Ray Bradbury (22 de agosto de 1920 - 5 de junho de 2012) era um homem carismático, excêntrico e intensamente brincalhão. É, indiscutivelmente, um dos mais influentes escritores norte-americanos do século XX, autor de mais de trinta obras de ficção, entre as quais se contam os célebres romances Fahrenheit 451, Crónicas Marcianas ou A Morte É um Acto Solitário, assim como centenas de contos. Escreveu igualmente para teatro, televisão e cinema, incluindo a famosa adaptação cinematográfica de John Huston do clássico Moby Dick. Na data em que se assinala o seu aniversário, partilhamos 10 curiosidades sobre o homem que disse: “Não é preciso queimar livros para destruir a cultura. Basta fazer com que as pessoas deixem de lê-los.”
10 CURIOSIDADES SOBRE RAY BRADBURY
1. A paixão pela escrita foi despoletada por um encontro com um mágico num circo, o Mr. Electrico (Sr. Elétrico), em 1932. No final da sua atuação, o mágico estendeu a mão ao jovem Bradbury de doze anos, tocou-o com a sua espada carregada de energia e ordenou: "Vive para sempre!" Bradbury mais tarde disse: "Decidi que era a melhor ideia que alguma vez tinha ouvido. Comecei a escrever todos os dias. Nunca mais parei."
2. Bradbury não só criava mundos fantasiosos com caneta e papel, como também vivia num mundo fantasioso criado por si. O seu escritório em Beverly Hills (tal como o escritório no sótão de sua casa) estava cheio de objetos que despertavam a sua imaginação: desenhos animados, figuras, animais de peluche, máscaras e magia. Na verdade, Bradbury estava tão frequentemente perdido no seu próprio mundo imaginário que se esquecia das exigências da realidade.
3. Em fevereiro de 1924, Bradbury viu o seu primeiro filme. Tinha três anos de idade quando a mãe o levou a ver Lon Chaney em "O Corcunda de Notre Dame". Dois anos depois, foi assistir a "O Fantasma da Ópera", duas vezes: uma com a mãe e outra com o irmão, Skip. Estes filmes deram início ao seu amor pelo cinema. Assistia frequentemente ao mesmo filme várias vezes. Em 1940, viu "Fantasia", da Disney, mais vezes do que se conseguia lembrar. Os seus filmes hollywoodescos favoritos eram de quase todos os géneros - "King Kong", "Citizen Kane", "Singing in the Rain" ou "Encontros Imediatos de Terceiro Grau".
4. O conto Rocket Man (O Homem Foguete), que integra o livro O Homem Ilustrado, inspirou a canção homónima.

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5. Bradbury não era apenas altamente criativo com as palavras, era também um excecional artista visual. Usava o escritório no sótão como o seu estúdio, rabiscando, fazendo esboços e pintando. Adorava desenhar rostos de diabo, abóboras, gatos e monstros.
6. Conheceu Marguerite "Maggie" McClure, a mulher com quem viria a casar, na livraria Fowler Brothers, no centro de Los Angeles, onde ela trabalhava. Ela não conseguia tirar os olhos dele, embora não fosse devido a uma atração instantânea, mas sim porque suspeitava que ele iria roubar algo. Acabaria por roubar-lhe o coração.
7. Em 1932, Bradbury recebeu como presente de Natal uma máquina de escrever (que era um brinquedo e não uma verdadeira). Cinco anos depois, comprou a sua primeira máquina de escrever verdadeira por 10 dólares. Apesar de as suas previsões sobre alguns dos grandes desenvolvimentos tecnológicos dos séculos XX e XXI, a máquina de escrever permaneceu uma das poucas inovações com as quais Bradbury se sentia realmente à vontade. Nunca usou um computador e, em 2009, descreveu a Internet como "uma perda de tempo".
8. Os seus netos recordam que o avô tinha mais brinquedos do que eles: pistolas de raios de brincar, robots, dinossauros de peluche, animais de peluche exageradamente grandes e até uma cabeça a flutuar num frasco de vidro – oferta de Alfred Hitchcock. Todos os Natais, pedia à sua esposa que lhe desse brinquedos em vez de outros presentes. Uma das suas netas descreveu a sua casa e escritório como "uma confusão de atividade" com "tralha por todo o lado", enquanto um amigo e colega de toda a vida disse: "Quando penso no Ray, penso na sua casa cheia de livros, papéis, brinquedos e gatos - de alguma forma, uma personificação física de uma secção transversal do cérebro americano."
9. Apesar das suas incríveis qualidades visionárias, nunca aprendeu a conduzir um carro. Isso deveu-se à sua fraca acuidade visual e após ter testemunhado um grave acidente rodoviário que o afetou profundamente. Em Los Angeles, circulava de bicicleta ou apanhava táxis. Katharine Hepburn chegou a conduzi-lo por Beverly Hills e deixou-o no seu escritório. E Doris Day acenava-lhe alegremente ao passar de bicicleta.
10. Costumava falar entusiasticamente sobre educação, bibliotecas, vida urbana e a importância da liberdade. Desenvolveu uma paixão pelo planeamento urbano e desejava que as cidades fossem recriadas para serem melhores para todos, não apenas para a elite. Bradbury sempre quis fazer parte da solução, não do problema, e procurou sempre envolver e inspirar.
Fonte: raybradbury.com