgado na Europa.

 

 

8. Doan Thi Diem  (1705-1748)

Natural do Vietname, Doan Thi Diem foi uma importante poetisa e tradutora do século XVIII. Uma das suas obras mais conhecidas é uma coleção de histórias sobre a vida das mulheres, incluindo da Princesa ou Mãe (títulos comuns concedidos a estas figuras de culto) Lieu Hahn - descrita na sabedoria popular como imperatriz, estalajadeira, vendedora de mercado, prostituta ou filha de um deus. Colocando a figura divina lado a lado com mulheres comuns, criou assim as fundações para uma maior valorização das mulheres na sociedade vietnamita. Sobre a vida pessoal da autora, conta-se que recusou casar-se até encontrar um parceiro intelectualmente adequado.

 

 

9. Olympe de Gouges 224  (1748-1793)

Ativista e dramaturga, Olympe de Gouges foi pioneira na reivindicação de direitos iguais para as mulheres em França. Em 1791, declarou o direito das mulheres à cidadania e, em 1789, inspirada pelas ideias de revolução e liberdade que circulavam no seu país, redigiu um documento a propor uma lista de direitos para as mulheres, tal como tinha sido feito na Declaração dos Direitos do Homem nesse mesmo ano. Mulher de convicções fortes, escreveu também inúmeros ensaios políticos a defender a abolição do negócio de escravos nas colónias francesas, tendo sido executada na guilhotina durante o Período do Terror, com apenas 45 anos.

 

 

10. Sarojini Naidu  (1879-1949)

Também conhecida pela alcunha Bharatiya Kokila (o rouxinol da Índia), Sarojini Naidu foi uma escritora, poeta e ativista política indiana. Afamada pela sua luta pela emancipação das mulheres e pela independência da Índia, foi a primeira mulher a ser líder do Congresso Nacional, tendo sucedido a Mahatma Gandhi. Em 1926, proferiu um discurso incendiário que lhe valeu a censura dos membros do Parlamento. Dirigindo-se aos "homens ingleses, que se orgulham do [seu] cavalheirismo", acusou-os de terem desnudado, açoitado e ultrajado as mulheres indianas, contribuindo assim para o início de um movimento de oposição ativa das mulheres ao domínio britânico.

O escritor Aldous Huxley descreveu-a como sendo "uma mulher que combina da maneira mais notável grande poder intelectual com charme, doçura e uma energia vigorosa, uma ampla cultura com originalidade e seriedade com humor", terminando com a seguinte afirmação: "Se todos os políticos indianos forem como a sra. Naidu, então este é um país de sorte."

 

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