“Deixemo-nos de tretas!” Duas ou três ideias sobre... a ilusão da comida saudável

Por: Beatriz Sertório a 2024-05-14

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Deixemo-nos de Tretas
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“Quanto mais sabemos acerca de alimentação e de nutrição, pior as pessoas comem.”  Quem o afirma é Conceição Calhau, uma das mais prestigiadas investigadoras do país na área da nutrição e saúde, e autora do livro Deixemo-nos de Tretas – A ilusão da comida saudável. Publicado pela Contraponto no passado mês de abril, este livro pioneiro procura desmascarar muitas das teorias que nos são vendidas sobre alimentação saudável e dietas milagrosas. Afinal, será que devemos mesmo comer tudo cozido e grelhado? Existem realmente alimentos “saudáveis”? Terão as calorias assim tanta importância? 

Numa altura em que somos constantemente bombardeados com conselhos sobre alimentação “saudável” sem qualquer fundamento científico e muitas vezes até perigosos, este livro torna-se mais urgente do que nunca. Na esperança de lhe abrir o apetite para esta leitura fundamental sobre nutrição e hábitos alimentares, partilhamos duas ou três ideias que pode encontrar neste livro.


Fazer uma alimentação saudável não significa passar a vida a comer cozidos e grelhados 

Um dos principais preconceitos acerca de alimentação saudável que Conceição Calhau desmistifica neste livro é a ideia, frequentemente partilhada, de que devemos comer exclusivamente cozidos e grelhados. Segundo a autora, o principal motivo pelo qual os cozidos e grelhados não são necessariamente a opção mais saudável é a perda de nutrientes que ocorre durante o processo de confeção, tais como a perda de vitaminas e minerais na água da cozedura que não é aproveitada ou a perda do ómega-3 no peixe quando este “seca” ao ser grelhado.

Por essa razão, ao contrário daquilo que se possa pensar, o prato de arroz com bife grelhado, para muitos sinónimo de refeição saudável, é, na realidade, uma má escolha alimentar, pois além de apresentar um índice glicémico elevado, o método de confeção faz com que haja uma maior perda de nutrientes que poderiam ser preservados caso os alimentos fossem preparados de outra forma. Na verdade, mesmo os próprios utensílios utilizados para grelhar os alimentos podem ser prejudiciais para a nossa saúde. Assim sendo, a autora recomenda antes aquilo que designa por comida de tacho, isto é, aquele tipo de prato em que se enfia tudo para dentro do tacho, arroz, brócolos, feijão… ingredientes fundamentais para uma refeição verdadeiramente saudável. 


O que menos importa são as calorias 

Quando se fala sobre alimentação saudável, fala-se quase sempre de calorias, mas Conceição Calhau acredita que poucos sabem realmente o que isso significa. Uma caloria (kcal) é meramente uma unidade de combustão de laboratório e define-se como a quantidade de energia (calor) fornecida a 1 grama de água para aumentar a sua temperatura em 1ºC. Ou seja, sabe-se que determinado alimento, em laboratório, liberta X calorias, mas não é possível saber quantas liberta ao certo no seu organismo. Ainda que existam tabelas de referência que nos indicam o valor calórico por cada 100 gramas, a realidade é que esse número é apenas isso: uma referência.

Também a própria forma como cada organismo em concreto queima as calorias de um determinado alimento é variável. Tudo dependerá do metabolismo basal, que por sua vez depende da proporção de massa muscular. Mais do que olhar para o valor calórico de um alimento, importa ter em conta tudo aquilo que ele nos oferece, tal como, por exemplo, a quantidade de micronutrientes presentes.


As dietas não são a solução

Apesar da importância inegável da dieta mediterrânica num contexto de alimentação saudável, a autora argumenta que uma vez que cada indivíduo é único e tem a sua própria microbiota que faz com que processe os alimentos e reaja aos nutrientes de forma individual é, portanto, impossível existir uma dieta que seja válida para todos. Na maioria das vezes, quando se fala em dieta, fala-se numa perspetiva de objetivo de perda de peso, não num regime alimentar em si, e por isso costumam incindir sobretudo na privação de hidratos de carbono. O problema, argumenta a autora, é que a pessoa perde peso mas perde também massa muscular, o que faz baixar o metabolismo e, como tal, leva a uma maior tendência para aumentar o peso.

Outro grande problema das dietas é o facto de as pessoas as entenderem quase como se fosse um medicamento para se utilizar apenas num determinado período de tratamento com um determinado objetivo, e depois de este ser atingido, regressar aos hábitos anteriores. Saltitar entre dietas substancialmente diferentes umas das outras, mais do que levar à perda de peso, terá como resultado baralhar completamente o nosso metabolismo e propiciar não só o efeito contrário do aumento de peso, como a disbiose
 um desequilíbrio na flora intestinal  e vários outros problemas de saúde. Mais do que fazer dieta, o importante é adquirir hábitos alimentares saudáveis e duradouros que potenciem o nosso bem-estar.


Quer saber como? Leia mais em Deixemo-nos de Tretas – A ilusão da comida saudável.
 

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