Em 1593, Gabriel Harvey, escritor e poeta inglês, refere nos seus textos uma notável mulher de boas famílias, que escreveu três sonetos e uma comédia, recusando-se a oferecer uma descrição mais detalhada. Relativamente ao trabalho desta mulher-mistério, no entanto, Harvey considera ser imortal. Simultaneamente, foi em 1593 que apareceu pela primeira vez o nome de Shakespeare, no poema “Venus e Adonis”. Coincidência? Ou a prova que faltava?
Elizabeth Winkler teoriza que esta mulher misteriosa, descrita por Harvey, pode ter sido a verdadeira autora das obras de Shakespeare. Ainda que as candidatas sejam várias, a jornalista inclina-se mais para Emilia Bassano, uma das primeiras mulheres a publicar poesia em Inglaterra e já associada a Shakespeare como sendo a sua “Dark Lady”, mencionada nos seus sonetos.
Já John Hudson, historiador inglês, foi em busca da verdadeira história desta mulher e descobriu uma série de factos que ajudam a acreditar nesta teoria de que Shakespeare e Bassano podem ser, de facto, a mesma pessoa.
Na sua adolescência, Emilia tornou-se amante de Henry Carey, Lord Hunsdon, mestre de entretenimento na corte e patrono da companhia de teatro de Shakespeare. “Ela viveu em diferentes mundos sociais”, sustenta o historiador, acabando por englobar características absolutamente shakespearianas – desde referências mais grosseiras, típicas de uma classe inferior, ao conhecimento íntimo que parecia ter da corte, passando pela herança italiana e as alusões à música – a sua família era emigrante, oriunda de Veneza, constituída por músicos e fabricantes de instrumentos musicais.
O artigo de Winkler, para a revista The Atlantic, é extenso e procura justificar, de forma sustentada, a associação de Emilia Bessano a William Shakespeare.
A jornalista já obteve uma resposta, do académico James Shapiro, que refuta a ideia de que o emblemático dramaturgo possa ter sido uma mulher.
To be or not to be… That is, indeed, the question!